1 - Quanto ao relatório da Greenpeace sobre os riscos de incêndio: todos os motivos apontados são
evidentes, mas continua a faltar um que é essencial : falta uma
Autoridade Florestal Nacional, como eram os Serviços Florestais. É que
havia nesse tempo uma quadrícula, cobrindo todo o território, de casas
e postos de guardas florestais que fiscalizavam e limpavam a área
florestal todo o ano, não apenas na época dos fogos. Hoje com as
tecnologias de que se dispõe, certamente essa quadrícula utilizaria
muito menos guardas florestais. Eu fui Administrador Florestal e todos
os inícios de fogo que ocorriam eram sempre atempadamente vistos por
algum guarda florestal e apagasdos - os guardas eram o primeiro
escalão de técnicos florestais, mas porque se chamavam "guardas" houve
dois ministros super inteligentes, um da Agricultura que me falta o nome
e outro da Administração Interna, António Costa, que num rasgo de
modernização do Estado mandaram os guardas florestais para a GNR.
A área florestal e de matos (estes são fundamentais para a Biodiversidade) mesmo sendo maioritariamente privada, constitui um recurso nacional e o Estado tem obrigação de a vigiar e proteger.
Em
tempos existiu o Fundo de Fomento Florestal, (também extinto...) que
utilizava fundos europeus, que continuam a existir, e que arborizava os
terrenos privados, mediante contrato com os proprietários- que falta faz
hoje!| Temos milhares de hectares de encostas e de serras inteiras que
foram pasto de fogo nas últimas décadas e estão abandonadas; o pouco
mato rasteiro de muitas delas não suporta o solo depois das chuvas e
todos os anos são milhões de toneladas de solos que vão parar às
ribeiras e depois às albufeiras das barragens. Ninguém fala nisto nem
quer saber.
Quantos
países, com a percentagem de área arborizavel que nós temos, não
possui uma Autoridade Florestal Nacionbal ? O desmembramento da política
do sector agro-floestal ( como é possível?) e da política ambiental (
em que o Ordenamento do Território passou para outro Ministério onde
se fazem as negociatas com as Autarquias e as grandes Empresas...) é
considerada um acto de mocernização do Estado... Vê-se todos os anos
nos milhões gastos na Protecção Civil e nos meios aéreos privados que
combatem os fogos rurais... Há sempre alguém que lucra.