quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Mais um ano

Cá estamos em 2026   e confesso que não imaginava estar  por cá tantos anos.

E neste mais de quarto de século nuvens negras adensam-se sobre nós todos. Claro que há milhões de seres humanos que nem sabem nem querem saber dos anos que passam, porque o inferno em que vivem é sempre o mesmo.

 Pense-se nos desgraçados que vivem no Corno de África - mortes violentas, febres, doenças derivadas da subnutrição, caminhadas de quilómetros para procurarem um abrigo...

Pense-se nas centenas de milhares de palestinianos com a sua terra desfeita pelos fascistas israelitas, os miseráveis acampamentos onde tentam sobreviver desfeitos pelas ventos e pela chuva, os parcos haveres  a boiar nas águas estagnadas, milhares de crianças a morrer de fome e de doenças - apanham-se  ervas para cozinhar  como alimento... Tudo porque dois fascistas - o corrupto primeiro ministro israelita e o nojento Trump com a sua cabeleira cor de cenoura a lançar fel  em tudo o que diz - a  praticarem a destruição de Gaza e da Cisjordânia, impávidos e serenos enquanto os demais lideres do mundo encolhem os ombros ou fazem proclamações que não têm consequências.     E depois queixem-se de que está a subir no mundo um anti semitismo - quem não quer ser lobo  não lhe veste a pele.

Pense-se na miserável guerra imposta  por outro fascista, o neoczar Putin, à Ucrânia, a quem querem tirar o direito de ser independente e fazer as escolhas que entender. O povo russo tem aquela sina secular de ser escravizado por chefes, desde os czares e a corja de nobres e proprietários, depois a outra corja dos "democratas" que inventaram a URSS  supostamente onde  quem governava era o povo soberanos- foi mesmo isso que aconteceu...

A crescente onde de autocracias que se espalha pelo o mundo é de uns autoproclamados  e iluminados líderes  que se constituíram sempre à custa da fragilidade das democracias - e se organizam numa "internacional fascista" que se torna mais perigosa e duradoura porque tem a que é a  impensável liderança americana do Trump e da corja de seres humanos que o rodeiam, sempre na espera de regalias e acesso ao Poder.

Estamos por isso num mundo em que nos homens se comportam tal como há 7 ou 10 mil anos, quando os considerávamos primitivos -mas agora tendo nas mãos tecnologias e armamento   capazes de destruírem o planeta.

Os idealistas  das décadas anteriores, a seguir ao derrube do velho Estado Novo, e em que eu me incluo e mais uns tantos como foram  Gonçalo Ribeiro Telles, Ilídio de Araújo, Delgado Domigos,  Cruz de Carvalho, Afonso Cautela, Jorge Paiva, Eurico Figueiredo (falecido há poucos dias), José Carlos Marques, António Eloy, o "lunático" João  Reis Gomes e tantos, tantos mais, uns falecidos outros ainda vivos e desiludidos,  foram e são isso mesmo - idealistas que não conseguiram  influenciar  suficientemente a população e a deixaram incapaz de evitar o descalabro para onde nos está a levar  a governança do País. e o mesmo na maior parte do resto do mundo.

Não sou dado a enaltecer heróis, mas tenho na minha sala tres  símbolos  que, paras mim, representam o melhor da vida: Beethoven, Eça de Queiroz e Fernando Pessoa.

Escrevi estas notas no dia 1 de Janeiro de 2026 a ouvir Beethoven, com o som bem alto...



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