segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Apontamento político

1- A poluição do troço superior do rio Tejo é agora notícia de telejornais e primeiras páginas. Só agora, porque agora o  caso é tão preocupante e visível que , à falta de outras notícias para encher os noticiários, a poluição do rio serve muito bem!!
Já há meses atrás denunciei o pouco protagonismo, para não dizer outra coisa pior, do Ministro do Ambiente sobre a poluição na zona de Vila Velha de Ródão, pois tendo eu mesmo lá passado em meados de Outubro e visto - como qualquer pessoa podia ver -  a porcaria que corria pelo rio abaixo, uns dias depois o Ministro do Ambiente, que andou por lá, disse que não havia poluição e estava tudo controlado.
Agora vem as multas e medidas como parar a fabrica uns dias, quando em vez disso teria  de haver uma monitorização permanente por parte do Ministério, evitando situações de calamidade como a que está acontecer agora. Seja por falta de  recursos ou por falta de convicções, ou por ambas, temos um Ministro do Ambiente fora da política que devia contagiar a população,  sem manifestar entusiasmo e firmeza na defesa da ecologia no nosso território.
E  temos sempre de falar  no triste acto de ajoelhar diante da Espanha no assunto de Almaraz, quer porque as ordens do Governo fossem as de aguentar e bico calado, quer pela já denunciada pouca convicção;  O  Sr. João Pedro não reconhece o verdadeiro perigo do prolongamento da vida da central nuclear nem o que representa de ameaça a construção do Armazém para recolha de resíduos - senão convictamente te-lo-ia denunciado, nem que fosse contra a orientação do Governo - a nossa dignidade não deve ter peço!... Como escreveu o António Eloy o Sr. João Pedro declarou que Almaraz era assunto encerrado - encerrado ? essa agora!! - é um do maiores perigos que pende sobre Portugal na actualidade.
Estive há dias em Ferrel para comemorar com alguns dos que participaram na luta de mais de 40 anos, contra a energia nuclear em Portugal, e não se deixou de comparar a mobilização que naquela altura, sem telemóveis nem internet. se conseguiu  para que a população se levantasse e a apatia de hoje , só comparável à apatia da política de Ambiente, que nem um Governo de esquerda, traindo a sua obrigação,  consegue por em marcha!!

2 - Já cansa denunciar a ausência do Estado na política florestal desde que foram extintos os Serviços Florestais. Há dia referi a legítima e justificada oposição da Associação Nacional de Municípios  à orientação do Governo para que sejam as Autarquias a proceder à limpeza das matas ;  depois vem agora o mesmo indicativo para as bermas e taludes das estradas e caminhos, zonas onde começam muitos incêndios - sempre foi assim, não é de agora. Também aqui são o Estado e ainda as Autarquias  a retirarem-se das suas obrigações, quando acabaram com os cantoneiros.
E ainda vamos ver quem é que se vai encarregar da limpeza dos leitos secos e dos taludes das linhas de água, porque anteriormente eram os guarda-rios que tinham essa tarefa, e importunavam os proprietários de terras marginais para limparem as suas terras,
Quer dizer que esta deriva liberal de menos Estado para melhor Estado, que um partido dito de esquerda adopta sem rebuço, tem-se traduzido na extinção de guardas florestais, de cantoneitros e  de guarda rios, tres modestas profissões que eram fundamentais para a conservação e o ordenamento do território.
Bem sei que estas são apenas palavras que vão cair em saco roto, mas não calar é um sinal de sobrevivência !!


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

AINDA  TANCOS

Já na altura do "roubo" creio que falei do caso neste blogue.Agora que o assunto de Tancos volta à ribalta, dá-me para divagar um pouco,  mais uma vez, sobre esse assunto, porque nada se sabe sobre o que de concreto se passou e talvez nunca se venha a saber. E nunca se virá a saber porque talvez não interesse a quem engendrou o caso e a quem o teve que aguentar na opinião pública.
Por isso sem tirar conclusões, nem fazer uma teoria, vou andar ao sabor do que se foi sabendo ao longo dos primeiros tempos e quem quiser que tire a conclusão que achar mais acertada...
Primeiro ninguém acredita que o volume do material "roubado" - entre " "- tivesse saído pelo buraco que foi mostrado na rede; portanto teve de sair num carro, carregado no local, e carro esse que passou pela (in)segurança normal num quartel...
Depois, sendo o material desaparecido velho e, ao que foi dito, preparado para ser abatido, pergunta-se quem é que ia roubar um material desses se o objectivo da "operação" fosse mesmo roubar?
Ou era um ignorante - e como é que um  ignorante em matéria militar se introduz num quartel sem ser notado e pode depois efectuar todo aquele trabalho: ou quem roubou sabia o que estava a roubar de acordo com o seu objectivo, fosse ele qual fosse menos, claramente , a sua venda a terceiros.
Vem depois a forma como foi dada notícia, não apareceu num órgão de comunicação social português ou estrangeiro de grande audiência, como seria expectável, mas num jornal espanhol de que já nem sei o nome, de pequena divulgação e - falou-se na altura -ligado à direita mais extremista espanhola ( vendo isto como o comprei). Dá para perguntar : porquê ? A quem interessava que uma notícia bombástica como esta saísse sem quase se dar por ela  naquelas condições ?
Por fim, que o objectivo da "operação" não era roubar fica claro com a entrega do material num descampado "anunciado" por alguém, ainda por cima com um brinde de mais munições ( estas obtidas onde ?) E quem fez o roubo afinal sabia o que queria -  não quis roubar material moderno e eficaz que seria o mais indicado para posterior venda.
Uma bronca destas em pleno período de agitação política dos opositores da geringonça e  que contrariava o grande sucesso que o Governo estava a ter nos planos económico e social. interessa a alguém. Foi logo pedida a demissão do Ministro da Defesa que não brilha pela sagacidade política - e a  propósito das responsabilidade vou contar o meu caso (creio que o referi na altura). e que é o seguinte, também dando para tirar conclusões.
Comandei em Angola uma Companhia Independente, não tinha batalhão, dependia directamente do Brigadeiro do Sector Militar e do General Comandante Chefe da Região - era uma Companhia de intervenção. Por este motivo tinha um paiol bem carregado, Pergunto então :  se houvesse qualquer incidente com o paiol ( incêndio, assalto, roubo, etc -  o responsável pela segurança do paiol e pelo que lá acontecesse eram o Brigadeiro ou o General ( ou o Ministro de Defesa) ? Ou era eu, o Comandante da unidade a que o paiol estava entregue?
Acho que isto indicia que há mal-estar no exército, que há sectores da vida política portuguesa interessados em explorar todas as fendas, etc, etc...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A escrita do blogue esteve interrompida mais uns dias devido a problemas com a minha saúde, agora aos poucos a entrar  de novo nos eixos.O assunto é recorrente e muito sério

O Estado  continua a lavar as mãos das responsabilidades com a politica florestal


O Governo continua a lavar as mãos das responsabilidades que deve assumir e de que se quer esgueirar, quanto à execução da politica florestal.  A tal grande Reforma que o Ministro da Agricultura apregoa aos quatro ventos, vai-se materializando em  etapas que são de sucessiva passagem de responsabilidades para outras  entidades, e agora é a também já condenada municipalização da politica florestal.
A ANMP  rejeita que o Governo passe para as Autarquias os encargos e responsabilidades de  limpeza e gestão das matas . que eram - sempre foram -  as tarefas que incumbiram durante muitas décadas aos Serviços Florestais, O Ministro da Agricultura não gosta dos florestais, dos silvicultores, não gosta dos guardas florestais mas eles com as suas vigilâncias e actuações junto dos proprietários impediam o desenvolvimento do incêndios - e até parece que o importante é que haja grandes incêndios que dêem ocupação aos meios aéreos privados que ganham milhões com estas campanhas anuais, certas e cada vez de maiores dimensões.... Quando os Serviços Florestais estavam implantados no terreno, como acontece em todos os países do mundo,  os fogos não adquiriam tanta dimensão nem eram tantos,,,
O projecto de Regime Excepcional das Redes Secundárias  de Faixas de Gestão  de Combustível  é um estratagema para atribuir palavras sonantes a um aspecto trivial do ordenamento das florestas (como é o ridículo nome  dado às cabras sapadoras) e o Governo quer que passe de tarefa dos guardas florestais e dos sapadores para ser mais uma tarefa das autarquias  ;  cada autarquia vai encarregar-se de limpar as suas áreas dentro do seu PDM  e não há coordenação nenhuma com as demais autarquias que venham a ter  a mesma tarefa, É evidente para todos aqueles que pensam estes problemas pela a sua cabeça  e estão  livres de interesses espúrios,  que o que se impõe é que seja  a tal Autoridade Florestal Nacional a assumir este trabalho, porque é a ela que compete , e então depois que   partilhe com as autarquias alguns encargos  e alguns trabalhos  -  mas sempre coordenados regional e nacionalmente. Não se percebe que o Senhor Primeiro Ministro que tem enfrentado com nobreza e determinação esta situação gravíssima dos incêndios . ainda não tenha querido convencer-se de que as reformas florestais e outras tretas que estão a tentar "vender" como as melhores políticas, serão um desastre e apenas formas diferentes de distribuir jobbs para muitos boys, Não há ninguém que faça ver ao Primeiro Ministro que enquanto não se institucionalizar uma Autoridade Florestal Nacional não se consegue resolver a eficácia e a orientação definitiva da polítíca florestal. 
Este caos foi orquestrado ao longo de décadas e finalizado pelo Governo de direita de CDS/PSD  mas que o actual Governo, que se diz de esquerda, não foi capaz de reverter porque...lhe convém e aos interesses que estão por trás da gestão  da área florestal e dos meios florestais, Já  dizia o João de Deus " dinheiro, é tão lindo o manganão.,,,!
A ANMP não  aceite que o Governo atire para as autarquias o ónus destas tarefas que competem em todo o mundo,   ao próprio Estado, Ainda vamos voltar a estas coisas muito mais vezes e ajuizar as asneiras que  resultam deste experimentalismo do Ministério da Agricultura só para não dar o braço a torcer  e voltar a instituir a Autoridade Florestal Nacional - vá lá, Senhor Ministro, faça  esta grande medida e depois deixe o Governo e vá descansar;  e permitir que outros mais novos e mais envolvidos na resolução actual das situações difíceis possam surgir da sombra em que tem vegetado .
As autarquias de todos os quadrantes politicos dizem não ao experimentalismo do Ministro da Agricultura e Florestas ( de florestas não percebe mesmo nada, até aflige!,,,) Basta !!, mudem o Ministro e metam gente nova e capaz!! Pum !!


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A tragédia da Catalunha

Em Outubro passado não deixei de falar na "tragédia" da Catalunha porque quando assistimos a um povo ser violentado na sua alma e  ser aviltado nos seus propósitos  de liberdade, é sempre de  uma tragédia que se trata. Sucedem-se os actos dessa tragédia e por muito que possamos atribuir erros de estratégia aos independentistas,  nada se compara com a  acção de força  e de vilipêndio do governo de Castela. 
Choca-me a indiferença com que os portugueses olham para o desenrolar desta luta dos catalães; admito que a hipocrisia da política e o domínio dos negócios e das politicas internacionais forcem as Autoridades portuguesas a calarem o que deviam proclamar, continuando a dizer baixinho (mesmo assim de forma audível demais...) que o problema catalão deve ser resolvido de acordo com a Constituição espanhola. 
Mas o povo português esse continua calado, ninguém se acha motivado para apoiar a luta dos catalães pela sua independência. É uma indiferença que, acho eu,  diz muito sobre os sentimentos e o egoísmo das sociedades europeia e portuguesa face ao que passa para lá das nossas fronteiras e, no caso português,  mesmo que tenha tanto a ver com a nossa própria sorte como é o caso da Catalunha.
Há dias numa das suas crónicas no Publico, Miguel Esteves Cardoso escrevia que " é triste quando uma nação depende inteiramente doutra"; e  mais à frente  "o resultado das eleições na Catalunha foi mais uma bela lição de liberdade, inteligência e democracia que o povo catalão deu a um mundo casmurro e reumático que é incapaz de perceber a independência da Catalunha como um gesto de libertação e de fraternidade".
Dos povos peninsulares só os portugueses conseguiram libertar-se, travando guerras ao longo dos séculos, e em 1640   foi graças ao levantamento simultâneo de Lisboa e de Barcelona que nós conseguimos a independência, numa guerra de mais de 20 anos, Ainda no séc. XX. é sempre bom recordar, o ditador Franco conseguiu eliminar mais uma vez a independência da Republica da Catalunha e fez "negocio>" com Hitler para, em caso de vitória, voltar a anexar Portugal.         Castela basta !!
O máximo da  hipocrisia é pois dizer-se que o problema da Catalunha tem que ser resolvido no quadro da Constituição  da Espanha, quando é claro que tal não está lá previsto e portanto não é possível!...
A única solução é a que consta no art.7º da Constituição Portuguesa no qual Portugal  condena o imperialismo,  o colonialismo e quaisquer outras formas  de agressão, domínio e exploração. E no nº3 do mesmo artigo está lá bem explícito:"Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de repressão".
Lá que o Governo e o Presidente da Republica tenham de guardar silêncio diplomático, e que a União Europeia se cale por subserviência ao governo de Madrid, é uma perspectiva do problema na sua componente de hipocrisia  e de  luta de interesses; agora noutra perspectiva,  os povos, as pessoas conscientes, individualmente e colectivamente em grupos de pressão. portugueses, flamengos, holandeses, escoceses, os nórdicos (que tanto apoiaram os movimentos independentistas) - ninguém toma posição publica a favor dos catalães!! É uma vergonha e insere-se na perda de valores em que esta sociedade mercantilista e consumidora se tornou.
E deixemos de falar de Espanha, falemos sim de Castela e dos outros povos submetidos. 
 Mas a farsa imposta por Madrid vai continuar. como continuar vai a presença de presos políticos num  país supostamente democrático da suposta democrática União Europeia... Até quando tanta hipocrisia ?!!




sábado, 13 de janeiro de 2018

Apontamento politico


1 - O PSD está neste momento a escolher o seu novo lidere, entre Santana Lopes e Rui Rio. Como dizia há dias Miguel Relvas, com a falta de "sentido da conveniência" que se lhe conhece. será um líder para dois anos,  pois é por demais plausível que António Costa volte a ganhar as eleições de 2019.
O que mais se estranha, para quem como eu não sabe nada do interior do PSD, é que um partido com a importância deste não consiga renovar as suas figuras principais e que num momento destes, em que o PSD continua sem conseguir engolir o sapo vivo da estratégia do PS e da esquerda para governar o País, depois da prestação de Passos Coelho. só apareçam a disputar a liderança duas figuras do passado, qual delas a mais "incompleta" para o lugar de primeiro Ministro que, no fundo, o PSD almeja.
Santana Lopes pensa que o País e os seus correlegionários ( ou uma boa parte deles) se esquecem da palhaçada que foi a sua passagem episódica como Primeiro Ministro, onde revelou total inaptidão para um cargo de tanta responsabilidade.
Rui Rio foi um bom Presidente da Câmara no Porto no que respeita a ter posto as contas em dia e a governar o dia-a-dia, mas em aspectos fundamentais como o social e o cultural deixou a Cidade Invicta na penúria - o êxito do actual Presidente Rui Moreira reside precisamente em ter sido capaz de implementar os aspectos sociais e culturais da cidade, que hoje é 100% melhor do que quando Rio a deixou.
Ora com esta visão redutora de contabilista, o lugar que ele ocupasse de primeiro Ministro seria de uma enorme pobreza para os aspectos civilizacionais do País.
Por isso é pena que o PSD não tivesse apresentado senão estes depois velhos abencerragens para o liderar. Dos que não concorreram -  e ainda bem-  um seria Paulo Rangel, um trauliteiro  e exaltado de verborreia fácil mas sem estatura para governar o País. ou então os portugueses seriam muito pouco exigentes... Outro seria o José Eduardo Martins, mas que surpreendentemente revelou muito pouca capacidade com a campanha autárquica de Lisboa. Não há dúvida que o tal " princípio de Peter"  funciona...
Ficaram na sombra alguns potenciais apostas do PSD, como Montenegro, e com este teríamos a maçonaria em pleno e em força a governar - talvez ainda a venhamos a ter...
Logo à noite, depois de uma campanha fraquíssima , ficaremos a saber quem será o líder do PSD nos próximos dois anos...

2 - O Ministro da Administração Interna fala de pelo menos dois anos para se concretizar uma nova floresta  em Portugal - pelo menos foi isso que eu entendi.
Ora não haverá melhoria da situação da área florestal se não houver a criação daquilo que foi destruído : uma Autoridade Florestal Nacional que seja capaz de repor a ordem e o controle do território. Dêem as voltas que quiserem dar, nada resultará apenas com experimentalismos e a "municipalização" da política florestal

Coronel José Rosa Pinto

No dia  5 de Janeiro  faleceu o Coronel José Rosa Pinto, cujo funeral de realizou no dia 9, em Faro.
Foi um dos mais distintos botânicos do Algarve, tendo se dedicado inicialmente por hobby mas depois, com o interesse que aquela ciência lhe mereceu, e com o rigor que colocava em tudo quanto fazia, se transformou em paixão. Durante anos foi o responsável pela organização e a manutenção do herbário da UAlg, tendo devotado à Universidade  a grande sabedoria de que era senhor.  Não houve uma só pessoa que tendo conhecido Rosa Pinto não tivesse ficado preso à sua personalidade afável, sorridente, de grande humildade no que que fazia e dizia. Meu Amigo desde que comecei as aulas na UAlg.   ele era indispensável nas visitas de campo, conhecendo como poucos todas as espécies florísticas, as suas exigências e características; foi o guia dos passeios do Núcleo do Algarve da LPN em especial os que se desenvolviam na Rocha da Pena e na Fonte Benémola. 
Deixou vários livros e eu não posso deixar de mencionar o livro que fez comigo, com fotos de Rocha Alexandre, "Plantas do Algarve com valor ornamental".
É difícil para mim dizer o que sinto com o seu desaparecimento, um vazio que sobreleva a saudade de não o voltar a encontrar à mesa do café na Casa do Sporting, onde era habitual todas as tardes, mesmo quando já estava doente.
O Algarve e Faro em especial ficam devedores de uma homenagem condigna a tão ilustre farense.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018


2018, a questão florestal continua 
- e eu ainda não me calo, acuso - 
A mensagem de Natal do Presidente da Republica. a mesma conversa do Primeiro Ministro ,  e a de todos os que sentiram mais o rabo a arder em 2017, inevitavelmente vieram com as mesmas mensagens -  que neste abrir de um novo ano  não voltará a repetir-se  aquela calamidade pois a "reforma da floresta" finalmente vai mudar a face da Terra neste rectângulo ibérico. Ora se vai ! Qual reforma ? Eu não sou masoquista ao ponto de querer o mal para o 
meu país só para eu ter razão, mas duvido das promessas feitas.  Se o passado nos dá lições para o presente e para preparar o futuro, vejamos então :
1- em Junho passado fomos surpreendidos com a dimensão e a dinâmica do fogo que nasceu em  Pedrógão e depois se estendeu a toda a região, Eu assistia pela TV e não queria acreditar no que via , conheço incêndios florestais há décadas, sei como mais ou menos evoluem, mas aquilo era fora do pensável, as frentes de fogo descontrolavam-se a uma  velocidade estonteante, que  viemos a saber ter tido como uma das  causas a situação excepcional do clima local, e dos seus ventos perniciosos,. Mas nada estava preparado para acudir com eficácia a uma tragédia ígnea daquelas.
Eu atrevo-me a dizer que se ainda existisse nessa altura . no terreno, a estrutura que as Administrações Florestais mantinham, há muitas décadas, com pessoal capaz e batido por anos e anos de experiência, talvez o saldo final pudesse ter sido diferente para melhor. Apesar da violência do evento, o certo é que não havia ninguém preparado sob o ponto de vista florestal para atacar aquela calamidade.
2 agora o que aconteceu entre Junho e os fogos de 15 de Outubro, isso então comprova ainda mais  a falta absolutamente indesculpável da estrutura florestal tradicional - e isso acuso eu !!  Naqueles meses ninguém das autoridades florestais ( que de resto não existem ...) pensou que a época de fogos ainda estava para vir, e não se fez praticamente nada. Eu passei 3 dias pela zona ardida e comentei para quem ia comigo que se viesse naquela altura alguém riscar um  fósforo ficávamos lá como os que morreram em Junho. E em 15 de Outubro arderam todos os locais onde passei 2 semanas antes,Escrevi a meio do Verão a quem não vou identificar ,  clamando por buldozzers. que  pusessem máquinas a abrir corta fogos, de emergência, aceiros e arrifes ,( que seria o que fariam os serviços florestais antes... de serem extintos), gritei afastem as madeiras das encostas, limpem as estradas - tudo isto teria sido feito se existisse a estrutura habitual que os Serviços Florestais  mantinham nas suas Administrações e que livraram o país durante décadas, dos maiores incêndios, E até hoje não se fez nada porque não há no terreno ninguém que saiba o que deve fazer - aqueles que sabem, os velhos Mestres e Guardas florestais  , os velhos Administradores Florestais,  os velhos engenheiros silvicultores, escondem a cara de vergonha por verem o estado a que chegou o país´a que eles  dedicaram vidas inteiras.
Passam os meses e ninguém assume a responsabilidade de repor a estrutura administrativa florestal que poderia permitir  controlar desde logo o estado caótico a que se chegou e depois procurar colocar ordem de novo, apoiando.se nas Universidades e nas autoridades florestais regionais e locais, Sem isso não se vai a lado nenhum, mesmo com o  experimentalismo bacoco de empresas publicas regionais para gerir a floresta ( quem as paga, quem as sustenta ?). Essas empresas vão mas é abrir muitos jobbs para muitos boys.
3 A destruição pelo fogo da Mata do Rei ou Pinhal de Leiria é por fim  o exemplo mais refinado do que aconteceu neste país desde que foi desactivada a cobertura administrativa florestal existente,  como resultado  das ideias luminosas  destes liberais de direita ou liberais socialistas , pois são todos iguais em ignorância de tudo o que vá para lá de contas de mercearia.
Eu trabalhei na mata de Leiria, tinha uma organização exemplar que servia de modelo a toda a gestão florestal do país ; de vez em quando havia um ou outro  foco de incêndio que era prontamente vencido pela estrutura implantada. Desmantelou-se essa estrutura e  em poucas horas arderam os milhares de hectares do melhor pinhal português, certamente para gáudio dos liberais, passados e presentes, que assumiram a decisão de retirar a estrutura florestal e a de não a repor enquanto era tempo ( e estes já lá estão há 2 anos a "mandar" ...)
Alguém já foi incomodado ou sequer questionado por isso ?  O Ministro da Agricultura e Florestas é o mesmo de Governos anteriores -já fez o quê para reparar a sua responsabilidade? Também os Ministros do PSD e do CDS que antecederam este,  estão todos de almas branquinhas como anjinhos!
Por tudo isto eu acuso a incapacidade sobretudo ideológica de quem decide sobre a floresta portuguesa e por isso não é capaz de  reconhecer o erro que significou o desmantelar dos Serviços Florestais sem que surgisse no seu lugar outra forma eficaz de gerir e defender a área florestal portuguesa.  Vai acabar tudo na mesma - e oxalá eu esteja enganado, claro,Para já ACUSO!!