domingo, 25 de janeiro de 2026

 Cada dia maior suspense

Estamos a viver uns tempos de grande suspense, quer cá na nossa terrinha quer no mundo, se bem que o que se passa cá dentro  nenhuma influência terá no resto do planeta, nem sequer na Europa; mesmo assim acho que podemos  elogiar a forma como as  forças democráticas, no nosso Portugal, têm resistido e suplantado os reaccionários populistas que são tão comuns no Poder em diversos   países. 

É espantosa a "artilharia "  que um fantoche como André Ventura exibe, nomeadamente na falsidade de situações que ele  e a pandilha que o rodeia  inventam e que não são situações que realmente se passem de verdade, bem como o uso vergonhoso da IA.  O uso da IA deve merecer a maior preocupação, pois se é uma espantosa invenção da Humanidade, se não for regulamentada, como o não são também as redes sociais, torna-se um instrumento criador de grandes constrangimentos sociais.

As sondagens dão agora na 2ª volta das Presidenciais uma maioria esmagadora para o Seguro; e o pateta do Ventura anda a proclamar que  essa maioria de  votantes  não é  por gostarem todos dele mas  sim porque são anti- Ventura!  Mas que grande descoberta, claro que os votos em Seguro são exactamente contra o Ventura, mas ele  só fez agora essa descoberta !!

E pelo mundo fora  vai uma onda gigantesca de oposição aos excessos que Trump continua a propalar; para ele só ele mesmo é que sabe, só ele mesmo é que decide  no "seu"  mundo, que já não é apenas as Américas, são agora também o Irão ( mesmo com o apoio sabujo dos fascistas israelitas) mas onde os seus velhos aliados ditatoriais como os Emiratos e a Arábia Saudita começam a torcer o nariz.

Já tenho escrito isto, mas como é que o cabeça de cenoura há-de  apoiar a Ucrânia  contra a Rússia  quando ele quer fazer o mesmo com a Dinamarca. aliado da Nato; a ponto de Putin já começar  a evidenciar preocupação com os devaneios trumpianos...

É mesmo um tempo de loucos, quando o planeta mais precisava de união de todos os seres humanos para uma estratégia comum de sobrevivência dos ecossistemas!!






segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

 Vamos ter novo Presidente?

Ontem foi um dia de nervos, a ver quem passava à 2ª volta da  eleição presidencial. Por artes de magia - ou por milagre!!-  passou com alguma vantagem o Seguro  e depois o Ventura. È uma des-ventura ter um candidato da direita radical, reaccionária e ditatorial,  tão bem posicionado, mas ainda assim podemos dizer que estamos com sorte, há países onde a subida dessa direita protofascista foi galopante e está  em Governos de velhos países democráticos.

Foi espectacular a queda do Marques Mendes, em 5º lugar, a mandar recados directo para o Montenegro. E tivemos ainda sorte em não ter conseguido ser eleito o Cotrim, da ala libertista, embora se diga liberal - mas liberais somos todos nós, o que não somos é partidários do liberalismo, por isso eles são libertistas.

Está mesmo a ver- se que  muita gente da esquerda votou no  Tõ Zé Seguro, tão baixa foi a votação nos partidos da esquerda, por isso desses sectores não virão muitos mais votos  na 2ª volta - espera-se que o PSD  se afaste das suspeitas que pesam de haver simpatizantes dos "chegas". 

E os patrões do PSD de hoje, se tiverem um mínimo de  vergonha, devem deixar de relembrar os fundadores, Sá Carneiro e os outros, Magalhães Mota e Sá Borges, que nada tinham de liberalismo, eram social democratas - a ponto de terem querido inscrever o PPD na Internacional Socialista, onde Mário Soares travou essa  adesão. De Balsemão, que repouse em paz, não diria que era assim tão centro esquerda... Mas eu ainda  convivi com Magalhães  Mota, e as suas convicções eram firmemente social democratas.

Vamos a ver como se comportam estes PSD na 2ª volta... Alguns militantes da "velha guarda" já se pronunciaram a favor do Tó Zé, falta o grosso dos demais votantes.








domingo, 18 de janeiro de 2026

Sob o signo das ditaduras 

Entramos  neste ano, a passar o quarto de século, sob o signo das ditaduras que se elevam um pouco por todo o mundo.

Duas potências hegemónicas já existiam em regime de ditadura há anos e anos. a China e a Rússia; temos tido até aqui o Ocidente com as democracias, melhores ou piores, mas sob o signo  das leis democráticas. Eis  que o inimaginável acontece, os EUA entram no caminho da ditadura, país que era a cabeça da democracia  está a alimentar o louco cabeça de cenoura, Trump, e a corja dos que o rodeiam que são ainda piores que ele e estimulam as suas loucuras.

Uma réstia de esperança ainda subsiste, enquanto a maioria dos americanos parece estarem a revoltar-se contra os excessos do actual Presidente.

Neste momento está a ameaçar os passes   europeus, membros da NATO, que se opõem que ele tome posse da Gronelândia. É uma loucura completa e alguém terá de travar este aprendiz de ditador, cargo que ele já referiu como brincadeira...

Hoje vou votar para as Presidenciais e corre-se o risco de, também cá, termos um candidato aprendiz de ditador com fortes apoios eleitorais.  ´É uma consequência das  asneiras, incluindo corrupção e clientelismo  que os Partidos têm praticado ao logo dos anos. Aparece um tipo com boa presença e conversa fácil e vende a ditadura envolta em gases de felicidade. Ao que nós chegámos!!

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Novo Ano

O novo ano surge carregado de nuvens negras, o mundo está num tempo das piores  coisas que o génio humano é capaz de conceber.
Começa a tornar-se insuportável as decisões de Trump,. a intrometer-se em tudo quanto  cheire a negócio, com a maior desfaçatez que seria difícil de imaginar.
A única hipótese de futuro dignara o mundo - já que de Putin só se espera o mesmo comportamento de Trump e da China, com muita calma. também acabará por revelar  a sua superioridade - é em próximas eleições os americanos tirarem de tentar mais num golpe, pois tem tudo para ser um ditador e já falou nisso como que a brincar. Só que el não brinca, atira umas bocas para mais tarde resolver o assunto. E ter um ditador nos EUA será o mundo virado do avesso.

Cá pela nossa casa vai a campanha para Presidente da República e creio que estamos perante a pior campanha eleitoral desde que temos  a liberdade dada pelo 25 de Abril.
Candidatos formais  estão nas mesmas listas que três que não foram aceites pelo  Tribunal Constitucional , um erro crasso que demonstra a incompetência de quem está à frente destas matérias.
 E não, foram, capazes de imprimir uma folha A4 a indicar os três nomes das listas que não podem ser votados, e colocar uma folhinha dessas em todas as mesa eleitorais. Vai haver muito voto nulo, esperamos para ver!
Dos candidatos possíveis só os três dos partidos minoritários, do Livre, do Bloco e do PC. não têm dado que falar pelas asneiras. Dos outros um faz o pino,  outro  vai  fazer ginástica a uma aula da terceira idade e faz ginástica de gravata  e casaco vestido, outro mete-se num barco a descer o rio Paiva para mostrar que e forte e robusto... Só o do Chega e o do PS têm tido mais compostura - serão que são estes dois que vão à 2ª volta?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Mais um ano

Cá estamos em 2026   e confesso que não imaginava estar  por cá tantos anos.

E neste mais de quarto de século nuvens negras adensam-se sobre nós todos. Claro que há milhões de seres humanos que nem sabem nem querem saber dos anos que passam, porque o inferno em que vivem é sempre o mesmo.

 Pense-se nos desgraçados que vivem no Corno de África - mortes violentas, febres, doenças derivadas da subnutrição, caminhadas de quilómetros para procurarem um abrigo...

Pense-se nas centenas de milhares de palestinianos com a sua terra desfeita pelos fascistas israelitas, os miseráveis acampamentos, onde tentam sobreviver, desfeitos pelas ventos e pela chuva, os parcos haveres  a boiar nas águas estagnadas, milhares de crianças a morrer de fome e de doenças - apanham-se  ervas para cozinhar  como alimento... Tudo porque dois fascistas - o corrupto primeiro ministro israelita e o anacrónico Trump com a sua cabeleira cor de cenoura a lançar fel  em tudo o que diz - a  praticarem a destruição de Gaza e da Cisjordânia, impávidos e serenos, enquanto os demais lideres do mundo encolhem os ombros ou fazem proclamações que não têm consequências.     E depois queixem-se de que está a subir no mundo um anti semitismo - quem não quer ser lobo  não lhe veste a pele.

Pense-se na miserável guerra imposta  por outro fascista, o neoczar Putin, à Ucrânia, a quem quer tirar o direito de ser independente e fazer as escolhas que entender. O povo russo tem aquela sina secular de ser escravizado por chefes, desde os czares e a corja de nobres e proprietários, depois a outra corja dos "democratas" que inventaram a URSS  supostamente onde  quem governava era o povo soberanos- foi mesmo isso que aconteceu...

A crescente onde de autocracias que se espalha pelo o mundo é de uns autoproclamados  e iluminados líderes  que se constituíram sempre à custa da fragilidade das democracias - e se organizam numa "internacional fascista" que se torna mais perigosa e duradoura porque tem a que é a  impensável liderança americana do Trump e da corja de seres humanos que o rodeiam, sempre na espera de regalias e acesso ao Poder.

Estamos por isso num mundo em que os homens se comportam tal como há 7 ou 10 mil anos, quando os considerávamos primitivos -mas agora tendo nas mãos tecnologias e armamento   capazes de destruírem o planeta.

Por cá, os idealistas  das décadas anteriores, a seguir ao derrube do velho Estado Novo, e em que eu me posso incluir e mais uns tantos como foram  Gonçalo Ribeiro Telles, Ilídio de Araújo, Delgado Domigos,  Cruz de Carvalho, Afonso Cautela, Jorge Paiva, Eurico Figueiredo (falecido há poucos dias), José Carlos Marques, António Eloy, o "lunático" João  Reis Gomes e tantos, tantos mais, uns falecidos outros ainda vivos e desiludidos,  foram e são isto mesmo - idealistas que não conseguiram  influenciar  suficientemente a população e a deixaram incapaz de evitar o descalabro para onde nos está a levar  a governança do País-  e o mesmo na maior parte do resto do mundo.

Não sou dado a enaltecer heróis, mas tenho na minha sala tres  símbolos  que, para mim, representam o melhor da vida: Beethoven, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa.

Escrevi estas notas no dia 1 de Janeiro de 2026 a ouvir Beethoven, com o som bem alto...



segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

 Sempre ao correr do tempo...

Mais um longo período sem deixar aqui as notas do que se passa e do que eu entendo sobre isso.

Boas notícias

1- No dia 4 nasceu a minha neta mais nova, filha da minha filha Ana, chama-se Leonor e veio ao mundo com o peso de 4 kg. Não auguro nada de bom para o tempo em que ela será adulta, com estes ciclos de politica infernal que alastra pelo mundo.

Pode ser que entretanto a Humanidade reaja e um futuro mais risonho a espere.

2- Realizou-se entre 5 e 6 deste mês de Dezembro o XXXº Congresso da Federação  das ONG ambientais, que continua a ter como presidente o José Manuel Caetano, creio que desde a fundação da Federação. Teve lugar em Lousada, onde uma Câmara Municipal de um pequeno Concelho com 45 000 habitantes, conseguiu organizar este evento com uma perícia e uma eficiência dignas de louvor.

E para mim foi uma surpresa enorme assistir aos delegados de grande número de ONG presentes, tudo gente nova, consciente e lutadora; é uma actividade larvar que se desenrola em pequenas localidades e até por causas muto específicas.  De toda essa actividade  não há referência na comunicação social - jornais, rádios e tv são capazes de encher com grandes parangonas  os noticiários até de coisas de baixa política, mas  nunca os vejo as exaltar estes movimentos da sociedade.

3 - Está a chover bem no Algarve, com quase todas as  barragens em bom nível- esta chuva é preciosa, pois sabemos que vão  surgir grandes secas, e não é "se", é "quando", porque elas são inevitáveis. Melhor seria se deixassem de ser implantados mais hectares de abacateiros, cujo alto consumo de água ( e de solo) não prometem um bom futuro um bom futuro.

Más notícias

1- Saiu no último "The Economist" uma notícia que parece ser muito boa, de que a economia portuguesa está no topo do ranking europeu, mas como alguém disse o País está muito bem, os portugueses é que não. Mas é má notícia porque na realidade de cada português os salários são baixos e o custo de vida é alto e existem uns 2 milhões de cidadãos na pobreza.  A economia tem beneficiado do turismo, e não de actividades criativas . 
Há imprensa e  revistas como o Economist  que são o sustentáculo da política liberal implantada na Europa; as ideologias democráticas, que trouxeram paz e bom nível de vida através do Estado Social, como são  a social democracia ou socialismo democrático e a democracia cristã, foram infectadas pelo fungo do liberalismo e por isso, creio eu, os Partidos ditos liberais têm sempre pouca expressão -já existe ideologia liberal que baste nas políticas europeias e, claro, nos EUA.

Numa altura destas em que tantos países  foram atraídos pela extrema direita ou direita populista, (e Portugal também está nesse rumo) as instituições internacionais  e a sua imprensa "isenta" têm que dar uma ajuda.

Já em 2019 o Prof. J. Stiglitz, Prémio Nobel da Economia, escrevia que as políticas neoliberais há mais de 40 anos que comprometem a democracia nos nossos países

E o caminho infalível do liberalismo, indiferente às condições sociais dos povos e apenas  vocacionado  para o lucro crescente dos capitalistas,  acaba nestas práticas políticas populistas e demagógicas que afectam já grande parte  dos países democráticos. Por isso o que podia ser uma boa notícia é uma má notícia, pois é apenas mais um reforço duma publicação do sistema para apoiar as políticas liberais do governo português.

No entanto há sinais contraditórios quanto à sociedade portuguesa. Por um lado sabemos da grande  porção de portugueses que vivem na pobreza, os dados falam em mais de 2 milhões, e haverá outros tantos em situação periclitante.

Mas nunca se viu tanto carro e tantos dos modelos de topo de gama, por estradas a e autoestradas e esgotam-se os hotéis e restaurantes para os dias de festas.  Para ir a um restaurante é  preciso marcar com antecedência e já não apenas nos restaurantes de luxo, até nas tascas já pedem a reserva. Portanto há uma camada igualmente  importante da população portuguesa que vive bem e gasta em supérfluos. É uma sociedade desequilibrada.

2- A atitudes de Trump não param de atingir todos quantos pelo mundo fora têm posicionamentos  diferentes das suas arremetidas extravagantes e meramente comerciais - para ele política é apenas negócio que possa trazer lucros para si  e para a família  e amigos.

As palavras de desprezo e de desafio que ele enderece aos europeus é apenas a exteriorização da sua ambição mundial. Para ele há tres poderes mundiais  que devem dividir o mundo em sectores e domínio: os EUA, a China e a Rússia, tudo grandes nações com regimes  praticamente ditatoriais. A Europa fica para o espaço russo, pois os regimes democrátic0s europeus ( mas que também, se encontram em alguns, poucos, países de outros continentes Canadá, México, Austrália, Nova Zelândia, Japão, Coreia do Sul...) não encaixam na capacidade de negociatas que ele, Trump, cultiva acima de tudo.

Eu espero que este ciclo de autocracias que renascem na Europa, sejam a pouco e pouco varridas; na Hungria cada vez  o guru Orban enfrenta uma oposição democrática, a Itália tem em  Meloni uma extrema direita mais sensata e, por exemplo, apoia a Ucrânia. Se, como tudo indica, nos EUA vai crescendo a oposição ao Trump e se ele perder o domínio do Senado, então aumenta a esperança em que, a pouco e pouco, este ciclo de autocracias vá perdendo folgo.

Há muitas mais coisas más para referenciar, mas já chega de escrever por agora!"







 



terça-feira, 25 de novembro de 2025

 Ao correr do tempo

Democracia e autocracia- Certamente em todos os tempos as pessoas mais preocupadas  com a vida em sociedade devem ter colocado as mesmas interrogações que hoje muitos de nós assumimos -  tempo de convulsões e de fragilidades sociais.

No chamado Ocidente, mas que inclui países que não são propriamente ocidentais, como Austrália, Japão ou Nova Zelândia, conseguiu-se aperfeiçoar uma noção de vida social em democracia. Foi a Europa, e sobretudo no Sul,  que  se revelou sempre como  um cadi8nho de inovações sociais, desde a paidea  grega  e depois com a romanização do continente.

Mais tarde evidenciou-se  o Renascimento - não foi por acaso que também surgiu na Europa do Sui,com a força cultural da latinidade e também não foi por acaso  que o pequeno território que é Portugal  se lançou nas rotas marítimas e dar a conhecer o  mundo até aí desconhecido -foram os descobrimentos.

Pode-se dizer hoje que fomos colonizar outros  territórios, que negociámos escravos, que explorámos os recursos de outras latitudes ( diga-se  em abono da verdade que nem sequer explorámos, como poderíamos ter feito...) - podemos dizer isto hoje, quando a nossa mentalidade felizmente  evoluiu ao contrário de outros povos que acham que invadindo países vizinhos estão a acrescentar algo de bom para a Humanidade.

E se nós devemos pedir desculpa pelo que fizemos nas ex-colónias, será que Roma pede esculpa por nos ter colonizado ou os antigos gregos? Isto é importante: fomos negreiros, mas quando as caravelas chegavam a uma praia africana, não desembarcavam tropas para irem apanhar os escravos -eram os chefes das aldeias que acorrentavam os homens e os vinham vender aos navios. Em Angola é conhecido o papel da Rainha Ginga que  era forte negreira e fazia guerras aos povos vizinhos só para capturar escravos Algum chefe africano já pediu desculpa por os seus antepassados terem praticado a escravatura de irmãos da mesma raça.

O nosso colonialismo é certo só se tornou obsoleto e indigno para o nosso tempo em pleno século XX, com o Estado Novo e o salazarismo; quando todos os países deram a independência  às suas colónias Portugal salazarista inventou desculpas para manter as  suas - as Províncias Ultramarinas - como se o resto do mundo acreditasse nesta invenção!! E no entanto tínhamos sido o primeiro país a descolonizar quando se deu a independência ao Brasil.

Mas com uma velha ditadura cá dentro como é que podia o regime aceitar que as colónias fossem países independentes e democráticos?! Neste aspecto só Cabo Verde e São Tomé e Príncipe se mantêm ainda hoje como democracias -até exemplos para a maioria de outros países de todo o mundo.

Portanto não podemos negar que fomos colonizadores, que andámos no repelente regime da escravatura mas  quando o tempo era esse; nós fomos colonizados pelos romanos e não nos demos nada mal com isso...

Corrupção quotidiana

Não passa um dia sem que surjam na comunicação social casos de corrupção, que abrangem todas as camadas, desde banqueiros, a  funcionários públicos e até médicos.

É o retrato da sociedade que nos envolve, mas pasmo como é que certas pessoas envolvidas podem pensar que faziam aquelas manigâncias sem serem descobertas mais dia menos dia. Como é que podem acreditar que  faziam aquilo e passavam despercebidas ?!

As guerras  indecentes

Há guerras decentes quando um país tem de enfrentar inimigos  para se defender e manter a sua independência. É o caso da Ucrânia que foi invadida e o pior exemplo de autocrata que é Putin da Rússia, este faz uma guerra indecente, apenas por cá só os comunistas o defendem...

Mas o que se passa na Palestina, e no Sudão, para referir os mais espectaculares, são guerras totalmente  indecentes,   repletas de crimes contra a Humanidade, em pleno século XXI!!

A vergonha da proposta de Trump

Como é ainda possível fiar-se nas promessas e aviso do Trump? A proposta de paz para a guerra na Ucrânia coloca todas as exigências que o estupor do Putin pretender  alcançar. A Europa tem rapidamente que assumir um papel mais interventivo  nos negócios do mundo; apesar de muitos governos europeus estarem já nas mãos da extrema direita, s dois, entre eles a Hungria,  tem as desvergonha de se opor.

25 de Novembro

Cá estamos hoje  na reivindicação da direita mais retrógrada a comemorar a data que querem equiparar ao 25 de Abril; eu acho estranho que  seja assim, pois nesse dia a direita não conseguiu o que queria, que era a inviabilização do PCP.

Eu já tenho dito noutras alturas que sinto que tive o privilégio de estar a trabalhar no olho das acções do PREC - como Chefe de Gabinete do G R Telles, trabalhei todo o ano de 75 no Terreiro do Paço, e vi todas aquelas confusões, manifestações, algazarras, era a democracia  a implantar-se, num parto difícil de aprendizagem. Ninguém foi morto ou ferido, as Únicas mortes que ocorreram com o 25 de Abril ainda foram feitas pelos pides que disparam pelas janelas contra a multidão que se amontoava em frente ao nojento quartel, mesmo pegado com o Centro Nacional de Cultura. O PCP tinha mais fama que proveito ( nas primeiras eleições o PCP teve 13%...) e  quem realmente organizava os grandes protestos eram os da extrema esquerda com o respaldo do Otelo, um pateta sem formação política que era perito em organizar as acções mas sem  jeito para comandar fosse o que fosse. Os Governos do Vasco Gonçalves, já com prática de intentonas ( eu sei do que falo...) eram um regabofe de instabilidade, querendo fazer o jogo claro do PCP mas sempre rodeado de uma encenação teatral, cada vez  eram piores, o Vº Governo foi um desastre. Pelo contrário a extrema esquerda era mais anarquista que outra coisa, e chegámos  ao VIª Governo do Pinheiro de Azevedo com uma política moderada, porque por trás dele estavam os moderados do Grupo dos Nove, em que sobressaía Melo Antunes  (de quem eu fui amigo desde a patente de alferes). 

 A extrema esquerda - com o PCP a aproveitar, claro- em Novembro criou tal desordem que se preparavam para um golpe já que algumas unidades, como o Ralis em Lisboa e os paraquedistas, alinharam com essa bagunça. O que interessava à direita mais revanchista era que o PCP fosse erradicado, e essa reivindicação  saiu-lhes furada..

Em 26 de Novembro, depois de executado o plano elaborado por Ramalho Eanes e com a intervenção dos Comandos de Jaime Neves, surgiu na Tv à noite o Melo Antunes  a dizer quer a revolta fora dominada e que o PCP não seria erradicado porque fazia parte da ampla democracia que as Forças Armadas apoiavam. O General Costa Gomes, que era o Presidente da República, fora fundamental para acalmar as Forças Armadas e substituiu o Otelo na chefia do COPCOM pelo Vasco Lourenço, um dos mais evidentes do Grupo dos Nove.

No embate da tropa do Jaime Neves contra a Polícia Militar, na Calçada da Ajuda, morreu um  dos sitiados porque tentaram ripostar contra os comandos e estes não brincam em serviço...; eu e o Gonçalo estivemos lá, misturados na rua com a multidão que, nas vizinhanças  do embate , se havia juntado. São memórias que guardo com saudade e com respeito, porque fui testemunha de actos definitivos para a defesa da democracia.

E não se pode esquecer a importância que tiveram Mário Soares e Salgado Zenha, verdadeiros  baluartes  da democracia.

Por isso comemorar hoje o 25 de Novembro como se se tratasse duma vitória da direita sobre as esquerdas, é um disparate mas atesta bem como este actual Governo do PSD e CDS  se aproxima dos "chegas" e das forças mais reaccionárias que pululam no país.