O que vai pelo mundo e por cá
quarta-feira, 16 de dezembro de 2020
terça-feira, 1 de dezembro de 2020
A espuma dos dias ...
1 - O 1º de Dezembro
Em 1640 recuperámos a independência, e pena é que a Catalunha na mesma altura tenha sido sacrificada ao jugo castelhano. Teríamos uma Península Ibérica muito mais equilibrada e pujante, se em vez de ser só Portugal independente ao lado do vizinho gigante, tivéssemos também outras nações com cultura e identidade próprias como é o caso do País Basco.
Comemorar o 1º de Dezembro é ajudar a relembrar a luta de quase 900 anos deste pequeno povo esclarecido e por vezes genial, que superou dificuldades século após século que teve a capacidade de entender o Renascimento e daí lançou a epopeia das descobertas pelo mundo fora. Olhar a História com os olhos de hoje, como querem fazer certos intelectuais de pouca sustentabilidade mas ávidos de protagonismo , é um processo redutor da Humanidade; podemos hoje discordar de métodos e processos usados pelas gerações de há séculos, sim senhor, ninguém hoje sustenta a escravatura, a violência racial e outras praticas que se propalaram nos séculos anteriores. Mas a escravatura existe desde que o homem é homem, em todos os povos e em todas as culturas, até escravatura de seres humanos das mesma etnia ou próxima ( o clássico exemplo da Rainha Giga de Angola, que lutou contra os portugueses mas ela mesma tinha centenas de escravos negros ao seus serviço é significativo...) - por isso devemos lamentar também termos estado envolvidos nessa prática desumana - mas ainda não vi nenhum chefe ou lidere africano pedir desculpa aos seus concidadãos por os antepassados terem vendido os seus irmãos ao comerciantes que chegavam com as caravelas até às praias. Peçam lá desculpa, vá!!
Por isso temos todas as razões para nos orgulharmos das nossas façanhas e da nossa História, sem que daí possam nascer nacionalismos e xenofobias espúrias.
2 - Eduardo Lourenço, da colheita de 1923
Faleceu hoje Eduardo Lourenço, pensador e escritor de grande gabarito, talvez um dos maiores senão o maior e mais profundo pensador dos séculos XX e XXI. Morreu com 97 anos,
Aqui há uns anos o Arqº Nuno Portas disse que os anos de 1922 e 23 foram de "grandes colheitas" em termos do nascimento de homens de elevada craveira intelectual. Na verdade, e certamente vão faltar alguns nomes, dessas colheitas fazem parte Gonçalo Ribeiro Telles, Nuno Teotónio Pereira, Fernando Távora, Eduardo Lourenço, ou Adriano Moreira
3- A crise que se aproxima - Creio sinceramente, como já foi afirmado por alguns especialistas, que o próximo ano será de uma enorme crise em todo o mundo e nós seremos dos mais afectados, pela pequena dimensão da nossa economia e pela sua dependência do comércio externo. E muito perigosas serão a crise social e a crise politica inerentes, com o rol de desempregados, de falências de empresas e de agitação social . Serão os tempos dos populismos e do crescimento dos extremismos que hoje já não serão, sejamos claros, da esquerda mas antes os da extrema direita. Já ninguém, nos países ocidentais pelo menos, espera que comunismos e radicalismos de esquerda venham a dominar seja lá onde for, porque as sociedades ditas burguesas já não toleram a tenaz do capitalismo de Estado.
Já tenho dito que a História se repete se nós deixarmos que ela se repita, e o que aconteceu depois da pandemia da pneumónica, em 1917- 18 foi o crescimento exponencial, ano após ano, dos ideais fascistas e ditatoriais precisamente tirando partido das dificuldades das camadas mais desfavorecidas. As políticas dum liberalismo financeiro exacerbado, explorando nas fábricas e nas cidades superpovoadas os trabalhadores e a própria classe média que despontava, levaram a enormes desigualdades entre países e em cada país entre os diversos estratos das suas populações. A grande crise do liberalismo sem regras que atingiu os EUA no final da década de 20, foi agravada com as decisões do então Presidente Hoover e dos seus conselheiros financeiros sobre um Estado menor, de que valia mais deixar rebentar a economia, deixar falir as empresas que não aguentassem a crise, para depois se poder reconstituir de novo a economia de mercado. Essa decisão agravou a crise até ao limite e começou a sentir-se a sua repercussão nos países europeus.
Foi então que eleito o Presidente Roosevelt, que adoptou uma política inversa, depois esplanada e teorizada por Keynes, que foi a injecção maciça de investimento público nas empresas e na sociedade, graças à reconstituição de um Estado forte.
Mas a falência das economias europeias prosseguia, a Inglaterra, a França, a Itália e em especial a Alemanha viviam anos de grande dificuldade económica e a pobreza aumentava. O nazismo deu resposta aos anseios da população mais desfavorecida, não foi por acaso que se intitulou Nacional Socialismo e Hitler chegou ao Poder ganhando eleições livres, desde logo usando tácticas e métodos de terror público que parece não terem feito recuar a maioria dos alemães que esperavam por um futuro melhor - o resultado da guerra demonstrou que foi um engano terrível.
Na Itália nasceu o fachismo de Mussolini e na Península Ibérica os proto fascismos franquista e salazarista; noutra economia relevante no Oriente, o Japão, sob a capa fanática do Imperador, nasceu o feroz nacionalismo nipónico que só Hiroshima e Nagasaki haveriam de destronar.
Nesta ano da nova pandemia os EUA voltam a estar na linha da frente do grande desastre mundial. desde que a percentagem mais estúpida por um lado dos americanos menos cultos e por outro lado dos manipuladores da economia de mercado e das religiões extremistas, muitas vezes associados, enviaram opara Presidente o paranóico e sem escrúpulos Donald Trump. O seu posicionamento e as suas ideias anti democráticas têm servido de exemplo e de estímulo aos protagonismos da direita reaccionária um pouco por todo o mundo.
O comportamento de alguns países da União Europeia é bem demonstrativo como as influências das ditaduras em povos mal preparados para a democracia, deixam resquícios altamente perigosos em termos civilizacionais para todo o continente europeu e - eu continuo a ser eurocentrista... - para todo o mundo .Veja-se a dificuldade que alguns países que estiveram décadas integrados nas ditaduras comunistas eufemisticamente designadas democracias populares ( quem as visitou como eu, viu como era,,,) em aceitarem as regras da democracia liberal ou "burguesa" a ponto de, casos da Polónia e da Hungria, porem em risco a disponibilidade de fundos europeus para acudir à pandemia. Aqueles povos, depois de umas primeiras experiências democráticas a seguir ao desabar do Muro Berlim ( que o PCP português diz que não foi nada...) deixaram-se voltar a seduzir pelas ideias mais extremistas e antidemocráticas de salvadores da Pátria. Esses dois são os mais explícitos, mas noutros países da Europa oriental a estabilidade democrática como a conhecemos por aqui está sempre em risco.
Estamos num desses tempos de encruzilhada e devemos estar preparados para rebater todos os sinais de ameaça para a democracia que não é "orgânica" como queria o salazarismo nem "popular como querem (ainda hoje !...) os marxistas leninistas ou trotzequistas ou maoistas ou sejam á o que forem - é a democracia de origem liberal e burguesa, sim senhor, mas moldada aos valores da solidariedade e da defesa do colectivo e de um Estado Social forte para poder acudir, como nesta pandemia, às necessidades prementes da economia e dos cidadãos. Veja-se como agora os autodenominados liberais pedem que o Estado intervenha, que ponha dinheiro nas empresas, que ajude o mercado a funcionar... Menos Estado para melhore Estado, não é ? Pois, foram das crises, claro.
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
Ainda Gonçalo Ribeiro Telles
Quando vinha de Lisboa para o Algarve, naquele fim de tarde depois da saída do funeral dos Jerónimos, foi quando caí em mim, como se levasse uma grande pancada : nunca mais voltaria a subir as escadas da Rua de S.José ! Durante os últimos 4 ou 5 anos, e de forma quase semanal nestes últimos meses em que o Gonçalo piorou e estava isolado de visitas ( permitiam a mim, fora da família, que o visitasse), estive com ele, assistindo a uma lenta e progressiva agonia, com cegueira, com quase impossibilidade de falar - mas consciente, mesmo debaixo da sonolência que os sedativos lhe provocavam, ele reconhecia-me e prestava alguma atenção ao que eu dizia só para o manter ligado. Acabou o meu empenho em continuar a escrever sobre este velho e grande Amigo.
No entanto, por solicitação insistente, acabei por escrever o último artigo em memória do Gonçalo, que veio publicado no Jornal de Letras. Mas acharam por bem ( acharam eles, sem me dizer) que deviam cortar algumas frases, o que acho intolerável. Por isso aqui vai na íntegra.
Gonçalo Ribeiro Telles, o Homem, o Mestre
É fácil e é difícil escrever sobre Gonçalo Ribeiro Telles.
Fácil porque todos o conhecem e sabem muito daquilo que ele construiu ao longo da vida; difícil para não cair nos lugares comuns estereotipados que são sempre utilizados nestas laudas.
Antes de abordar o Mestre vou tentar abordar o Homem com quem convivi com intimidade quase 60 anos, mas tenho de falar de mim porque, depois de tantas personalidades terem escrito sobre ele, essa é a única razão para eu poder escrever estas linhas sentidas. Foi meu Professor coadjuvando o Professor Caldeira Cabral e, para meu espanto, habituado a ver o Estado Novo perseguir republicanos e comunistas, ele - católico e monárquico - foi expulso do ensino! Foi também expulso da Câmara Municipal de Lisboa por uma exemplar questão de ética profissional ligada ao seu projecto para a Avenida da Liberdade.
Numa das últimas aulas que deu convidou-me para ir trabalhar no seu atelier e também para eu aparecer nas noites de quarta feira no Centro nacional de Cultura, onde se discutis Cultura e Liberdade. Para as gerações de hoje isto talvez pouco diga, mas era precisa coragem para aqueles homens e mulheres de grande valor se posicionarem, daquela forma, e naquele lugar, ali mesmo pegado com o quartel da PIDE.
Gonçalo Ribeiro Telles afirmou-se sempre como "monárquico popular" mas alinhou durante décadas com a oposição republicana ao regime. As suas convicções monárquicas, que eu não partilhava, mas inspiradas em valores da Cultura e da Tradição, contribuíram decisivamente para alargar os conceitos de democracia e de convivência democrática nos ideais da Liberdade.
Basta dizer que em 1973 foi convidado a participar, mas impedido de o fazer, no 3º Congresso da Oposição em Aveiro, onde apenas conseguiu chegar o dr. Henrique Barrilaro Ruas que leu a sua mensagem, mas a presença dos monárquicos foi possível depois do Congresso ter deixado cair a designação de Republicano para passar a ser da "Oposição Democrática" - o que só por si também diz muito do prestígio e da consideração que Ribeiro Telles já então granjeava.
Recordo-me de, em 1959, ele ter sido incomodado pela PIDE, instaurando-lhe um processo e tribunal, por ser signatário duma Carta a Salazar ( de que tenho ainda uma cópia) que partiu de um grupo de católicos progressistas encabeçada pela grande figura do Padre Abel Varzim, que incluía outros sacerdotes e personalidades da craveira de Francisco Sousa tavares, do hoje tão esquecido José Escada, João Bénard da Costa, Sofia de Mello Breyner, Nuno Teotónio Pereira e outros.E constava do documento da acusação que ele "tinha custeado a impressão da carta e sua distribuição"...
Como dirigente dos monárquicos independentes e populares participou nas diversas eleições que se organizaram, em 1958 integrou a candidatura de Humberto Delgado e em 1969, por convite de Mário Soares, participou nas listas da CEUD através da Convergência Monárquica que chegou até 1974 - tudo o que significasse democracia e liberdade dizia-lhe respeito.
Por mim, que deixei de o ter como Professor no ISA, continuei a tê-lo no seu atelier e tenho recordações incríveis desses anos. Eu, republicano, passei a ser um dos seus mais dilectos discípulos e as nossas conversas sobre politica e sobre tudo o que nos rodeia, ao longo de todos estes anos, apenas cimentaram uma enorme amizade e uma grande, muito grande, compreensão da minha pare pelo se génio. Porque é de génio que se trata.
A sua invulgar capacidade intelectual, revelou-o como criador de de paisagens e como inspirador de ideais democráticos, pois para Gonçalo Ribeiro Telles tudo se conjugava numa concepção global da paisagem, dos homens, do património natural explorado para dele se edificar o património construído- tudo se conjugava numa grande IDEIA comum.
Todos têm falado dele em 1967, quando ocorreram as trágicas cheias da região de Lisboa que provocaram centenas de mortos e cujo número o regime tentou encobrir. Nessa data, à personalidade de homem politico Ribeiro Telles veio tornar pública a sua qualidade de grande técnico, a afirmação de Mestre, surgindo inesperadamente na televisão a explicar as razões que tinham dado tal dimensão às chuvadas anormais que haviam caído na região. Denunciou a ocupação dos leitos de cheia e das cabeceiras das bacias hidrográficas pelas populações desfavorecidas e apontou o dedo à falta de políticas de habitação, de apoio social e de ordenamento do território; falou de conceitos e de uma terminologia técnica que hoje nos são familiares mas que, na altura, surgiam como novidade para muitos técnicos e sem dúvida para a opinião pública.
Com os 25 de Abril de 74 Gonçalo Ribeiro Telles, já então Presidente do PPM - Partido Popular Monárquico - foi chamado para Sub-Secretário de Estado do Ambiente, passando depois a Secretário de Estado da mesma pasta. E teve o "desplante" de me convidar para seu chefe de gabinete, eu que sempre fui republicano e avesso ao activismo politico - mas a ele não fui capaz de recusar.
Gonçalo Ribeiro Telles depois de ter saído do VIº Governo Provisório, voltou ao ensino universitário em 1976, para a recém criada Universidade de Évora, construindo o Departamento de Planeamento Biofísico que englobava as licenciaturas em Arquitectura Paisagista e Engenharia Biofísica e que ele dirigiu até á sua jubilação.
Mas não abandonou a intervenção politica, participando como deputado na Assembleia da República pelo PPM integrado na AD e masi tarde como deputado independente elo PS.
Por trás do Homem, democrata, íntegro, espírito impregnado dos melhores valores humanos e colectivos, que lutou sempre pela liberdade e pela coesão social, para lá de ideologias catalogadas, estava pois o técnico, o visionário, o Mestre.
Foi entre 1979e 1983 que Ribeiro Telles teve a mais importante contribuição da sua vida para a consolidação da Política de Ambiente e de Ordenamento do Território, dando dela a verdadeira imagem pública que já era respeitada por todos quantos com ele privavam. Foi Ministro de Estado e da Qualidade de Vida e ainda hoje, apesar dos atropelos, das (in)correcções, das incompetências, das submissões a valores mercantilistas tornados mais importantes que a verdade das Ciências da Terra, a Política de Ambiente em Portugal assenta na legislação que saiu da sua vontade política : e não vou repetir o que já se escreveu sobre a sua acção nesses domínios.
Chamado por vezes de utópico e idealista, nunca se afastou da realidade que é representada pela Vida, quer no espaço rural quer no espaço urbano. Terçou armas para que paisagem urbana e paisagem rural fossem entendidas apenas como duas faces da Paisagem Global. em que a Natureza esteja presente e em que o homem tire dela proveito sem a prejudicar - hoje todos lhe dão razão por ter insistido quase obcessivamente na importância das hortas urbanas e dos corredores verde. Pôde ainda assistir à concretização duma sua "utopia" lisboeta, o corredor verde entre o Parque Eduardo VII e o Parque de Monsanto..
Utopia com os pés na terra- define bem a sua postura.
Batalhou sempre a favor do conhecimento e do respeito pelo genius locci de cada lugar - e lançou os primeiros impulsos mediáticos a favor do equilíbrio das paisagens, da defesa da Biodiversidade, do respeito pelas leis da Natureza semn fundamentalismos porque essa é também a ideia magna da arquitectura paisagista - a arte e a ciência de ordenar o espaço em relação ao Homem, com respeito pelas leis naturais da Biosfera. Foi assim o Mestre de muitas gerações.
Acompanhei Gonçalo Ribeiro Telles nos últimos anos em que aguentou um sofrimento físico e psíquico impressionante, como impressionante foi sempre a sua resiliência até ao último sopro - com 98 anos feitos.
Não basta dizer que Portugal tem uma grande dúvida para com ele - é preciso e urgente que alguém tenha a coragem de implementar as suas ideias sobre o território e a paisagem, única homenagem digna do Mestre que ele foi.
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
Este mundo conturbado e este país destroçado
Escrevi a última nota a 5 de Novembro e só hoje posso retomar, por mais um exemplo do atraso deste país - um temporal mais forte ( que seria se tivesse ocorrido um ciclone ou uma tromba de água?!) arruinou a rede de que dependo para ter internet e a Altice, ou MEO, levou 10 dias para reparar um problema de fios de cobre lá fora e o meu router cá dentro, sendo que este já era velho demais...
Só quero deixar uns apontamentos de alguns assuntos, para memória futura.
NESTES DIAS TANTAS COISAS ACONTECERAM !
1- Gonçalo Ribeiro Telles -
Finalmente chegou o seu dia de partir. Quando há uns meses lhe perguntei como estava, ainda falava mas mal, e balbuciou " estou morto mas eles não sabem". de outra vez, tentando mantê-lo interessado nos assuntos desta época, falei da pandemia; e deixou escapar um comentário : "esta doença não tem cura", disse-lhe que a pandemia teria cura mas ele retorquiu " a doença que eu tenho não tem cura"- estava bem ciente do seu destino. Com autorização da família para o visitar, visitei-o quase todas as semanas, cheguei a ir a Lisboa quase só para estar com ele; quando nas últimas semanas já tinha largos períodos de inconsciência, debaixo daquela letargia que lhe proporcionavam os tão apregoados cuidados paliativos, ( dá-me vontade de aplicar em vida activa aquela receita aos estridentes técnicos, uma delas pelo menos, que aparece sempre na TV e acha que com aquilo resolvem tudo, o diabo que a carregue mais a sua receita) ; tinha outras alturas de plena consciência, apesar de cego e de não conseguir falar - dei-lhe a minha mão, disse-lhe quem era, perguntei se sabia quem eu era e ele apertou a mão longo tempo e deixou cair uma lágrima pela face abaixo. Quem fica indiferente a este sofrimento, semana após semana ? Se eu não fosse já acérrimo defensor da eutanásia, com todos os cuidados e regulamentos que deve ter, estes anos de acompanhar o GRT bastavam para me convencer,
Gonçalo Ribeiro Telles, sempre enquanto tivermos um sopro de vida !!
2 - O perigo mundial dos EUA
Os EUA sob a presidência de Trump constituem um enorme risco para a segurança mundial; e como já tem sido dito por muita gente, o pior nem é o próprio Trump, se bem que da mão dele podem sair actos de grande perigo para a paz no mundo, O pior são os 70 milhões de americanos que votaram nele e o suportam nos imensos disparates que faz e diz todos os dias.
Estas cenas caricatas de estar dentro da casa Branca, a negar o resultado das eleições e a mudar o visual do cabelo do louro cor de cenoura para o grisalho natural, para mim não passam de tentativas de atrair sobre ele as atenções dos imbecis capazes de o ajudarem a manter a situação estupidamente equívoca de que ganhou e não vai sair lá de dentro.
Os discursos do Joe Biden e o da Vice foram reconfortantes, e com eles pode ser que volte a tranquilidade ao mundo que é tão afectado pelas medidas que os EUA tomarem.
3 . O PSD e o Chega - como se pode descer tão baixo?
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
Assim vão os anacronismos deste mundo...
Lá pela América - Estes dias de contagem de votos nos EUA revelam como é falsa a ideia de uma velha e estabilizada democracia, exemplo para todas as outras. Exemplo uma ova !
Como é possível considerar exemplar uma democracia que, para eleger o Presidente, não conta a regra democrática de um homem um voto, antes a opinião de milhões de cidadãos se esvai num colégio eleitoral ainda por cima repartido de forma desleal pelos diferentes Estados, pois mesmo que existam votos a favor de um candidato, quem tiver mais arrecada tudo !? Já nas anteriores eleições a Clinton teve mais votos que Trump...mas perdeu - isto é aceitável?
Como é possível considerar independente e exemplar uma democracia em que os juízes membros do Supremo Tribunal decidem quem ganha ou perde conforme estiver na presidência desse Tribunal um juiz favorável a este ou àquele candidato ?!
Como é possível que um Partido, neste caso com a responsabilidade do Partido Republicano, se deixe aprisionar por um sujeito que qualquer pessoa bem formada não tolera, mentiroso, raivoso, prepotente, capaz das maiores pulhices, sem educação cívica e política !? É ridícula, e basta por si mesma, esta situação de num Estado os apoiantes de Trump estarem a pedir na rua que não parem a contagem dos votos e no outro Estado estarem a clamar para pararem a contagem dos votos ?! Parece uma comédia barata demais para ser verdade - mas é verdade.
O islão no seu pior
Em França várias vezes, agora em Viena, sucedem-se os atentados horrendos contra cidadãos indefesos por uns marginais extremistas islâmicos que mata e decapitam as pessoas aos gritos de Ala é grande como se estivessem nas suas terras a combater infiéis.
Começa-se por estranhar - ou talvez não - que os Governos dos países islâmicos não venham de forma clara denunciar os crimes praticados em nome da sua religião - e percebe-se porque, por exemplo dos Emiratos como Dubai ou Abu Dabi, nas praias e hotéis os turistas andam à ocidental, as mulheres de biquini, sem qualquer repressão das autoridades que o promovem até para terem mais turismo -não seria de os extremistas começarem por combater os infiéis nos seus próprios países ? É que nem lá entram...
Os países ocidentais têm de se deixar de democracia nas relações com os Estados islâmicos, com as coisas muito bem definidas - quem emigra para um país obriga-se a respeitar as regras, o estilo de vida, a religião e todas as formas de civilização do país que escolhem. Se a emigração é um direito dos homens, ela tem que ser regulada por regras, e é mais que altura dos países ocidentais imporem restrições a quem não oferece garantia de integração. As religiões foram sempre responsáveis por estas situações de extremismo, já o fizeram os cristãos mas numa época em que essas práticas condenáveis faziam parte da maneira de ser. Hoje não ! Avançamos muitos séculos sobre a barbárie dos cruzados e das purgas da Inquisição. Agora é tempo de exigirmos a todo o mundo que cada macaco fica no seu galho se não gosta do galho do parceiro.
A ONU devia iniciar um processo em que os países de origem de emigrantes criminosos sejam obrigados a receber os sujeitos que forem recambiados para os seus países de origem - claro que cada um quer ver-se livre desses energúmenos, mas que tratem deles à maneira islâmica...
Eu até acredito que o Islão pode ser uma religião de paz, embora tenha na sua essência o proselitismo militante, como têm o missionarismo cristão ou o lamaísmo budista, qualquer um destes dois sem provas de serem violentos. Lemos Mohammed Arkoun, eminente filósofo e docente argelino e acreditamos que o Islão pode ser uma religião fortemente humanista - mas os governos dos países que assumem a religião como matéria de Estado estão a atrasar a evolução da religião para aquilo que outras religiões - cristianismo, judaísmo, hinduísmo- conseguiram que foi separar o Estado das igrejas, César e Deus podem ser amigos mas não se fundem. Mas os países não islâmicos têm fortíssimas responsabilidade pois calam ou apenas fingem que protestam porque lá vem atrás os grandes interesses dos recursos naturais, do negócio financeiro internacional, da interdependência das economias - e tudo isso pesa mais que a felicidade dos povos...
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
Hoje
Vou escrever o que tem sido dito e escrito em vários tons e meios de comunicação social - hoje joga-se em larga medida a continuidade da nossa civilização ocidental. Trump pode ganhar as eleições nos EUA. Mas mesmo que eventualmente as perca, o mais grave é a existência dos milhões que votam nele e significam metade ou mais de metade da população da maior potencia ocidental. A esperança numa mudança das políticas mundiais, depois da pandemia ter revelado as consequências da globalização liberal das últimas décadas , vai esvair-se com a influência que um regime trumpista terá nos nacionalismos e fascismos nacionais um pouco por todo o mundo. De pouco vai valer alguma união que ainda se note entre a maioria dos países europeus, porque também em muitos deles a subida das avalanches de extrema direita vai ´baralhar tudo.
domingo, 1 de novembro de 2020
Estes tempos que vivemos
As nossas gerações estão a viver algo que acontece de vez em quando neste mundo, uma pandemia.
Para os mais velhos é um risco maior de morte, mas para os mais novos vai marca-los profundamente, pois alterou hábitos e rotinas, transtornando a percepção de valores essenciais ao crescimento da mentalidade, abrindo brechas na formação e na informação de vastas camadas da juventude. É preocupante.
Com a crise social e económica que segue por arrasto a crise sanitária, o mundo está numa altura crucial que pode produzir ou uma nova visão do futuro, da vida, da forma de viver em democracia mais exigente, ou então um desvio civilizacional terrível em termos da Humanidade. A seguir à última pandemia de 1917 seguiram-se anos de pobreza e desgoverno, passou-se pela grande depressão dos EUA, formaram-se par a par os comunismos asfixiantes das liberdades e os ainda piores regimes fascistas europeus, os nacionalismos japonês e chinês, enfim, um tempo de confrontação implacável. Na altura da grande depressão os EUA salvaram o descalabro com a intervenção de um grande Presidente, Roosevelt, que aplicou a receita keinesiana de atirar milhões de apoio público para a economia, o que só um Estado forte pode fazer: ao travar a depressão americana aliviou - a também nos países europeus que tinham com os EUA, como hoje tem, forte dependência económica e ideológica.
A diferença hoje é que temos como Presidente dos EUA um perigoso charlatão, mentiroso, arruaceiro, senhor dos piores valores éticos que um político pode ter e ainda mais relevantes com a posição que ele tem.
As eleições daqui a dois dias são assim um ponto do fio da navalha em que está todo o mundo.