sábado, 28 de setembro de 2024

 Ninguém os trava?

Israel continua, impávido, a fazer o que quer - e ninguém trava aqueles energúmenos?

Nada desculpa  o terrorismo islâmico, quer seja dos sunitas ( Estado Islâmico) quer dos xiitas, mas os sionistas há décadas que exploram os palestinianos, invadem a zona que não lhes pertence ( há milhares de judeus a viverem em colonatos em terrenos dos palestinianos (os melhores e com água), fazem gato sapato das directivas da ONU - na verdade  a ONU serve para muito pouco - e agora invadem países independentes, como  o Líbano, matam chefes opositores com estratagemas de autêntico terrorismo - e fica todo o mundo quieto.

O Irão pede agora aos muçulmanos que se aliem na guerra contra Israel -  está à espera de quê?- que a Arábia Saudita e os Emiratos e outros que tais se unam aos xiitas? Esta é uma das grandes hipocrisias deste mundo de hoje.

domingo, 22 de setembro de 2024

 Crónica da sociedade

Sentimos qualquer coisa de indefinido, larvar, na atmosfera que se respira nacional e internacionalmente.

Duas guerras absolutamente sujas  ofuscam a situação internacional, além de outras pequenas guerras de que quase ninguém fala porque ficam longe, lá para o centro de África ou pelo empobrecido território da Eritreia e Sudão, e na Birmânia contra minorias étnicas sempre perseguidas.

Na Europa estamos frente a frente com os ímpetos imperiais de um novo czar da Russia, rodeado pelos seus cúmplices oligarcas que saíram da URSS podres de ricos - de onde  lhes veio tanto dinheiro? Como ousam apoiar um desígnio tão grave como a invasão de uma nação independente só pelo interesse espúrio de querer aumentar o seu poderio e reconstruir o antigo império soviético - mesmo que isso custe o sacrifício de povos que lutam há séculos pela sua independência?

Estive uns dias na Geórgia e senti o temor em que vive a maioria da população só porque nas eleições de Outubro próximo pode ganhar, por falcatrua eleitoral, o Partido russófilo "Sonho Georgiano"- eles que sofreram ao longo dos séculos sob a pata russa a esmagar a sua cultura, a sua civilização,  a sua independência . 

No Próximo Oriente vemos o Estado de Israel praticar uma guerra com actos de verdadeiro terrorismo. Se não podemos desculpar o terrorismo islâmico, que um pouco por todo o mundo causa as suas vítimas inocentes e compromete os regimes democráticos, muito menos poderemos aceitar e desculpar que um Estado aparentemente  democrático se comporte como Estado terrorista.

Os judeus estão a tornar-se num dos povos mais odiados internacionalmente, desperdiçando o capital de simpatia que tinham conseguido obter desde que ocorreu o infame Holocausto praticado pelos nazis. Mas as suas características verdadeiras, que estiveram sempre na base da sua dispersão pelo mundo porque se tornavam insuportáveis entre as sociedades em que viviam, vêm acima nestes dias e de forma repugnante. Essa sua faceta imperialista traduzida  no sionismo arrogante e dominador, está a vir ao de cima com os actuais governantes que representam o mais insuportável da extrema direita, ainda por cima com uma base religiosa fanática.

E muito grave é o que estas guerras estão a contribuir para um desagregar das democracias, cada vez mais vítimas da sua virtude que é a liberdade; os grupos agora apelidados de populistas (uma forma de não lhes chamar neofascistas que é o que eles são)  aproveitam-se dela para alcançar o poder e depois servirem-se dele para impor a suas estratégias.





terça-feira, 17 de setembro de 2024

As asneiras que se dizem 

Pasme-se que o nosso Presidente da Republica teve a lata de dizer. a propósito do trágico panorama de incêndios que grassa no País, que  "depois de  2017 aprendemos a combater  os incêndios florestais" - pena é que não tenhamos aprendido a evitá-los !!

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

 Internacional fascista

Os neonazis começam a ganhar eleições na Alemanha (  foi assim que Hitler começou), na Hungria já está um  que se aproxima dessa cor, na Russia outro (apesar de ter o apoio do nosso PCP...), em vários países da Europa a extrema direita ganha governos-  só falta Trump vencer nos EUA e o mundo vira.

domingo, 1 de setembro de 2024

 As misérias deste  mundo

Confrange pensar nas misérias que grassam neste mundo, num século que já deveria ser o da mais elevada consciência de que toda a Humanidade tem os mesmos direitos e os mesmos anseios - mas não, continuam a praticar-se situações de violência gratuita e indiferença  generalizada pelo sofrimento de alguns povos.

Há dias até tive dificuldade em continuar a ver um  documentário sobre a situação de milhares de sudaneses, fugidos à violência que continua a dominar naquele triste país, e refugiados no Chade, um dos países mais pobres e desgraçados da África sub-sahariana. Dizia uma mulher em desespero, que para morrerem à fome ali mais valia voltarem ao seu país  porque sempre morriam em casa. Não há ONU nem nenhuma organização ou conjunto de nações que olhe para esta vergonha e acuda; nunca a ONU terá meios para acudir a estas misérias.

Porque é que numa região de tão poucos recursos e onde as alterações climáticas se fazem sentir já com grande  violência, porque é que num país  assim continuam as guerras civis, a luta pelo poder- mas que poder? 

Toda a gente acha que é um horror mas ninguém, entre os países ricos,  se chega à frente. Ou então como faz  a Rússia,  envia os seus mercenários para ocuparem o lugar porque russos, esses mesmos, têm muito mais por onde andar, e assim os mercenários vão enchendo os bolsos e quando o "czar" tiver tempo, lá irá arrebanhar o que puder sob a capa da luta contra o imperialismo americano, uma espécie de grande chapéu  que justifica tudo.

Israel faz uma guerra de genocídio na Palestina, e os EUA complacentes fingem que procuram a paz mas deixam que os desacatos terroristas israelitas prossigam. Outros terroristas mas islâmicos, que iniciaram a actual guerra mas já a haviam feito muitas vezes antes com outras dimensões, procedem, como terroristas que são, e Israel, um Estado  é então um Estado terrorista. Os sionistas já deixaram claro que o que pretendem afinal   é ficar a tutelar a Palestina. A teoria desses sionistas é que toda aquela terra e até  o Líbano fazem parte da "terra prometida" pelo  seu deus, Jeová - mas que deus é este que nunca os protegeu? Deixou que fossem espalhados pelo nundo, que fossem mortos e perseguidos pelos cristãos na Peninsula Ibérica, deixou que fosse mortos aos milhões pela Alemanha nazi... Outros crentes no  mesmo deus, as Testemunhas de Jeová, dizem que os judeus foram escorraçados da sua terra por  terem  morto  Cristo. 

O certo é que estão a contribuir para novos e calamitosos crimes contra a Humanidade - e ninguém sabe como aquilo vai acabar, até porque os países muçulmanos até agora não têm feito nada - mas pode ser que mudem de atitude.

Em pleno seculo XXI um títere armado em novo "czar das Rússias" invade um país independente  e mantém uma  suja guerra contra a Ucrânia, que tem o direito de  escolher o seu caminho e de pedir a ajuda a quem lha pode dar.  Comparemos, a Espanha que leva séculos a querer invadir  e anexar Portugal  (ainda nos anos 40, aquando da guerra civil espanhola, Franco tinha a promessa de Hitler de ficar com Portugal) - se agora nos invadisse, por exemplo por Barrancos, nós não tínhamos o direito de pedir ajuda a quem quer que fosse para combater a invasão?

Passei a vida a manifestar-me contra os desacatos americanos em todo o mundo, desde o Vietname, a guerra do Golfo,  o derrube do ditador iraquiano por falsas acusações, a guerra no Afeganistão para depois saírem de lá daquela forma apressada e  deixarem  os  taliban a manterem o regime mais absurdo que se possa imaginar. 

Mas nunca fui, nem eu nem os da minha geração, chamados a protestar  contra os mesmos tipos de intervenções violentas que a URSS e já depois disso  a Rússia, praticaram ao longo do século XX e já neste século.

Acho que muitos de nós ficámos  perplexos com esta lista, e nem inclui a ocupação de países depois da 2ª Grande Guerra; os países ocidentais deram a   independência das zonas ocupadas, incluindo da Alemanha, donde os russos só  saíram com revoluções - a última foi Berlim oriental. 

Actos de guerra da URSS e Rússia

- Guerra de independência da Letónia 1918-1920

- Guerra polaco-russa, 1919-1921

-Anexação da Íngria finlandesa -1919 1920

-Invasão e ocupação do Azerbaijão, 1920

-Invasão e ocupação da Arménia, 1920

-Invasão e ocupação da Geórgia. 1921

-Repressão da  Karélia,  1921 – 1922

-Criação e manutenção do gulag, 1923 -1961

-Colectivização forçada da economia, 1927-1940

-Deportação dos ingrios finlandeses, 1929-1944

-Holodomor (Ucrânia), 1932-1933

-Período do grande terror na URSS, 1936-1938

-Invasão e ocupação da Polónia, 1939-1941

-Guerra do Inverno (tentativa de invadir a Finlândia), 1939-1940

-Ocupação da Bessarábia e Bucóvina do Norte (Ucrânia) 1940-1941

-Ocupação dos países bálticos, 1940-1941

-Repressão da insurgência da Tchetchénia, 1940-1944

- Deportações forçadas na Bessarábia e Bucóvina do Norte, 1940-1951

-2ª guerra soviético -finlandesa, 1941-1944

-Massacre dos prisioneiros de guerra pela URSS, 1941

-Deportação dos gregos Pônticos (da URSS), 1942-1949

-Deportação para a Sibéria dos Calmucos (budistas), 1943

-Operação Lentil (limpeza étnica na Tchetchénia e Inguchétia) , 1944

-Deportação dos tártaros da Crineia (da URSS), 1944

-Deportação dos Turcos Mesquécios  da Geórgia(URSS), 1944

-Deportação dos Bálcaros,(da URSS) 1944

-Massacres de civis durante o cerco de Budapeste, 1944-1945

Ocupação da Roménia, 1944-1958

Perseguição a mulheres, Polonia e Alemanha, 1945

-Perseguição da população de Augustow, Polónia, 1945

-Bloqueio de Berlim (Alemanha ocupada) 1948-49

-Organização da Greve Geral contra o governo da Áustria, 1950

-Massacre de 9 de Abril,, na Geórgia

-Repressão dos protestos de Poznan, Polonia- 1976

-Repressão das manifestações na Geórgia, 1978

-Invasão e ocupação do Afeganistão, 1979-1989

--Tragédia de 9 Abril, Geórgia, 1989

-Tentativa de supressão da Revolução romena, 1989

-Janeiro negro, Azerbaijão, 1990

-Primeira guerra da Tchetchénia, 1994-96

-Segunda repressão da Tchetchénia, 1999-2000

Guerra do Daguestão, 1999

-Guerra civil da Inguchétia, 2007-2015

-Invasão da Geórgia e ocupação da Ossétia do Sul e Abecásia, 2008

-Anexão da Crimeia, 2014

- Invasão e ocupação de mais terras da Ucrânia- 2014 e continua

 

 Depois admirem-se que os países bálticos. a Finlândia, a Roménia, a Geórgia, etc. queiram a  toda a força entrar para a NATO -pudera. não!?


E que todos  os deuses do mundo, anjos e arcanjos e todas as forças celestiais. façam com que Trump seja derrotado!!

Wall Street Journal ontem Harris  49%, Trump 45% 

 Há 5 horas N York Times   Harris 48%. Trump  41,1%




quinta-feira, 29 de agosto de 2024

 Colónias e colonialismo

Tem sido assunto da comunicação social e têm-se ouvido e lido  grandes arengas sobre a escravatura e o colonialismo português - e continuam alguns a insistir nas reparações às antigas colónias, mesmo depois de  não ter vindo qualquer apoio a essa ideia da parte das autoridades africanas. Até de Angola foi dito pelo Presidente  que  essa não é questão que se lhes coloque.

A independência dos territórios africanos deu-se a seguir à nossa própria "independência" conquistada com o 25 de Abril de 74, pondo fim a uma estúpida guerra colonial que  o reaccionarismo salazarista produziu. Milhares de jovens portugueses morreram nessa luta inglória contra a evolução da vida e da História - tal como tantos milhares de africanos que foram igualmente sacrificados, mas estes lutavam pela grande causa da honra  e da dignidade das suas pátrias.

Nós não fomos mais colonialistas que os ingleses, os holandeses, os espanhóis ou os franceses, e não me recordo de nestes países haver uma grande contestação e a argumentação distorcida que por cá vai havendo. 

Portugal deu independência ao Brasil ainda no século XIX, em regime  monárquico, e durante a 1ª Republica ninguém se preocupou com as  colónias - também os países colonialistas europeus ainda não falavam disso; até que depois da 2ª Grande Guerra tudo mudou e a consciência das populações  das colónias começou a impor-se - mesmo assim com guerras prolongadas. Então a França foi vergonhosa com a guerra contra os argelinos.  

Nesse tempo da descolonização generalizada, de que é que o asceta de Santa Comba Dão se havia de lembrar? De que nós não tínhamos colónias, eram apenas extensões africanas do território português e, como por cá tínhamos as nossas províncias, lá fora tínhamos províncias ultramarinas - e com esse golpe de mágica que ele deve ter considerado que era própria dum génio, manteve uma estúpida guerra, como eu digo, contra a Vida e contra a História.

Já tínhamos ficado ingloriamente sem as colónias na Índia, porque Salazar se recusou a dar independência ao  Estado de Goa o qual, se tivesse sido criado, teria o apoio internacional da ONU e teríamos na verdade a continuação de uma cultura portuguesa naquelas paragens. Mas era um precedente que a casmurrice do velho ditador não podia compreender -não queria compreender.

Portugal, ao longo daqueles séculos em que manteve colónias, fez o que a consciência da Humanidade tinha como válido, séculos e séculos desde que há registos - a conquista de colónias e a manutenção da escravatura faziam parte  da "moral"; a Grécia criou colónias  que também eram uma extensão da sua civilização -  e graças a esse "colonialismo" grego o Ocidente  (primeiro o Sul da Europa, mais tarde os "bárbaros" da Europa central e nortenha) adquiriu valores civilizacionais e culturais que nos guindaram a um lugar ímpar na História da Humanidade. As colónias gregas, sobretudo  as  do sul da Itália e as da Sicília  - a famosa Magna Grécia - formaram a base da civilização  europeia !!

E os mesmos africanos que foram colonizados por europeus,  também  tiveram  entre si as mesmas práticas - faziam guerras para capturarem escravos pela simples razão que essa era uma forma de  afirmar Poder e por isso se praticava em todas as raças e religiões.

Se isto que digo  for interpretado por alguém  como estando  a fazer a apologia ou a desculpar as nossas culpas do colonialismo  e da escravatura é apenas má fé, porque para mim - que  sei que  tenho uma grande irreverência e intolerância interior contra os  excessos de poder - gosto e quero apenas  clarificar conceitos e atitudes.

Já não vou repetir a cena que vivi na ilha de Goreia, ao largo de Dakar, onde há o Museu da Escravatura, mas o certo é que os próprios chefes dos Estados africanos de hoje  nunca pediram desculpa por os seus antepassados terem feito o que fizeram.

Fizemos atrocidades? Claro que sim, mas, repito, só considero colonialismo  criminoso, porque era contra a História, o que foi perpetrado pelo Estado Novo, quando a consciência  da Humanidade já condenava  unanimemente essas práticas. É um erro grave julgar a História com os conceitos e a visão que temos nos dias de hoje.

Nas colónias, já no século XX, os colonos portugueses cometiam atrocidades? Claro que sim  e até eu, em plena guerra de Angola, assisti a dalgumas práticas detestáveis exercidas por alguns colonos. E vou contar um pouco do que vi. 

Numa roça,  a "Beira Baixa",  a seguir ao Onzo, parámos a nossa coluna e assisti ao capataz a chicotear um grupo de bailundos (povo do sul usado como trabalhador, quase  escravo,  nas roças do norte);  fotografei a cena, com intuito de mais tarde tomar posição, mas ingenuamente enviei o rolo para revelar, como fazia com todos os rolos, e claro veio com as fotos queimadas...

Mais tarde, já nos últimos meses que sabia ia estar em Angola, fui com o Jorge Serra, alferes médico, passar umas férias no sul  e estávamos em Moçâmedes numa esplanada, quando assistimos a um acto repelente;  entrou um casal de  africanos, com um miúdo pequeno, todos muito limpos,  o catraio vestido de marujo com um impecável fato branco, e sentaram-se a uma mesa. Veio o empregado, também negro, dizer-lhes que não podiam ser servidos ali, tinham que sair.

 Nós os dois demos um salto nas cadeiras! E chamámos  o casal para se vir sentar na nossa mesa. Dirigi-me ao patrão, lá dentro do café, e em voz alta para que toda a gente ouvisse, disse-lhe que "andam os portugueses a morrer no norte e vocês aqui no Sul a cometerem estes atentados  à  dignidade das pessoas". Que mandasse servir os africanos e que iria dali apresentar  queixa no quartel da cidade.

Assim aconteceu, os africanos  beberam o que pediram, pagaram do seu bolso e saíram com muitos agradecimentos. Fomos dali ao quartel. em plena hora de serviço (só estava o "sargento de dia", nem um oficial!) e eu, como capitão, apresentei queixa por escrito.

Um mês depois, já no meu quartel, recebi uma chamada do quartel de Moçâmedes, a perguntarem-me se eu queria manter a queixa  !!... disse que sim,  voltei a vociferar mas de certeza que não ligaram nada.

Portanto estes actos vergonhosos comprovam que os nossos colonos, sobretudo os que viviam em zonas rurais, nas roças, praticavam actos condenáveis  em pleno seculo XXMas era o Estado Novo que os impelia nesse sentido.

Por agora chega de narrativa.  





 










quarta-feira, 21 de agosto de 2024

 Tempo dos incêndios

Cá estamos em plena época alta dos fogos rurais ou florestais, e por sinal tem sido uma época calma, comparando  com outros anos trágicos.

O incêndio que lavra há uma semana nas serras da Madeira é que se torna  difícil de aceitar; como é que a ilha que conta apenas com um  helicóptero, não foi auxiliada até agora por meios aéreos da Governo da Republica? O pais não é o mesmo? Olhem se em Lisboa estivesse um Governo do PS a gritaria que já iria por aí fora!!...

No local onde começou, de noite, não deixa margem para dúvidas de que foi fogo posto.

Eu vivi na Madeira mais de sete anos e em metade desse tempo fui Administrador Florestal do Funchal e Porto Santo; em todos esses anos nunca houve  nada que se parecesse com estes incêndios. Durante o tempo em que chefiei aquele Serviço devo ter tido uns 3 ou 4 inícios de fogo nas serras, incluindo um no Pico Ruivo, de muito mau acesso. Este foi posto por criadores de gado;  havia pessoal que queria manter gado à solta nas serras, o que ia contra a missão dos florestais que era arborizar o mais possível -  tinham-se  criado 4 grandes rebanhos mantidos por pastores (eles e as famílias tinham ido da Serra da Estrela para lá) e a que os proprietários do gado pagavam uma bagatela simbólica.  Mas havia alguns poucos  do lado de Santana que continuavam a não aceitar e então pegaram fogo lá no alto.

Eu fiz-me acompanhar de 2 guardas-florestais, munidos de "mausers", subimos mais de 1 hora pela vereda e lá defrontámos os homens, cinco ou seis, que estavam ao lado do fogo que tinham iniciado e que, se continuasse, pegava a um povoamento magnifico de urze arbórea, espécie endémica; parecia uma cena de guerrilha  (e eu ainda não tinha ido para a guerra de África...), dei ordem por 2 vezes para eles começarem a apagar o fogo, e como não obedeciam disse-lhes que ia haver sangue e mandei os guardas e eu mesmo, meter a bala na câmara com aquele ruído característico de quando se  usavam as "mauser"...

 Ai eles começaram a apagar o fogo com ramagens, disse aos guardas que ajudassem e disse-lhes que quando o fogo estivesse apagado esperava por eles no café da povoação para conversarmos. Acabámos por  chegar a acordo, eles recuperavam os  ovinos e caprinos e eram incluídos  num rebanho daquela região

Como havia casas de guardas-florestais bem localizadas, sempre que houvesse uma pequena coluna de fumo havia sempre quem a detectava e eram debelados à partida.

Agora é o que se vê...