terça-feira, 14 de julho de 2026

1 - Quanto ao relatório da Greenpeace sobre os riscos de incêndio: todos os motivos apontados são evidentes, mas continua a faltar um que é essencial : falta uma Autoridade Florestal Nacional, como eram os Serviços Florestais. É que havia nesse tempo uma quadrícula,  cobrindo  todo o território, de casas e postos de guardas florestais que fiscalizavam e limpavam a área florestal todo o ano, não apenas na época dos fogos. Hoje com as tecnologias de que se dispõe, certamente essa quadrícula utilizaria muito menos  guardas florestais. Eu fui Administrador Florestal e todos os inícios de fogo que ocorriam eram sempre atempadamente vistos por algum guarda florestal e  apagasdos - os guardas   eram o primeiro escalão de técnicos florestais, mas porque se chamavam "guardas" houve dois ministros super inteligentes, um da Agricultura que me falta o nome e outro da Administração Interna, António Costa, que num  rasgo de modernização do Estado mandaram os guardas florestais para a GNR. 
A área florestal e de matos (estes  são fundamentais para a Biodiversidade) mesmo  sendo maioritariamente privada, constitui um recurso nacional e o Estado tem obrigação de a vigiar e proteger.
Em tempos existiu o Fundo de Fomento Florestal, (também extinto...) que utilizava fundos europeus, que continuam a existir, e que arborizava os terrenos privados, mediante contrato com os proprietários- que falta faz hoje!| Temos milhares de hectares de encostas e de serras inteiras  que foram pasto de fogo nas últimas décadas e estão abandonadas; o pouco mato rasteiro de muitas delas  não suporta o solo depois das chuvas e todos  os anos  são milhões de toneladas de solos que vão parar às ribeiras e depois às albufeiras das barragens. Ninguém fala nisto nem quer saber.
Quantos países, com a percentagem de  área arborizavel que nós temos, não possui uma Autoridade Florestal Nacionbal ? O desmembramento da política do sector agro-floestal ( como é  possível?) e da política  ambiental ( em que o Ordenamento do Território passou para  outro Ministério onde se fazem as negociatas com as Autarquias e as grandes Empresas...) é considerada um acto de mocernização do Estado...  Vê-se todos os anos nos milhões gastos na Protecção Civil e nos meios aéreos privados que combatem os fogos rurais... Há sempre alguém que lucra.