terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Um país dum qualquer 3º mundo...
Moro no Algarve,  na periferia de Faro. Não é propriamente um recanto remoto de um interior mais remoto, é numa região turística e  nos arredores da "capital" da região, que até tem uma Universidade. Pois estive quase duas semanas sem internet, devido a uma avaria na zona. Todos os dias telefonava para o apoio ao cliente da MEO e a resposta era sempre a mesma : identificamos uma avaria na sua zona e estamos a tratar de resolver no mais curto espaço de tempo. Depois de contactar a opção automática de atendimento lá continuava a voz robótica a dizer que seria contactado  dentro das próximas 48 horas - o que, obviamente,  nunca aconteceu. Escrevi uma carta zangada para a Administração da MEO em que explicava que há vários anos se sucedem avarias destas porque a empresa não investe nem no tal "quadro" que distribui para toda a rede da zona, assim como não investe na substituição dos cabos que cá existem há 30 anos, cabos de um tipo que já deixou de ser usado, quebradiço e proporcionando cortes frequentes. Recebi então um telefonema de Lisboa a perguntar se eu  estaria em casa nessa tarde para atender os mecânicos que vinham resolver o assunto. E nessa tarde, tendo finalmente  substituído o tal cabo ( 200 m...), o problema ficou resolvido, o que podia ter sido feito um ror de dias antes e até  vários anos atrás.  Então isto não é tratar a nossa gente como se  estivéssemos num  qualquer 3º mundo ?!!

A espuma dos dias
Retomei a escrita do blogue, e não faltam assuntos que bradam aos céus. Mas só abordo hoje dois assuntos.
1- As greves  - Nunca houve, que me lembre, qualquer Governo que tivesse  congregado contra si tanta greve em tão curto espaço de tempo. E seria bom que o Governo reflectisse neste facto, mas também quem está por trás das greves.
Os partidos da esquerda, em especial o PCP e o BE, que movimentam a maioria dos sindicatos, deveriam pensar no seguinte aspecto :  se o direito à greve é indiscutível, e toda a gente o está sempre a reafirmar, o facto de ocorrerem greves em praticamente todos os sectores da vida nacional,  por tanto tempo e causando prejuízos graves  não só à economia como ao dia-a-dia das pessoas, começa a gerar um sentimento de estarmos todos  fartos deste clima de instabilidade. É que no Governo anterior de direita houve greves mas nada que se compare  com o que acontece agora - então um Governo que se apoia nos partidos da esquerda é mais contestado que o anterior? Pode ser que isto acabe por uma boa parte da população de eleitores que não são fixos partidariamente possa ficar realmente farta e nas próximas eleições vote maioritariamente na direita.  É que há limites para tudo e a estratégia eleitoral dos partidos da esquerda não deveria toldar a capacidade de ver em frente e perspectivar o que pode acontecer...
Também há greves de sindicatos de direita, caso dos enfermeiros dos blocos operatórios públicos, pequenos sindicatos formados apenas há para aí um ano ou pouco mais, quando já estava em função a geringonça de esquerda... E a Ordem dos Enfermeiros, que estimula as greves destes dois sindicatos, tem como Bastonária uma  activa militante do PSD, contrariando a posição que as Ordens devem ter em não se misturarem com os sindicatos. Em democracia nada demais que haja sindicatos de direita ou de esquerda e que  todos possam exercer os mesmos direitos, incluindo o de greve, mas até este aspecto merece noutra altura uma reflexão.
Já na Ordem dos Médicos o Bastonário, que não sei a que grupo partidário pertence, aparece normalmente em conluio com o Sindicato Independente dos Médicos, que é de direita, embora também lá tenha, ao que parece, médicos do lado do PS. Não me lembro de o ver aparecer ao lado de sindicalistas de esquerda...
O mais grave na greve dos enfermeiros é que estão  a manter a greve sem perderem pagamento dos dias, graças não a um legal  Fundo de Greve que alguns sindicatos possuem, mas a um peditório na Internet mantido  por anónimos - isto abre a porta a todas as suspeitas, até que hospitais privados estejam a contribuir para a greve nos hospitais públicos, porque as cirurgias que não se realizam têm de ser reenviadas para os privados. Pode ser um negócio. O peditório é aceitável mas com a clareza de quem é que está a dar aquele dinheiro para que os enfermeiros se aguentem  em greve sem perderem o pagamento. Estranho, não é?

2 - Queda de helicóptero do INEM -  Merece um profunda reflexão o que aconteceu com a queda deste aparelho e a morte dos ocupantes. Como é que um piloto muito experiente voa tão baixo, com tão mau tempo e embate numa antena ?  Se a antena estivesse iluminada. e quem é que agora vai garantir que estava ou que não estava -  custa a crer que o aparelho fosse embater nela.
Quantos mais casos destes haverá por este país fora?








domingo, 25 de novembro de 2018

A   espuma  dos   dias
A espuma dos dias refere-se àquelas pequenas ocorrências que muitas vezes escondem problemas sérios da nossa vivência nacional ou internacional.

1 - A penúria portuguesa  - Há um caso que ilustra bem a penúria que se vive em Portugal, num problema que tem sido tratado apenas no plano da ética. Refiro-me à prática de alguns deputados de marcarem presença no Parlamento sem lá estarem; para além do aspecto, que é o mais focado, de ser  uma ilegalidade cometida precisamente pelos agentes dum órgão de Poder que regula a legalidade da vida democrática portuguesa,  na casa que é o cerne  da nossa democracia, há outro aspecto que eu chamo de revelador da penúria em que vivemos. É os deputados serem levados a esta aldrabice para não perderem o direito à senha de presença que não chega aos 70 €  !!  Com franqueza, tal é a "fome" e o desejo de  ganhar os tostões todos que for possível, que leva deputados a cometerem esta pequena falcatrua... E deve ser prática já antiga, que só por azar agora foi descoberta, e conspurca todos os deputados mesmo aqueles que nunca usaram este subterfúgio.

2 - A tragédia da estrada de Borba  -Era uma tragédia anunciada, só que sem data marcada. E ilustra bem a forma como funcionam muitos dos serviços do Estado e das Autarquias.
Se há por lei uma distância de segurança ( 30 m,  50 m ?) entre os limites da exploração das pedreiras e a berma das estradas que passarem perto, como é que durante décadas  se deixou que os limites destas pedreiras se encostassem à própria berma da estrada? Não foi de um dia para o outro que as pedreiras foram exploradas até mesmo à berma - então e as visitas anuais ( pelo menos...) de inspecção oficialmente obrigatórias a efectuar pelos Serviços competentes nunca detectaram a aproximação  cada vez mais evidente dos abismos a ladear a estrada ? E as duas Autarquias que são ligadas pela estrada nunca fizeram nada nem foram capazes de impor ao Estado uma intervenção ? E deixaram avançar as explorações ?
O último memorando a apontar a gravidade da situação ao que parece data de 2014, mas agora quer o CDS quer o PSD vêm bradar que o Estado falhou. E quando estavam no Governo em 2014 o que é que fizeram para colmatar a deficiência? Desfaçatez não lhes falta, mas o Governo da geringonça também já devia conhecer esta  situação e o que é que fez para resolver o caso da estrada de Borba?

3 - A tragédia da Síria -  É uma vergonha há demasiado tempo a prolongar-se num século que devia ser de  civilização, cultura e dignidade humana. 
Mais uma vez um dos lados do conflito voltou a atacar com gases tóxicos a população indefesa, e qualquer das partes acusa o outro de o ter feito. A Europa, que ajudou a despoletar o conflito,  comodamente acusa a Rússia ( que já nos habituou a actos de terrível carnificina) de ter feito o ataque, a Rússia acusa os aliados da Turquia, outro país que para actos de barbaridade não precisa de mais pergaminhos, e entre trocas de acusações  a dor, a morte, o sofrimento de centenas de pessoas continuam a ser discutidos nos comunicados oficiais. A ONU  não é por ter à frente  um  António Guterres  que faz seja o que for. 
É esta a Humanidade ocidental do século XXI.










quinta-feira, 8 de novembro de 2018

A espuma dos dias
1 - A ética dos deputados  - E depois admiram-se que cada vez mais pessoas duvidem da democracia e queiram soluções autoritárias.
Custa a acreditar que alguns deputados, de quase todos os Partidos ( mas não todos..,), sejam capazes destes pequenos jogos sujos de enganar a Assembleia da Republica, no que se refere à sua residência, para ganharem mais uns eurositos de ajudas de custo !! Ou faltarem e terem alguém que pica o ponto por eles. É bem um sinal da penúria deste país e da falta de ética de tanta gente que quer subir na política e , como não têm outro meio de ganhar a vida, porque nunca fizeram mais nada nem sabem fazer mais nada, agarram o lugar de deputado para sobreviverem na mediocridade e procuram esmifrar o mais que podem. Escusam de vir com desculpas esfarrapadas, ainda torna mais ridícula a situação..
2 - A fantochada de Tancos - Já não se pode mais ouvir falar das armas roubadas e parcialmente repostas de Tancos, e da exploração que sobretudo os Partidos da direita, com especial realce para os trauliteiros do CDS e a sua insuportável "Chefa", têm feito, pois pegar em casos escabrosos, mesmo que merecessem estar no segredo o tempo que fosse preciso para o resolver, não encaixa naquelas orientações de direita radical.
E têm procurado envolver o próprio PR, Marcelo Rebelo de Sousa, no encobrimento do que se terá passado, pois para a direita mais reaccionária que o CDS representa até este PR não serve - embora hipocritamente digam o contrário, não senhor, o PR é o único que tem falado verdade e, patati - patata...  Mas ainda bem que esta direita se mostra, antes assim que estar encapotada, e pouco lhe falta para desabafarem claramente e dizerem  Viva Bolsonaro!!

Enviei a dias o texto seguinte para o jornal PUBLICO, com poucas esperanças de que seja publicado, Aqui pelo menos vai ver a luz da estampa na internet

A ESQUERDA OU  É ECOLOGISTA OU NÃO É ESQUERDA

A grande inovação ideológica surgida sobretudo a partir do último quarto do século XX foi a das preocupações ambientais resultantes dos avanços da ciência da Ecologia.
Desde sempre  o ecologismo e o Ambiente , mais ou menos extremados conforme quem os assume , foram adoptados pelas forças políticas progressistas; mas ainda hoje há quem defenda que as alterações climáticas são apenas fruto dos ciclos do planeta – são os mesmos que dizem terem acabado as ideologias de esquerda e direita, só existe a ideologia  dominante que é a “realidade” ou seja o  mercado.
Na Europa depois da 2ª Guerra Mundial acentuaram-se as ideologias democráticas de esquerda – seja o socialismo democrático ou social democracia, seja a “esquerda” da direita que é (era…) a democracia cristã. Ambas nasceram como reacção quer ao marxismo quer ao liberalismo que nos finais do século XIX se confrontavam e impunham ditaduras, fosse a do proletariado fosse a do deus dinheiro do laissez faire, laissez passer.
Os ideólogos da social democracia, desde os do socialismo utópico até aos das diversas variantes que se desenvolveram e a democracia cristã saída da Igreja depois da Encíclica Rerum Novarum, procuravam sistemas de maior protecção social e de mais justiça democrática, sem pôr em causa os pilares essenciais da liberdade e da democracia. Mesmo países de maioria religiosa protestante acataram as propostas da democracia cristã, coisa que hoje nem os mais fervorosos católicos ( pelo menos no discurso) já acatam, rendidos como estão aos cantos de sereia do liberalismo.
As preocupações ambientais passaram a fazer cada vez mais parte das propostas que se orientavam por aquelas ideologias; mas  sobretudo a esquerda  socialista e social democrata assumia-as com maior empenho.
A erosão que se verifica na esquerda democrática de alguns anos a esta parte, e a cedência da direita democrática cada vez mais aos ditames  do liberalismo financeiro, têm tido como  consequência o crescimento de franjas ideológicas  : por um lado a extrema direita que ganha terreno , por outro lado o realce cada vez mais notório de partidos ecologistas ou “verdes”, que se podem dizer de extrema esquerda.
A perda de importância própria nos partidos social democratas europeus ( com maior gravidade na Alemanha mas um pouco noutros países) resulta a meu ver de não terem sabido actualizar a sua ideologia e,  entre outras causas, aos problemas ambientais e ecológicos contemporâneos.
A experiência governativa de esquerda ensaiada em Portugal, para além, de ser um espécie de alerta para a Europa de que é possível governar à esquerda, tem tido , entre outros, como grave deslize. a perda da sua sensibilidade ambiental e ecologista.  A Política de Ambiente, aceites como foram, sem pestanejar, as alterações institucionais  concretizadas pelo último governo de direita, perdeu toda a sua capacidade de intervenção global e transversal nos sectores da economia. É inevitável ter de  voltar a falar no descalabro da política florestal, mas também a defesa que o Ministério do Ambiente chegou a fazer da continuidade da  exploração petrolífera no Algarve, a condescendência face á poluição provocada pela industria da celulose no rio Tejo e, como denunciou o Prof. Jorge Paiva, no mar da zona da Leirosa, o ajoelhar face á continuidade da central nuclear de Almaraz, o caos nos Parques Naturais com uma organização ineficaz, a junção do ICN com as florestas ao encontro dos desejos especulativos da floresta industrial e da actividade urbano-turística, etc, etc- é só um pedaço da longa lista de ineficácias.
Esperava-se que a actual  governação de esquerda assumisse uma política ambiental e ecologista condigna com  as ideias mais  progressistas , não tanto  pelo PS que nunca foi ambientalista, mas pelos partidos de esquerda que o apoiam –afinal nem se fala dessas matérias, todos ficam indiferentes  à falta de políticas que garantam a perenidade, isto é, sustentabilidade do território.
E uma esquerda do séc. XXI que não seja ecologista não é esquerda.
Fernando Santos Pessoa, arq.ºpaisagista
31-Out-018

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

A espuma dos dias
      Estive uns dias ausente, e regressei  com os mesmos  assuntos na ordem do dia.
1 - A fantochada ridícula - Este é o título de uma crónica de Ricardo Araújo Pereira na revista Visão, e é com a devida vénia que a utilizo aqui, pois trata-se de uma das melhores crónicas  políticas humorísticas que já se escreveu. Assunto: a fantochada do roubo, assalto, brincadeira, dêem-lhe o nome que quiserem,  das armas de Tancos. Não se consegue entender e creio que jamais alguém acredita que se virá a saber a verdade completa sobre tão abstruza ocorrência.
Uma coisa é certa e eu dei esse exemplo quando ocorreu o desaparecimento do armamento e munições dos paióis : eu também comandei uma Companhia, em tempo de guerra, uma companhia independente, sem batalhão, dependendo directamente do Brigadeiro comandante do Sector. Tinha, como é de calcular para uma unidade de intervenção como era a que eu comandava, um paiol  bem recheado; se houvesse um assalto, um roubo, um incêndio, enfim, qualquer ocorrência no paiol da Companhia quem, era o grande responsável? Era o Brigadeiro ou era eu ? Claro que tinha uma cabo quarteleiro e um sargento responsáveis pelo funcionamento do paiol, mas a responsabilidade maior era minha. Ora a Companhia ou Companhias de Tancos que tinham a seu cargo os paióis  tinham Comandante - esse é que é o responsável pelo que sucedeu. Se não tinha meios suficientes declarava isso por escrito, assumia frontalmente que não podia garantir a segurança dos paióis ; se isso foi  feito e o superior hierárquico  não resolveu  o assunto, a culpa sobe para este, e assim por ali acima. É muito provável de superior para outro acima todos tenham deixado à balda o assunto, e só isso pode explicar que os capitães comandantes das Companhias não tenham sido severamente punidos ( ou davam com a língua nos dentes...)Agora fazer de conta que não há responsáveis directos é mesmo uma fantochada!

2 - O livro das memórias de Cavaco Silva -  O Ex-Presidente que tem sempre razão e quase nunca se engana resolveu deitar cá para fora mais um livro de azedas memórias com que deve passar os dias a remoer. Bastou ver aqueles esgares na sessão de apresentação do livro, aquela boca retorcida, o olhar turvo, para nos voltarem à nossa memória aqueles tristes anos em que tal figura foi Presidente. Ainda muita gente se admira como é que os americanos conseguira eleger um Trump - então e nós não conseguimos eleger e reeleger um Cavaco? Diz ele que faz História ao contar aqueles reuniões com o então Primeiro Ministro Passos Coelho e depois com António Costa, ao ponto de fazer comentários ao comportamento de ambos. História ?- qual quê,  é um acto reles, denota total falta de sentido de Estado. Faz depois comentários ao que o PCP e o BE poderão ter dito e feito  para entrarem na coligação com o PS, mas é a palavra dele  apenas, não há provas de que as entidades citadas tenham dito aquilo, não há contraditório. 
Basta ler as transcrições que vieram na comunicação social para se ficar, mais uma vez, com a noção da pequena dimensão desta personagem, qual múmia paralítica, que ainda aparece de tempos a tempos para mostrar que está vivo. Pobre criatura - e pobres os que têm que o aturar!

3 - O Brasil a caminho da ditadura -  Vai ser mesmo inevitável ter Bolsonaro eleito Presidente do Brasil.  Para que os democratas, os do PT e dos outros Partidos brasileiros, mas também os portugueses e europeus, aprendam como  a corrupção, o compadrio, a ganância, a falta de escrúpulos, arrumam com a democracia e trazem de volta as piores demonstrações das direitas radicais, ditaduras fascistas seja lá com que designação se apresentem, de que os países acabarão por sofrer as consequências. A estes dias da eleição só um milagre da Senhora da Aparecida poderia inverter o desastre eleitoral brasileiro!!






terça-feira, 9 de outubro de 2018

Europa, Ocidente, Civilização, Cultura, 

   Vou meter-me em maus lençóis com esta temática, e não quero sequer tomar partido por qualquer lado da substancial contenda que a envolve. Mas como penso pela minha cabeça, embora com suporte em tudo quanto posso saber, lendo e ouvindo os Mestres dos diversos saberes envolvidos, vou discernindo um pouco sobre a temática...
    Uma entrevista do jornal Publico ao antigo  chanceler austríaco Wolfgang Schussel,  trouxe-me algumas reflexões, quando ele diz que "A Europa é o que resta do Ocidente". 
     Eu acho que o Ocidente foi sempre uma criação da Europa. A própria ideia geográfica do Mundo, plasmada nos mapas  ou  cartas planetárias e difundidas por todo o Globo, foi sempre concebida a partir de Europa e do Atlântico no centro da cartografia, o Oriente para leste, o Ocidente para oeste.
   A civilização representa o grau de organização de determinada comunidade ou grupos de comunidades próximas, com base na religião e nas leis que directa ou indirectamente advêm da concepção religiosa, e que dão forma a comportamentos sociais determinados. A civilização tem também a ver com o desenvolvimento de tecnologias e regras de aplicação do que é concebido pelas sociedades. 
       Os pigmeus não deixam de ser uma civilização  vivendo na floresta africana, sem telemóvel nem computadores ( talvez já tenha alguns...) mas têm a sua organização e a sua tecnologia.
     A cultura  advém da capacidade de um dado grupo humano reagir ao meio que o envolve, de criar formas  de representar as suas ideias, através de construções civis ou sagradas, de musica, de artes diversas, de criar idiomas e de os difundir por via escrita ou oral.
    Estes conceitos são discutíveis e cada um pensa o que lhe parece mais acertado. Muitas vezes misturam-se os dois.
Por exemplo eu penso que mais que falar em choque de civilizações devemos falar em choque de culturas.
  Nós falamos na civilização  egípcia, persa, suméria, etc. que correspondem a determinados estádios de organização e desenvolvimento das sociedades naquelas Geografias e naqueles Tempos ; falamos em civilizações ocidentais e orientais, mas aqui já estamos a misturar as culturas  desse dois horizontes.
   Hoje em dia  a maioria das sociedades tem acesso a praticamente  todas as ferramentas civilizacionais, mesmo quando as culturas das comunidades são profundamente diferentes. 
    As sociedades muçulmanas têm acesso a todos os meios de civilização de que dispõe a Humanidade  seja ela cristã, hindu, budista ou qualquer outra, mas as suas concepções culturais são radicalmente diferentes. Quando se confrontam, não estamos perante confrontos de civilizações, pois todas têm acesso maior ou menor ao mesmo arsenal civilizacional, mas sim confrontos de culturas
     Eu acredito na Europa;  quer queiramos quer não, foi deste Continente e dos povos que aqui habitam  que saíram ensinamentos, regras, concepções, modelos, que um pouco por todo o mundo foram sendo aplicados -  melhor ou pior, claro.
      Foi o clima, foram as condições de meio, foi a geografia, foi a riqueza de recursos, foi tudo isso certamente - porque "raça" não foi, o ADN é o mesmo, os genes são comuns, a origem foi a mesma naquelas áridos planaltos centro africanos onde tudo começou para o Homo...
        Da Europa saíram os conhecimentos gregos e romanos ( a bacia mediterrânica, alfobre da Humanidade...) que se expandiram pelo território continental, saiu a Renascimento que iluminou o  Mundo antes de o Iluminismo ter apurado esse  farol, a Revolução Francesa que fundou o Estado Moderno, mau grado atrocidades e desvios que ocasionou... Onde ela não chegou, como na Rússia, tivemos o Csar com o seu regime medieval até ao século XX!!
     Da Europa saiu aquilo que hoje são os EUA, desde que  um general francês, portador das ideias da liberdade, ajudou os americanos a desenvencilhar-se da Coroa britânica - e deram forma ao Ocidente.
    Foi na Europa que nasceu a Democracia que todos os povos procuram, melhor ou pior, introduzir nas suas sociedades.
    Por todo o mundo, mesmo dentro daqueles povos e culturas que têm notável antiguidade e sabedoria, a modernidade chegou-lhes da Europa. Dos milénios da China e da sua notável sabedoria o que ficou para o Mundo? Umas migalhas, que eu admiro e cultivo como a medicina alternativa que, vinda  de lá, ganhou forma ocidental; da Índia e da sua milenar cosmogonia o que ficou para o Mundo, alem de uns pequenos pormenores que são importantes mas não fundamentais? Mas todos esses povos, comunidades, religiões, não produziram Leonardo da Vinci, Miguel Ângelo, Bach, Mozart, Beethoven, Picasso, Einstein ...-  porém todos eles usam os frutos desta  pujança intelectual. Alguém aguenta ouvir durante muito tempo as lengalengas islâmicas ou os acordes repetitivos da musica oriental? Não se lhes retira valor e importância, mas não são universais!
    A Europa está em crise, crise de velhice  e de perda generalizada dos valores que são a raiz da Europeidade; populismos de esquerda e de direita, egoísmos, xenofobia, corrupção, libertinagem dos mercados liberais, concupiscência, ganância, clientelismos... Mas temos que esperar pelo reverso, pela renovação  da consciência dos povos europeus que arquivam sabedorias de liberdade, fraternidade e igualdade. É preciso resistir, é preciso que cada um cerre fileiras com o parceiro do lado na defesa da casa comum.
A Europa vai ultrapassar estes Orban, Salvini e quejandos seguidores de Trumps ou de Maduros ou de Bolsonaros. Sãos todos políticos de pacotilha que só aguentam enquanto os povos não derem o safanão de limpeza...
   
            
     

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A frágil Democracia

     O crescimento exponencial de regimes de extrema direita, um pouco por todo o mundo, deve ser - tem que ser - motivo de reflexão para todos os que sentem que a democracia é o regime onde cabem todos, até aqueles que são contra ela.
      Mas é preciso começar por aceitar isto :  são os próprios  políticos dos regimes democráticos que, pelo comportamento de muitos deles, estão na base desta contestação que cada vez é mais generalizada.
        O que está a suceder agora no Brasil é o ultimo e grave exemplo  de como a falta de ética e de idoneidade dos democratas  quer de direita, quer sobretudo de esquerda, empurra as pessoas a escolherem alguém que fala em ordem, paz,  segurança, fim da corrupção e outras acusações que mancham, sem apelo nem agravo, a democracia brasileira.
         Dizer que "ele rouba mas faz alguma coisa"  é insuportável em democracia, pois se em regimes de ditadura também se rouba e a maior parte das vezes não se sabe, em democracia é uma afronta indesculpável.
          Cá pelo nosso país também se ouve dizer,  sobretudo entre gente nova que não conheceu o antigo regime, que esta pouca vergonha de todas as semanas se conhecerem novos casos de corrupção,de compadrio e de falta de vergonha é fruto de uma democracia que não funciona.  Mas quem viveu no Estado Novo recorda-se da violência, do obscurantismo,  do compadrio e corrupção entre os  grandes do regime, que se sabia que existia mas era drasticamente abafado pelo sistema de controle então vigente.  Mas que mesmo na nossa democracia os políticos continuam a dar os piores exemplos, isso é verdade - só que se vai podendo saber.
  Esta coisa de nos Governos estarem Ministros, esposas do ministros, familiares de vários graus de parentesco, mesmo que não seja ilegal...não é eticamente aceitável. Parece que fora do ambiente e das relações de família não há outras pessoas capazes de ocuparem aqueles lugares.
Estas cenas e as constantes acusações de corrupção em todos os sectores da vida publica, são o cancro da democracia.
O que a esquerda fez no Brasil, apesar do esforço de ter tirado milhões de pessoas da miséria, é a prova que mesmo muitas dessas pessoas, ao chegarem a um estatuto de mais conforto, querem ter no Governo quem dê pelo menos a intenção de não deixar roubar. É uma vergonha.