quinta-feira, 24 de setembro de 2020

 O estado das coisas

O estado a que chegou o Estado - A dimensão do Estado tem sido alvo de degradação nas últimas décadas, por diversas razões :  por motivações ideológicas e por falta de qualidade e eficiência da Administração Pública. Os partidos  do Pode, todos, têm deixado degradar  propositadamente a Função Pública e através do sub-reptício processo erosivo : pelo abaixamento da qualidade dos dirigentes. Garotos e garotas em geral com estadias nas Jotas, sem prática da vida, entram para adjuntos e assessores de gabinetes governamentais, vão subindo, chegam a chefes de  gabinete e num salto são nomeados Secretários de Estado. Isto já é mau,  serão decisores que a maior parte das vezes conhecem Lisboa ou o Porto e...arredores, o resto do País é paisagem. E mesmo tendo sido bons académicos nas Universidades, não têm prática da vida profissional nem sabem como encarar os graves problemas que os enfrentam. Pior então é na nomeação de Directores Gerais  e Directores de Serviço ou Presidentes de Institutos e outros órgãos - são esses que vão orientar ou desorientar,  incentivar ou desincentivar, toda a Função Pública. Os funcionários já são em grande maioria de meia idade ou pior, falta-lhes a paciência para aturar os garotos que lhes dão ordens.  Nos concursos para promoção nas carreiras os atropelos são frequentes, quem tem influências lá dentro passa à frente de outros mais qualificados, pois torna-se decisiva a "prova oral", ou seja a conversa com o candidato, onde se pode facilmente dar a volta a quem se apresenta. Não há mais casos em tribunal porque a maioria dos funcionários não tem posses nem suporte para colocar as questões na justiça. Esta é a triste realidade.

Depois há  a teoria neoliberal que à esquerda ( será esquerda ?) e à direita diz que temos trabalhadores a mais no Estado. Segundo dados do INE serão 13,1% os trabalhadores da função pública, quando a média europeia anda pelos 17%. Quer dizer que há países com muito mais que os 17%.

Ora mais 3 a 4%  que tivéssemos na Administração Pública daria para repor no SNS os efectivos capazes de  completarem as enormes faltas de hoje, serviam para colocar efectivos na Justiça, nas escolas e nas políticas florestais, agrícolas e ambientais de que ninguém fala embora  sejam politicas nacionais de sustentabilidade do país como um todo equilibrado.

A Administração Pública hoje está envelhecida, desmotivada, inoperante e apenas uma minoria de pessoas mais dedicadas ainda faz com que os Serviços vão funcionando. Muitas Repartições são antros de manter pessoal a ver a internet, a falar com amigos, a fazer tudo menos o trabalho a tempo e horas.

Ainda há Serviços em que trabalhar mesmo e duramente, e no SNS isso tem sido heróico sobretudo desde que existe a pandemia; e nas escolas muita gente dá o corpo ao manifesto porque sente que os alunos precisam de ser atendidos e servidos.

Para quando um Governo socialista honesto,  que faça jus ao seu designativo e dê ao serviço público a eficácia que ele merece - e que os portugueses merecem?  Quem põe fim ao clientelismo, à escandalosa nomeação de amigos e familiares para lugares públicos? Que politica de esquerda faria o PS sem as exigências do BE e  do PCP para conquistas sociais ? Apesar das exigências neoliberais da UE a geringonça  demonstrou que se pode fazer alguma coisa diferente - mas em políticas ambientais, agrícolas e florestais tem sido um descalabro completo  e nem os partidos de esquerda são capazes de o reivindicar nem o PS, que nunca foi ambientalista, é capaz de dar corpo a uma sustentabilidade   inequívoca para o território, sempre com cedências vergonhosas ao mercado e aos interesses financeiros e especulativos como no exemplar e afrontoso caso do aeroporto para o Montijo ou na exploração mineira, etc.

Gonçalo Ribeiro Telles

Em 3 de Setembro de 2018, em casa do Gonçalo, escrevi estas notas no meu livrinho de bolso,  depois de ele me ter dito em surdina : para morrer tenho de passar por isto?

"Não vale a pena viver assim, ser uma sombra pálida, perder o viço, perder o intelecto - ficar preso às coisas mais banais.

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Olhos semi cerrados, quase cego, entre bocejos. Uma vida grande, enorme. tornada nesta letargia! Não vale a pena!  Que grande lição para mim e que grande dor e constrangimento ! Assim não !! "

Dois anos depois o cenário só se agravou - e de que maneira ! Na dormência quase permanente, na cegueira  completa, no resfolegar, é a imagem que há tempos aqui escrevi do leão moribundo. 

A tragédia do Tibete

A anunciada escravatura que milhares de tibetanos dos meios rurais estão há anos a ser sujeitos, removidos para trabalharem na China, é revoltante.

Quando eu estive no Tibete , já lá vão uns bons pares de anos, já me indignou   a ocupação pelos chineses do bens e recursos tibetanos, a implantação forçada de chineses que ocupavam lojas, serviços, tudo quanto antes era apenas do povo local. Era afrontosa a destruição de património tibetano, vindo já desde a escandalosa Revolução Cultural, destruindo e danificando templos, stupas, etc; destruição de bairros inteiros de arquitectura tibetana e sua substituição por casas de tipo caserna com azulejos  que são um horror urbanístico e paisagístico.

Fiz uma jura de nunca mais voltar ao Tibete embora houvesse ainda  tanta coisa que gostaria de visitar; indigna-me  a proibição do velho e sábio Dalai Lama  poder regressar à sua terra, acusado de ser terrorista só por defender a autonomia do País por meios pacíficos - se há, ao menos em teoria, dois sistemas com a pseudo autonomia de Macau e Hong Kong, porque será que essa situação não poderás ser aplicada ao velho pais dos Himalaias, mais velho civilizacionalmente que a própria China ? Houve tibetanos que foram Imperadores da China, nunca houve nenhum chinês que tivesse sido Governante do Tibete - a História dói...








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