terça-feira, 5 de setembro de 2023

 

Navegação à vista

Os portugueses fizeram alguma coisa por esse mundo fora quando sabiam navegar a médio e longo prazo, desenvolvendo as ciências e as técnicas que permitiam um certo domínio sobre a governação das viagens e a politica a elas relativa.

Mas como disse o poeta, que pensava mais e melhor que todos os nossos políticos e intelectuais encartados, os portugueses ficaram demasiado cansados depois da descoberta do caminho marítimo para a India.

 Hoje governam-nos com políticas de terra à vista, sem alma nem garra, o dia-a-dia dos cêntimos amealhados que se prometem com grande espavento, mas que depois não se entregam para uso nas rubricas mais exigentes, sempre à socapa, para as contas serem excedentárias e fazermos figura na União Europeia onde alguém espera arranjar um lugarzito para uma gloriosa reforma dourada.

O Ministério do Ambiente já nos habituou, desde o anterior titular, a fazer de conta que tempos uma política ambiental e muito melhor agora do que era antes quando estava tudo mal. Tão boa que se trocam até velhos e honrados   sobreiros por torres eólicas –e isso é dito desta forma com tanta desfaçatez porque julgam que o povão é pateta e aguenta, mas… não será prosaicamente apenas mais  um negócio da EDP?

Finalmente decidiram que temos um problema com a seca.

Para não alarmar o Pais o Ministro começou por dizer que este ano, em termos de seca, estávamos melhor que o ano passado; só que há dois países, um a norte do Tejo e outro a sul. Então lembrou-se disso e lá deixou escapar que afinal aqui pelo Sul…estamos pior do que no ano passado. E vamos continuar a agravar as nossas condições de vida a não ser que o Ministério tenha alguma combinação qualquer com os deuses e saiba que este Outono vai chover a potes. Porque se não chover a potes cá estaremos para ver como viveremos.

 Se não estivéssemos a ser governados por navegando à vista ( e vista curta), há mais de uma década que deviam estar em construção não uma mais várias estações de dessalinização da água do mar – a única garantia que permite assegurar a água potável; é que os milhões de portugueses que habitam ao longo da faixa litoral estão a usar água obtida e armazenada no interior cujas populações não têm outra alternativa. A nível do Mediterrâneo – e há décadas já o Prof. Gomes Guerreiro proclamava que somos uma região mediterrânica banhada pelo Atlântico - somos o país mais atrasado em recorrer a esse meio de obter a água; e até um país atlântico de economia difícil mas exemplarmente bem governado, Cabo Verde, tem toda a sua população servida por esse método de obter água de qualidade.

Aqui ,  com grande aparato ( e grande investimento em euros) vai utilizar-se o caudal morto das barragens, que é uma medida extrema, pois todos sabemos que se trata de águas residuais do fundo, altamente poluídas que exigem tratamento exigente para serem utilizadas. Não vão lançar aquela água directamente nas redes ou vão? A tal estação dessalinizadora virá para as calendas…  Porque não vão aprender a fazer politica a médio e longo praxo, para já   neste domínio, como fizeram a Espanha, Marrocos, a Argélia, etc e aprenderem a deixar de governar à vista em termos de ambiente ( e em termos de toda as politicas, como é  gritante para o sector agro-florestal? Já começam a acreditar que as consequências das alterações climáticas estão mesmo a cair sobre as nossas cabeças ou ainda se está naquela de ser apenas um ciclo e tudo voltará ao normal?  E o sector agro-florestal?... É melhor ficar por aqui.

domingo, 3 de setembro de 2023

Interrupção de férias 

Interrompo as "férias" do blogue para proclamar que esta madrugada fartou-se de chover no Algarve. Se em Setembro e Outubro não chover a potes estaremos com  sérios problemas daqui a uns meses...

Troquei de bom grado o meu habitual banho de mar das 8 h desta manhã por estes magníficos aguaceiros!!