domingo, 26 de maio de 2024

Há quase um mês que não escrevo uma linha no blogue, vida agitada e problemas de saúde, mas vamos andando,  Vou agora recomeçar este depósito de memórias, eu escrevo isto para mim mesmo, mas se alguém  ler  não afecta aquilo que pretendo escrever.

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Coisas a repensar

Andou toda a comunicação social envolvida nos  disparates que Marcelo Rebelo de Sousa, que até é o nosso Presidente da Republica,  tem andado por aí a dizer. O mais sério é sobre eventuais  compensações  às antigas colónias por danos ou outros malefícios que tenhamos cometido enquanto potência colonial.

Que fique bem claro, eu sou anti-colonialista, sou o mais ferrenho anti-escravatura -mas as coisas têm que ser esclarecidas  sem extremismos nem excessos de nacionalismo ou, pelo contrário, sem excesso de aceitar culpas. O colonialismo foi um período histórico para Portugal e os outros países europeus, não cometemos mais atrocidades que todos os outros, então os espanhóis fizeram grandes barbaridades - só que todos esses países descolonizaram em pleno século XX  e nós, não. E no entanto demos o exemplo no século XIX com a independência do Brasil.  

O lado criminoso do nosso colonialismo  surge com Salazar e as suas "províncias ultramarinas", negando o direito às colónias à sua independência -  uma saloiíce estúpida e atrasada que só podia ter vindo duma mentalidade congelada no tempo como era a do ditador português. E tantos milhares, como eu, batemos com as costas em África numa guerra sem qualquer justificação- e tantos morreram por isso sem saberem porquê..

Colonos e colonizados existem desde que o homem é homem em sociedade; para falar só do chamado Ocidente, nos nossos inícios de Grécia  e Roma ambas tiveram colónias e ocuparam territórios de outros povos, antes deles os fenícios fizeram o mesmo.  Historicamente foi um processo de expansão dos povos -  e com a abertura de ideias dada pelo  Renascimento os portugueses iniciaram as suas navegações e, é verdade,  deram "novos mundos ao mundo", sem qualquer carácter pejorativo. Graças aos avanços científicos e tecnológicos conseguimos ir a terras e povos que, claro, já existiam mas de  que o mundo ocidental de então não tinha cabal conhecimento, "descobrimos"  porque fomos até lá - não foram eles,  esses povos africanos e asiáticos, que vieram até cá. Não se pode hoje negar o que foi essa epopeia  tantos séculos atrás.

O que nós devemos comemorar não são tanto os "descobrimentos" em si , foram antes as nossas navegações, o nosso contributo para se navegar para lá da "costa à vista" ; e não fomos  só para África e Ásia, fomos para as Américas, pouco se fala das nossas idas ( sem sucesso de retorno, é verdade) para o Canadá.

Temos de repetir o aforismo de que não se pode julgar a História com os olhos de hoje, o que era natural e aceitável deixou de  ser - verdade de La Palice, não ?

A escravatura foi uma prática mundial e aceite pelas regras de todos os povos e países, Karl  Marx estudou-a e coloca-a como uma fase do desenvolvimento da economia. Todos os povos e todas  as religiões  conviveram  e praticaram a escravatura, muito antes da nossa herança grega e romana - chineses e  japoneses,  Istão, Cristianismo   e animistas, todos aceitaram e negociaram a escravatura.

Vou contar a minha experiência : certa vez estava na ilha de Gorea, em frente a Dakar, no Museu da Escravatura, apenas dois portugueses  - eu e minha mulher-  num grupo de franceses; o cicerone falava dos escravos e apenas nomeava os portugueses. No fim pedi a palavra e no  meu francês arrevesado, disse-lhe que ali no salão estava um painel com os nomes dos principais negreiros que iam à ilha, eram ingleses, holandeses, franceses e nenhum nome português.  E havia outro painel com os nomes das principais figuras históricas que visitaram a ilha e ...eram só portugueses, desde Pedro Álvares Cabral ate á Dª. Maria quando vinha do Brasil para ser rainha em Portugal. Atrapalhado o homem  disse que os portugueses  era pequenos negociantes e não ficou nenhum nome em especial, mas por outro lado só  alguns portugueses que ficaram na História é que se abeiravam daquela ilha.

 Então eu saí-me com uma que deixou o pessoal todo estupefacto, quando lhe disse: as caravelas portuguesas que chegavam às praias para embarcar escravos, não desembarcavam  tropas que invadissem o território e arrebanhassem os escravos,  nada disso - eram os chefes das aldeias que os traziam acorrentados e os vendiam aos negreiros. Nunca vi até hoje nenhum chefe ou político africano pedir desculpa aos seus povos  por terem vendido os seus irmãos, séculos atrás. O homem ficou embatucado e nem respondeu. Claro que também houve algumas investidas terra dentro mais tarde quando já dominávamos as colónias, e fizemos escravos; claro que nós fomos grandes traficantes, levámos  milhares de seres humanos para  as Américas, mas era a prática histórica, os holandeses fizeram o mesmo atrás de nós,  os espanhóis ainda pior, 

Mas os gregos e os romanos pedem desculpa por, na sua altura própria. terem feito escravos? Os muçulmanos alguma vez pediram desculpa pela escravatura que praticaram durante séculos até quase aos nossos dias ? 

O espólio cultural que existe por cá, possivelmente algum dele, ao longo dos séculos,  foi trazido muito dele sem compra ou comprado ao desbarato. Eu estive em Angola na guerra colonial, não se roubavam obras de arte, como as esculturas, aos seus proprietários ou artesãos , eram comprados. Isto não exclui que tenha havido abusos - talvez seja possível em alguns casos apurar a verdade.

Mas nestes 50 anos desde a independência das antigas colónias nunca houve da parte de qualquer delas, mesmo quando tinham governos declaradamente comunistas, qualquer reivindicação, e as relações dos povos connosco sempre foram as melhores - e isto apesar da estúpida guerra que travámos durante tantos anos. Estiveram cá este ano de 2024 os Presidentes das antigas colónias a festejar o 25 de Abril e nenhum deles se referiu minimamente a qualquer reclamação.

Eu andei alguns anos  em trabalho pela Guiné e sempre fui recebido como amigo pelas pessoas e pelos chefes das aldeias, os administradores dos Concelhos faziam uma festa quando eu os ia cumprimentar. Nunca senti a mínima animosidade e sei de tantos técnicos e cientistas que passaram  anos e anos por lá nas melhores das disposições de quem os recebia e ainda recebe. E S.Tome  e Cabo Verde são realidades diferentes das outras colónias.

Por isso  foi extemporâneo que o Marcelo tivesse vindo falar no assunto e nesta altura; claro que propor uma política de facilidade de vistos ou até abolição em alguns casos, o apoio a programas internacionais de ajuda económica, é uma coisa, mas falar em reparação da forma em que ele falou foi um mero  golpe de (mau) teatro para parecer progressista - coisa que ele não é. Pronto!





quinta-feira, 25 de abril de 2024

 Não esquecer

Neste dia devem ser evocados os últimos mortos pela PIDE, pelos tiros disparados da sede para os cidadãos que estavam na rua. Cobardes até ao fim. Não esquecer essas últimas vítimas do velho e nojento Estado Novo

25 de  Abril de 1974 - há 50 anos

Aquele dia em que tudo mudou. Foram 50 anos de prática democrática impensável quando eu já  ia nos meus  30 anos de idade... 

E para ilustrar as incongruências que se multiplicaram ao longo destes anos, estamos agora com um Presidente da Republica totalmente pateta, incapaz  de saber estar no seu lugar. Passou-se...

E recordarei sempre aqueles meses magníficos do chamado PREC que eu tive o privilégio de viver nas ruas de Lisboa - as dores de um parto difícil, sem medo nem constrangimentos, 

segunda-feira, 15 de abril de 2024

 É demasiado evidente...

Estamos a assistir a uma  avalanche mundial das direitas, onde a direita democrática é nitidamente comida pelos vorazes paladinos do saudosismo, do quero posso e mando - como é que há tantas pessoas que em vez de um  regime em que podem discutir e viver  de acordo com o que cada um pensa, preferem ser mandados e falarem sob a batuta do maestro que os domina? Como é que se explica esta degenerescência  da vontade individual?

Àquela edição dum livro dedicado à família, com textos onde se misturam pessoas em princípio de raiz democrática mas conservadora, com outras que representam o mais arreigado atraso cultural e social, seguiu-se outro livro ainda mais incrível escrito por escribas a soldo do retrocesso ao 24 de Abril de 74, gente que anda por aí a usufruir desta liberdade para depois a destruir.

Eu nem publicito os livros para não contribuir para o seu conhecimento - aqui estou eu a cometer um acto de censura da minha parte, é certo, mas recuso liminarmente contribuir para o  avanço desta onda de direita reacionária.

Passos  Coelho ai está, como já se previa, ao ataque e à frente da direita mais  reacionária - que mundo vamos ter com esta avalanche depois da vitória ( quase certa) de Trump nos EUA? Que vai ser da Ucrânia e da Palestina?  Já se reparou como a China, qual coruja  silenciosa que mira do alto de um galho, se apronta para subir na cotação mundial?

Eu quero crer que mais uma vez a Europa, coração das liberdades liberais, vai poder guardar o essencial da herança que começou no Renascimento, depois no Iluminismo  e nas mentes de Diderot e dos outros pensadores  do Estado Moderno - porque a vontade geral apontada por Rousseau pode ser atacada periodicamente, mas permanecerá como matriz do Ocidente.

Talvez venha a escrever qualquer coisa sobre  estas tretas mais ou menos filosóficas...




domingo, 14 de abril de 2024

 Estamos num ciclo de grandes mudanças...

Quando parece que as coisas se vão compondo no mundo, irrompem aqui  e ali situações gravíssimas que comprometem a continuidade da paz - e sem a paz todas as loucuras são possíveis e como que se atraem umas às outras.

Depois é revoltante a hipocrisia dos Governos, e quanto maiores e mais poderosos pior.

Estamos a assistir a mais uma crise provocada em volta de Israel - e ia mesmo a dizer provocada por Israel - porque quando estes sionistas não fazem aparentemente nada de espectacular, eles estão diariamente a entrar nos territórios palestinos, constroem sem cerimónia novos colonatos nas terras que não são suas e de repente, quando há um excesso de barbárie dos islamistas extremistas, que não têm capacidade  de controlar os seus activistas ( nem vontade para o fazer) pois as violências sobre o povo que ali habita são diárias, tudo descamba para uma guerra do mais sujo que a Humanidade é capaz de urdir.

E todos os países sabem disso, desde os árabes a todo  Ocidente e a todo o mundo, afinal,  com particular relevância para os EUA que  protegem todas as investidas judaicas. Lá estão estas  palavras a parecerem  anti-semitas , mas eu sou tão anti judeu como anti islão ou anti cristão - culpa as tres religiões pelos muitos  males que ocorrem no Mundo desde há mais de 2 mil anos. 

Nestes dias está tudo a cair em cima do Irão por  ter enviado  misseis ou drones num ataque a Israel - mas não se viu o mesmo alarido quando Israel atacou uma instalação diplomática do Irão na capital de um terceiro país, matando sete pessoas dessa missão iraniana. Então depois de uma vergonha destas  alguém esperava que  o Irão ficasse de braços cruzados? Uma provocação daquele calibre apenas mereceu censuras fofinhas contra Israel: vá lá, não façam coisas dessas.

Nem me apetece  registar mais nada.

O Governo em Portugal

É tão anedótico este arranque do governo da direita, que enfastia. Agora ponham-se a pau que a direita a sério vem aí, ao primeiro grande tropeço do pateta do  "Montepreto", o Passos Coelho aí estará a dar cartas e  a levar o PSD ao colo com  os chegas e toda a ralé  direitista. Estejamos atentos e com paciência - paciência  porque estamos a pagar as asneiras cometidas pelo PS em anos seguidos, pondo em causa a ética republicana e o exemplo que a social democracia  devia dar aos povos de todo o mundo.

E o PSD que deixe de invocar a memória de Sá Carneiro, pois o PPD nada tinha a  ver com esta ideologia hoje praticada; todas  as ideologia democráticas foram progressivamente infectadas pelo vírus neo liberal  como diz o guru Fukuyama ninguém foge para sempre ao liberalismo este volta. Eu costumo dizer que é como a hidra, quando lhe cortavam uma cabeça nasciam logo outras...

Com esta subida da direita menos ou nada democrática estamos  a entrar na "modernidade", pois países onde seria inconcebível aqui há uma dez anos atrás termos a direita extremista no poder, lá  está agora. São ciclos das civilizações,


sábado, 30 de março de 2024

 Envelhecer

Não haja dúvida que envelhecer é tramado, não me venham  com  as tretas de que um velho é uma biblioteca, de que as recordações nos fazem viver, etc -  pois que remédio senão ter recordações, pois só se perdem com a alzheimer ou outra degenerescência aviltante!! E entretanto vão chegando maleitas, complicações, desconforto.

E a idade dá-nos para ir assistindo ao descambar deste mundo para uma situação de indescritível caos planetário, climático, civilizacional, situações que dificilmente encaixam no sentido de inteligência que seria de supor os homens desenvolverem.

Temos o mundo todo em guerra, até na Europa onde a besta do Putin não pára de aumentar o despotismo do seu regime - pobre povo russo que nunca conheceu outra sorte, talvez por isso já nem se mexa. Há por lá  uns "tontos" que têm a mania de serem democratas como naquele despudorado Ocidente e pagam com a prisão ou com a vida essa mania- sai-lhes cara a mania.

Por cá até a democracia começa a enjoar a muitos. Eu pasmo, com  pessoas com cultura e aparentemente com inteligência, que acreditam nos "chegas" e nas baboseiras dum bando de oportunistas que enchem as parangonas dos jornais e Tvs. 

Em todo o mundo surgem estes movimentos de extrema direita que, no entanto,  "jornalistas" fofinhos dizem que não são radicais,  são apenas de extrema direita "democrática" - nós, os da "esquerda" é que estamos formatados  pelo radicalismo. Atão não querem lá ver?

Será mais um ciclo da vida dos homens, que depois de anos de paz e abundância relativa, sucumbiram perante a corrupção, o compadrio,  a partidarite cerrada, tudo coisas que desvalorizam  a democracia. Surgem então os donos da verdade, com as  suas promessas de pacificação e retorno a uma vida correcta que no fundo significa apenas a abertura de um novo ciclo para novos "fregueses" chegarem ao pote!!

E pessoas que nós conhecemos há décadas, que são inteligentes mas certamente agarrados a problemas do foro íntimo que desconhecemos, aderem a estes novos propagandistas da verdade radical, onde a força impera e a liberdade passa para segundo ou terceiro lugar da  vida colectiva.

50 anos depois do Abril de 74 é triste ver que estamos no caminho da normalização duma direita radical que, se puder, anula tudo o que Abril de 74 nos trouxe. 

Estejamos atentos.




terça-feira, 19 de março de 2024


 
Novidade

Esta foto é de uma tília do meu jardim que, uma semana antes de começarem a abrir os botões das flores,  o que aconteceu com estes dois últimos dias de temperaturas elevadas, fez rebentar um grupo de folhas que, enormes, destoam na copa vazia... Não me recordo de alguma vez isto ter acontecido, normalmente abrem os gomos a pouco e pouco e rebentam folhas por toda a copa. Novidades  deste  clima...