quinta-feira, 28 de março de 2019

A espuma dos dias
Com uma ausência prolongada por viagens que fui fazendo retomo estas notas  e não faltam assuntos, a dificuldade é escolher,
1- Islamofobia - ocidentofobia , duas faces da mesma moeda -       Ao fim de mais de uma década de terrorismo praticado em nome do Islão, que tem afectado todo o mundo ocidental, começam a surgir episódios sangrentos contra os muçulmanos, praticados ao que parece. até agora, por uns indivíduos isolados, os tais "lobos" solitários, mas não nos devemos admirar se esse tipo de ataques vier a aumentar em gravidade e em número de praticantes.
     As tres religiões monoteistas ou do "livro" declaram adorar o mesmo deus mas de forma diferente; ora essa espécie de concorrência traduziu-se sempre, ao longo da História, por  atitudes bélicas, pois cada uma delas arroga-se a prerrogativa de ser a religião verdadeira. 
   As religiões são datadas, tem um tempo em que apareceram e aquilo que proclamam destinava-se ao nível cultural das gentes da época em que foram proferidas ou escritas as prelecções. Por isso se os textos e os conceitos de há muitos séculos atrás não forem revistos e adaptados para populações do século XXI, chocam evidentemente com os níveis de evolução dos povos,
 O judaísmo é a mais antiga, foi muito centralizada no "povo eleito" e por isso nunca fez proselitismo relevante; já o cristianismo teve de lutar para sobreviver, num meio hostil, mas teve a sorte de poder usar a paideia grega e por isso expandir-se  para a Europa antes de o fazer, já mais consolidada, para sul e oriente. Sete séculos depois surge o islamísmo, entre as populações mais pobres do deserto, tribos da Arábia pouco mais avançadas que do neolítico, que só uma religião de regras duras poderia disciplinar. Depois o Ocidente cristianizado não só hostilizou o judaísmo culpando-o da morte de Cristo, obrigando à dispersão do povo hebraico, como abriu guerra directa com os muçulmanos, séculos após séculos.
   Já no período moderno a maioria das nações árabes foram colónias ou protectorados ocidentais, acentuando-se a oposição entre uma religião dominada e uma outra dominantes, se bem que nos últimos dois séculos a dominação do Ocidente já não fosse em nome do deus antigo, mas em nome do deus moderno que é o mercado, o negócio, o dinheiro. Mas aos olhos dos muçulmanos são os cristãos, os hereges.  E se tirarmos 7 séculos ao cristianismo estaremos no século XIV- e veja-se o que a Igreja fez de barbaridades desde  esse tempo até hoje, as guerras, a Inquisição,...     O Islão ainda tem muitos séculos para "amadurecer" e atingir  uma maior estabilidade, mais dificil  de idealizar pela falta de cultura geral dos povos, pela falta de recursos, pelas próprias regras do Corão que instigam à guerra santa,  
    Portanto estamos no século XXI a encarar de novo a duas faces da mesma moeda.

2- A seca -  Começam agora - só agora - os políticos a preocuparem-se com a seca que aflige o país.
    Andei há dias quase uma semana pela Andaluzia e o panorama é o mesmo para pior: este inverno desde Janeiro apenas lá choveu um dia e só 3 l/m2.
   Se não chover bem já em Abril, vamos ter um ano de grande aflição; e não se vê o Governo a preparar o país para os anos que aí vêm.  Não se está a preparar a agricultura para produções mais conformes com a crescente aridez, investigando e experimentando culturas  adaptadas a esse novo regime.
    Ninguém fala em estações de dessalinização da água do mar para abastecer as grandes concentrações urbanas e o problema vai pôr-se  mais rapidamente do que muitos pensam., A Espanha já as tem, Marrocos também, a Argélia tem umas 15 estações dessas...





sexta-feira, 15 de março de 2019

Terrorismo anti islâmico
Os ataques terroristas a duas mesquitas na Nova Zelandia aparecem como os até agora mais graves actos anti-islamismo perpetrados no mundo, e logo num pais absolutamente periférico e afastado dos centros mundiais  de maior agitação social. para que o choque seja maior !
 De tão horrendos que são, pela gravidade e frieza dos autores dos actos de carnificina, deixam no entanto que se coloque a questão ; depois de mais  de uma década de terrorismo islâmico ou em nome do islão, que afecta todos os continentes e tem provocado o caos em tantos países ocidentais, o que se estranha é que esta reacção violenta não tenha surgido há mais tempo. Ver o Presidente da Turquia a acusar os países ocidentais de incentivarem a islamofobia, devia perguntar-se-lhe o que é ele espera se não que dentro dos povos europeus, que há anos seguidos são vítimas do terrorismo implacável em nome do islão, surjam radicais de extrema direita a retaliar sobre os muçulmanos nos mesmos termos de violência.  Que posições inequívocas e frontais de repúdio pelo terrorismo islâmico foram assumidas pelos países muçulmanos face  ao mundo  cristão  e ocidental?
E não vai ficar por aqui; a loucura e a perda para milhares de jovens e menos jovens das noções básicas de dignidade humana, de sentido de liberdade, de sentido de convivência e solidariedade, não podem conduzir senão á barbárie. Estejamos preparados para isso!!

quinta-feira, 14 de março de 2019

Desabafos...


Salazar ( e outros) fizeram o mesmo
Segundo diz o Governo, o Ministro das Finanças conseguiu pôr as contas do Estado no bom  caminho.  Os Ministros das Finanças são sempre assim : Salazar conseguiu colocar as contas em dia, tudo certinho, mas deixou a economia atrasada, o povo a viver mal e os Serviços a funcionarem mal, muito mal ( alguém ainda se lembra? Eu lembro...). 
No anterior Governo de direita aquele Ministro das Finanças. Gaspar, que parecia falar em 33 rotações, também quis pôr as contas em dia, dizia que o país estava melhor mas os portugueses é que ainda não tinham dado por isso. Depois quando se demitiu escreveu uma carta a dizer que a sua política tinha errado e que havia falta de liderança no Governo ( mas que ofensa ao Passos Coelho!!); seguiu-se o cinismo da Maria Luísa Albuquerque, e o que valeu foi que esteve lá pouco tempo - mas a economia estava de rastos. Tinham-se cortado pensões e salários, tinha emigrado uma boa parte dos nossos licenciados, os cortes nos Serviços públicos só se fariam sentir uns anitos depois.
Finalmente veio o governo da esquerda, que é certo repôs salários e pensões, é certo que aumentou o emprego, mas com a fixação, pouco ideológica de esquerda, de deixar as contas públicas em ordem e baixar drasticamente a dívida, falhou no investimento e os Serviços públicos estão em rotura por mais que nos queiram convencer do contrário. Vários economistas famosos, até estrangeiros, têm posto a nota na teimosia contraproducente de baixar o deficit para zero; pois umas décimas a mais dariam uns milhões para repor a Administração e o financiamento publico no bom caminho. Mas tal como Salazar e os outros Ministros das Finanças, também o actual quer é saber das "suas" contas e o Governo tem que obedecer -  tanto faz ser de direita ou de esquerda, o esquema mental é sempre o mesmo !!

A Banca que temos
A Banca, o conjunto dos Bancos privados e  CGD, continua a ser um sorvedouro de dinheiro nosso, dos contribuintes, pois seja pela Caixa ou pelos empréstimos ao Fundo de Resolução, é sempre o dinheiro dos contribuintes que está em jogo - em jogo e em risco!...
É escandaloso que quem quiser colocar um dinheirito numa Conta à Ordem, 2 ou 3 mil euros ou ainda menos, não só não recebe qualquer juro pelo depósito, como ainda paga mensalmente uma taxa para "gestão de conta". Ora se colocamos lá o nosso  dinheiro do qual o Banco se serve para os seus investimentos e lucros, não só não nos paga qualquer  juro como ainda pagamos para lá ter o dinheiro. Vale mais ter o dinheiro  num envelope debaixo do colchão e ir gastando de lá à medida que precisarmos. pois os 2 ou 3 mil euros ou mais não sofrem descontos senão aqueles que nós gastarmos em nosso benefício. 
Eu queria um Governo de esquerda que não permitisse um abuso destes!  Mas ainda há pior : a CGD que é o Banco púbico para onde vão as reformas e pensões acaba de aumentar o custo de levantar dinheiro ao balcão com a caderneta. Um triste que receba uma pensão que seja colocada na Caixa, para movimentar o seu magro dinheiro ainda paga por isso a um Banco do Estado ! Mas que roubalheira é esta ??!!









sábado, 2 de março de 2019


No passado dia 15 enviei o texto abaixo ao jornal Publico solicitando a sua publicação, o que não aconteceu até agora.  Coincidência ou não, uns dias depois o director do Publico escreveu um editorial a elogiar a política de Ambiente do Governo. Podiam ao menos  praticar democraticamente o contraditório...

Remodelação do Governo deixou

de fora

Agricultura e Ambiente…

     Esta última remodelação do Governo podia ter ido mais longe e chegado a áreas bem precisadas de uma grande volta, como Agricultura e Ambiente.
Os dinossauros do período Triássico se fossem tão resilientes como os dinossauros  da política portuguesa ainda hoje existiriam…
Custa a crer que não seja visível aos responsáveis  que estiveram por trás desta remodelação ( porque não pode ter sido apenas o Primeiro Ministro…) o estado de atraso do país em termos de desenvolvimento do interior, para onde se  continua a enviar retórica e uns anúncios de investimentos que não mudam nada do essencial.  O nosso erro enquanto país e com as governações que temos tido nas últimas décadas foi ter-se desprezado a capacidade produtiva dos nossos campos, foi não se ter sabido resistir às pressões mercantilistas e de aproveitamento de subsídios vindos da Europa para deixar de lado as pequenas e médias explorações.
Desde que há umas décadas  atrás os governos de Cavaco Silva resolveram dar subsídios  aos pequenos e   médios agricultores para deixarem de produzir, nem ele nem mais nenhum outro depois com poder de decisão foi capaz de pensar a longo prazo e  perceber que estavam a desertificar o interior.  Apenas as grandes explorações de carácter industrial passaram a merecer apoios; e os agricultores que deixaram as terras em pousio  foram aliciados para plantarem eucaliptos – foi a” época de ouro” do petróleo verde”. E as poucas vozes que falaram contra ainda foram ridicularizadas.
Com escreveu o Prof. António Covas, da Universidade do Algarve, “ o erro foi considerar a agricultura uma indústria”; até hoje não se corrigiu o erro.
Em vez de atraírem novos agricultores, gente nova que aderisse, aliciada por incentivos e repovoasse as aldeias e vilas, o que fizeram os Governos? Começou a campanha do “petróleo verde”, acabaram com os Serviços de Extensão Rural que eram fundamentais para ensinar novas culturas e novas técnicas e fomentar o associativismo que ajudaria os novos agricultores,  as Direcções Regionais de Agricultura perderam grande parte  da sua actividade que era  fundamental para,  no campo da experimentação, irem preparando novas culturas e novas variedades que se adaptem às condições que as alterações climáticas vão impor cada vez com maior acuidade – ou também não se acredita nas alterações climáticas?
É necessária à frente dos destinos da Agricultura gente nova, com ideias arejadas e sentido de futuro; não basta ter repartições a preencher papelada para os subsídios comunitários !
     Em política florestal  o desvario foi completo e chegou-se à situação de hoje. Do CDS ao PS têm estado todos de acordo : extinguiram os Serviços Florestais que tinham a sua malha de  defesa e vigilância espalhada pelo território, criaram um aborto administrativo de “tutela partilhada”,  enviaram os guardas florestais para a GNR, extinguiram as Administrações Florestais que geriam os problemas e os fogos e agora é o  pandemónio de  reformas e contra reformas da floresta, os milhões e milhões que são injectados todos os anos para tapar  buracos de organização, só para não darem a mão à palmatória e reconstruirem os Serviços Florestais que ficavam muito  menos onerosos que todos estes esquemas inventados para os substituir. Os incêndios são cada vez mais catastróficos; quando eles eram combatidos pelos guardas florestais e pelos bombeiros, nunca houve grandes conflitos, entendiam-se bem porque ambos conheciam as serras e os fogos eram apagados geralmente dentro de limites razoáveis.  Depois apareceram os senhores comandantes da Protecção Civil que parece que sabem de tudo, o Ministério da Agricultura cedeu o lugar ao da Administração Interna, os erros de comando são contínuos e – pasme-se !!- atiram as culpas sempre para os bombeiros.
A política de Conservação sempre foi um pilar fundamental do Ambiente e desde Abril de 74 que os Governos se interessaram por exercer uma governação onde as medidas conservacionistas  eram independentes da economia e transversais às demais actividades. Juntar o ICN com as suas Áreas Protegidas ao organismo de gestão das florestas sempre foi uma tentação de quem queria dominar a livre expansão do eucaliptal e outras formas especulativas de desordenamento do território. Estiveram quase a consegui-lo em 2004, mas o bom senso dos responsáveis do Ambiente da época conseguiu impedir esse  desnorte. Mas agora é o próprio PS que aprovou e bateu palmas à inovação que o CDS introduziu ao criar o ICNF  - e há um Ministério  do Ambiente cujo titular aceita ser ministro nessas condições – porquê? Porque, confessa,  não é ambientalista. Já tínhamos dado por isso…
Um Governo com convicções sobre a importância nacional do capital-sobrevivência que é o solo agrícola, sobre o papel insubstituível da agricultura na transformação da paisagem e no dinamismo do meio rural, e sobre a transversalidade e independência da Conservação para uma economia sustentável, sabe munir-se de Ministérios da Agricultura e do Ambiente capazes de prepararem o futuro do país. E isso    é conseguido com gente nova, de ideias esclarecidas. A remodelação governamental não foi tão longe como devia…

15-02-019    Fernando Santos Pessoa