sábado, 17 de outubro de 2026

 

Mais uma reflexão sobre o nosso tempo...

Filósofos como José Gil dizem o que também eu, desde há muito, tenho dito e até escrevi em 2020 num  livrito "Ideologias": a História não se repete exactamente, mas  organiza-se sempre por ciclos muito parecidos. 

Estamos agora num novo ciclo de ascensão dos fascismos, que são a conclusão de processos extremos do liberalismo  capitalista.

 Depois da depressão do final da década de 20 e início dos anos 30 nasceram Mussolini,  Hitler, Franco, Salazar... Veio a seguir a Grande Guerra que acabou por repor a democracia em boa parte do mundo, com forças politicas conservadoras e da democracia cristã e a  social democracia a oferecerem as décadas de mais paz social e  desenvolvimento económico que o mundo já conheceu ! 

Agora temos os fascismos a crescerem um pouco por todo o mundo até no impensável, nos EUA . Trump é um aprendiz de ditador, fará tudo o que for possível para alterar as instituições democráticas, que até aqui têm resisitido  - veremos se em Novembro,  se perder o apoio nas eleições intercalares e deixar de  dominar as duas Câmaras,   se ele  não vem afirmar que houve ilegalidade e que as eleições foram fraudulentas - como já fez antes, quando perdeu.

A extrema direita tem crescido em grande número de países democráticos onde tal seria impensável há meia dúzia de anos, como na Holanda, na Suécia, em Itália... Até cá temos um provocador e populista mentiroso compulsivo  e facciosso  que tem beneficiado da comunicação social portuguesa  que lhe tem dado toda a publicidade.  E a gente pasma como consegue convencer tanta gente, gente que eu conheço, uns que antes até votavam no PCP ou eram militantes em partidos democráticos.

Este ciclo só vai abater quando Trump sair de cena, não tenho dúvidas disso - o seu papel na desorganização do mundo inteiro tem sido escandaloso e está a provocar a maior crise de hipocrisia a que já assistimos- própria do capitalismo mais odioso, onde tudo se compra e vende até a consciência das pessoas.

Dá para continuar...








Carta enviada ao PUBLICO e publicada a 12. Out. 026


 Não posso deixar de abordar  um dos lamentáveis aspectos da nossa actual vida social, que é um trabalho de quase escravatura.

É uma vergonha o que se está a passar com os  estrangeiros radicados no nosso  País, pois apezar de  já aqui viverem e terem aqui o seu trabalho, continuam a passar as "passas do Algarve" para recolherem nova autorização de residência.
Sobretudo  para os PALOP  e brasileiros, falantes da nossa língua e que tão indispensáveis  têm sido  - e continuarão a ser - para a nossa economia, devia haver um tratamento especial e não se compreende que tenham que passar noites inteiras dormindo na rua,  às portas da AIMA, o que não preocupa nada os populistas da nossa terra. 
Sempre  entendi que foi um erro acabar com  o SEF, e está á vista mais um resultado dessas medidas neoliberais de concentrar serviços e  reduzir o Estado para que o Estado ... seja melhor- pura falácia. 
O que se passa com os imigrantes, apesar de ser trabalho pago, é quase uma escravatura e devia envergonhar as autoridades. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

 Até que enfim...

Há um ror de tempo que não venho aqui. E entretanto tanta coisa ocorreu com interesse para deixar registado a ponto de até nem para mim ser bom! ...

Nunca registei aqui que a 17 de Abril fui homenageado com o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade do Algarve, um galardão em que fui apadrinhado pelo Prof. João Guerreiro, filho de outro velho e saudoso amigo Prof. Gomes Guerreiro; e tive o anfiteatro cheio de  gente que veio de longe e tudo!! Nem posso esquecer que vieram o velho amigo Prof. Jorge Paiva de Coimbra, que detesta viajar e veio e foi no mesmo dia,  o Vieira e o Melo Ferreira  de Lisboa, o Nuno Lecoq de Èvora, o arqº Filipe Jorge (meu editor...) que veio e  foi de aviião - enfim um salão repleto de gente que nunca poderei esquecer. Mas... esqueci de anotar no blogue...

Tem sido um desespero - e isto fica  registado -  a continuação do Percurso Ecobotanico que criei  em Querença,  pois a mudança na Presidência da Câmara M. de Loulé veio deixar pendurado o apoio financeirto que aquele Município contractou com a Fundação de Querença. Não há dinheiro para  comprar uma nova planta e muito menos para concluir as obras do Jardim- e um Jardim Botânico  como este não pode parar...

Nem sei como conseguiram apoio para a homenagem  a Lídia Jorge!!

Foram uns meses de desespero, a fazer milagres, mas falta tanto - tão pouco!- para dar ao Percurso um  aspecto digno - hoje parece abandonado, nem digo seja a quem fôr  para o visitar.

E como estou mesmo a ficar velho, é a altura das homenagens, E a 7 de Setembro, Dia do Município  de Faro, até me deram a medalha da cidade, grau ouro!! 

Já tenho homenagens que chegam, agora é altura de parar. 

E agora no sábado dia 3, mais uma vez,  tive o prazer e a honra de voltar ao convívio dos militares da minha Companhia., a CCaç 2526 que esteve em Angola naquela terrível  guerra colonial.

Apezar da velhice ainda se juntaram em Ponte de Lima 20 militares, quase todos furrieis e 2 ou 3 soldados, um até que vem sempre dos Açores, o José Rebelo. Até o Saturnino veio da Madeira, mesmo tendo a esposa com problemas de saúde.

  Grande azar foi  o Dâmaso, o único oficial, dos 4 alferes  da  Companhia, que está vivo, e que veio dos Açores para estar presente no convívio -  trouxe a esposa, Eduarda, que está gravemente afectada  e,   pouco habituado  ás estradas do continente, não conseguiu dar com a estrada para Ponte de Lima ( não se percebe bem porquê...). A Eduarda começou com sintomas  graves e ele teve de desisitir e não apareceu. 

Depois de Ponte de Lima ainda passei com a Conceição uma noite na Pousada da Caniçada, no Gerês,  e fomos depois ficar à Figueira, só para reencontrar um amigo que já não via há uns 50 anos, o António Menando, escritor, poeta, pintor, com a vida dividida entre a Figueira e Macau. Tem uma casa excelente em Buarcos, no alto da vila, com uma soberba vista sobre a Figueira e a costa. A casa é um museu, alem de ser enorme no último andar do prédio, está pejada de  obras de arte, chinesa e oriental em geral,  pinturas, mobiliário, etc. Foi um belo reencontro, fomos amigos de juventude e somos os únicos vivos do grupo do nosso tempo ( do Abel, talvez ainda vivo, não se sabe nada).

E pronto, meti a escrita em dia!!







quinta-feira, 23 de julho de 2026

 Mais um que desaparece - Luis Represas

Há sempre gente a deixar-nos, pessoas de que ouvimos falar anos a fio, que vimos e ouvimos nas rádios e Tv, mas não se regista, dentro de nós, a maior parte.

Mas desta vez é diferente - morreu Luis Represas.Ficam grandes memórias do que ele fez e sobretudo das suas músicas, TIMOR ficou como um  hino pela libertação daquele pequeno País onde se fala português.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

 Já tenho escrito que os homens de hoje -apesar de toda a fantástica caminhada  das suas capacidades  técnicas e de investigação, dominando o planeta e aventurando-se no Cosmos- continuam no fundo  os mesmos seres primitivos que guerreiam  uns com os outros pelas causas mais injustificáveis.

Nestes meados do século XXI existem guerras em diversas regiões do mundo  por meras causas de poder e domínio, e este mundo manifesta-se incapaz de matar a fome e a sede a milhões de outros seres humanos que vivem em regiões de guerra permanente -além de sofrerem as consequências  das nefastas alterações do clima que a acção humana agrava constantemente.

Se nos dissesem aqui há uns 20 anos que os EUA iam tornar-se numa potência nefasta, que põe em risco diariamentre a civilização democrática de que foram pioneiros e pela qual lutaram em guerras sucessivas,  não acreditávamos - mas está a acontecer!

O fenómeno Trump é o mais inacreditável exemplo das loucuras deste século que devia voltar a ser um século das luzes e, afinal, é um tempo de trevas. O que aquele despudorado Presidente norte americano tem andado a fazer pelo mundo, mostra bem os riscos a que estamos votados se não soubermos defender as nossas democracias. 

É evidente que foi o sionista fascista judeu que lidera Israel quem o convenceu a  meter-se nesta incrível guerra com o Irão, que resultou exactamente no oposto do que era pretendio: acabar com o regime odioso que opera na velha Pérsia, pôr fim à politica de desenvolvimento  do programa nuclear e acabar com os grupos terroristas que afectam o Médio  e o Próximo Oriente.

Nesta altura toda a economia mundial começa a sentir os resultados desta guerra com o Irão, e o estrangulamento do Estrteito de Ormuz por onde passa uma percentagem elevada de combustíveis  e não só, também de fertilizantes e cereais,  surge como uma tragédia sem fim à vista.

Ao liquidar os cabeças do regime, em vez de o fazerem sossobrar, deu azo à subida ao Poder dos mais radicais, que continuam   a enforcar pessoas todas as semanas. Quando eu andei pelo Irão, há uma dezena de anos,  embora houvesse repressão já havia, a pouco e pouco, alguma complacência com, por exemplo, as mulheres que, muitas delas,  já se arriscavam a não usarem o cabelo todo coberto - a guia que nos acompanhava era disso um exemplo. Hoje está  toda a repressão ferozmente aumentada.

E agora o estúpido do Trump - já se fala em que terá um início de doença mental -  não consegue safar-se da guerra.

Por outro lado os judeus fascistas continuam a destruir  quer Gaza quer já a Cisjordânia, já ocupam boa parte do Líbano e continuam a bombardear  Beirute. Se a guerra acabar já se sabe que o Netanahyu  tem de fugir para os braços dos EUA para não ser preso e julgado em Israel.

Cá está o antisemitismo, os judeus continuam historicamente a criar problemas e a serem renegados - mas há milhares de jdeus que não têm culpa nenhuma. Os nazis deram cabo de mais de 6 milhões de judeus, mas não foram todos os alemães - mas  ainda hoje todos pagam   e trazem o peso da consciência que os inibe de acusarem Israel.








terça-feira, 14 de julho de 2026

1 - Quanto ao relatório da Greenpeace sobre os riscos de incêndio: todos os motivos apontados são evidentes, mas continua a faltar um que é essencial : falta uma Autoridade Florestal Nacional, como eram os Serviços Florestais. É que havia nesse tempo uma quadrícula,  cobrindo  todo o território, de casas e postos de guardas florestais que fiscalizavam e limpavam a área florestal todo o ano, não apenas na época dos fogos. Hoje com as tecnologias de que se dispõe, certamente essa quadrícula utilizaria muito menos  guardas florestais. Eu fui Administrador Florestal e todos os inícios de fogo que ocorriam eram sempre atempadamente vistos por algum guarda florestal e  apagasdos - os guardas   eram o primeiro escalão de técnicos florestais, mas porque se chamavam "guardas" houve dois ministros super inteligentes, um da Agricultura que me falta o nome e outro da Administração Interna, António Costa, que num  rasgo de modernização do Estado mandaram os guardas florestais para a GNR. 
A área florestal e de matos (estes  são fundamentais para a Biodiversidade) mesmo  sendo maioritariamente privada, constitui um recurso nacional e o Estado tem obrigação de a vigiar e proteger.
Em tempos existiu o Fundo de Fomento Florestal, (também extinto...) que utilizava fundos europeus, que continuam a existir, e que arborizava os terrenos privados, mediante contrato com os proprietários- que falta faz hoje!| Temos milhares de hectares de encostas e de serras inteiras  que foram pasto de fogo nas últimas décadas e estão abandonadas; o pouco mato rasteiro de muitas delas  não suporta o solo depois das chuvas e todos  os anos  são milhões de toneladas de solos que vão parar às ribeiras e depois às albufeiras das barragens. Ninguém fala nisto nem quer saber.
Quantos países, com a percentagem de  área arborizavel que nós temos, não possui uma Autoridade Florestal Nacionbal ? O desmembramento da política do sector agro-floestal ( como é  possível?) e da política  ambiental ( em que o Ordenamento do Território passou para  outro Ministério onde se fazem as negociatas com as Autarquias e as grandes Empresas...) é considerada um acto de mocernização do Estado...  Vê-se todos os anos nos milhões gastos na Protecção Civil e nos meios aéreos privados que combatem os fogos rurais... Há sempre alguém que lucra.

terça-feira, 16 de junho de 2026

 Onde está a Europa?

Com Trump, Putin e Xi, além do Netanyahu, a fazerem o que lhes apetece, onde está a Europa? A fazer o quê?

O nosso continente continua a ser uma excelente terra para se viver - para nós vivermos- mas deisou de dar cartas ao Mundo.É preciso que a Alemanha se rearme e comece a ditar ordens para nós sentirmos que a Europa está viva? Precisamos outra vez do militarismo alemão para sentir a Europa a ser ouvida no resto do planeta?

Eu não tenho dúvidas que é da Europa que têm saído  as melhores políticas e ideias de civilidade e cultura, excusamos de fingir que não sabemos isso - é para a Europa que toda a gente quer emigrar. E o mundo actual baseado nas tecnologias que controlam tudo e todos - não faltará muito para termos o Big Brother- é um mundo que não respeita os nossos valores e as nossas particularidades. 

Ainda há estrangeiros a mudarem-se para pequenas aldeias do interior de Portugal, fugindo a esse mundo tecnológico no mau sentido - as tecnologias  se não forem regulamentadas e mantidas dentro do controle social serão os piores algozes pela sua insensibilidade e origem.