quinta-feira, 15 de julho de 2021

 A água  é um recurso público

Empresas privadas voltam à carga  para tentarem conseguir a privatização da água. Logo no início deste Ministro do Ambiente, no anterior Governo. foi enviado ao Algarve um Secretário de Estado para tentar a privatização das Águas do Algarve, o que foi recusado por todas as Autarquias algarvias.

Mas o negócio deve ser tão aliciante que as Empresas privadas do sector do Ambiente  não desistem e é preciso que haja um sobressalto de consciência nacional para assegurar que a água, que  é um recurso escasso e de interesse eminentemente publico, é nas mãos da gestão publica que deve continuar.

Teremos que exigir à gestão pública competência e integridade, temos que vigiar as negociatas e o eventual aproveitamento político da gestão do sector -  mas todos quantos se preocupam  com a defesa intransigente dos recursos naturais devem sair a terreiro por esta causa.

Importa fazer valer junto da UE que a concorrência nos negócios a que se refere a Associação das Empresas Privadas,  certamente válida para muitos aspectos da economia, não pode aplicar-se a um bem raro, escasso e insubstituível como é a água, sobretudo num País da latitude mediterrânica que sofre - e vai ver aumentado esse sofrimento - com a falta de água, as secas prolongadas e os fenómenos extremos de chuvadas torrenciais em que muita da água não é armazenada e secas prolongadas.

Continuamos sem saber se existe no Ministério da Agricultura qualquer estratégia de investigação para encontrar culturas de ciclo curto e resistentes à aridez, como se pratica em países da nossa condição climática. Mas o mesmo Ministério da Agricultura continua a apostar na clássica agricultura intensiva de regadio, diminuindo as preocupações com a água necessária, porque "ela vai dando". Aqui no Algarve D R Agricultura promove publicamente a extensão dos pomares de abacateiros,  e afirma que água vai dando, enquanto a CCDR multa empresários por fazerem plantações de abacateiros em cima da REN - mas tres anos depois da plantação,  com a fruta quase a ser colhida, como é que é ? Vai mandar arrancar as árvores? Isto tem alguma credibilidade?

Este Inverno choveu mais um pouco, mas só por inconsciência se pode dizer que problema fica resolvido; as alterações climáticas continuam a ser uma retórica governamental sem correspondência nas  políticas seguidas.

Parece que ninguém ficou alarmado por se  terem registado temperaturas de 18º na Antártida - fica  lá tão longe...

Continuamos por cá a ver a publicidade sofisticada às "florestas de produção" e continuamos sem uma politica florestal global, com  o devido ordenamento florestal, que coordene a implantação das matas ( não é das florestas) seja de produção ou de protecção.

São tudo aspectos que tem directa e inevitavelmente a ver com a falta de água em várias regiões do planeta - e nas latitudes mediterrânicas isso afecta-nos já. Continuamos numa economia de casino, dura...enquanto dá, depois quando escassear muda-se para outro lugar, para outro "casino".

Volto como comecei, é urgente travar esta campanha para a privatização da água, é preciso que todos quantos se preocupam se ergam e façam alguma coisa !!













segunda-feira, 12 de julho de 2021

Passados 15 dias de enviado, este artigo não foi aceite pelo "Publico" 

A História mal tratada

Há demasiado tempo que se assiste aos tratos de polé a que a História de Portugal tem vindo a ser sujeita, nomeadamente  com autores que assinam como historiadores.

Eu não sou historiador, mas estudei sempre muito essa disciplina, tenho uma razoável pequena biblioteca de História e sou, acima de tudo, um cidadão português activo e interveniente que quer contribuir para uma massa crítica na opinião pública, e que continua a faltar no nosso cantinho lusitano - e por isso se sofrem as lógicas consequências.

A História faz-se no dia a dia e sempre se fez com os actos praticados pelos povos e seus dirigentes, de acordo com as leis e costumes de cada época. Interpretar a História hoje, de acordo com as convicções ideológicas de cada "historiador", é tudo menos dar a conhecer a História e não faltaram ao longo dos tempos os "senhores da verdade" que sempre tentaram reescrever a História de acordo com os seus limitados e deturpados interesses.

Está na altura de dizer basta, deixem-se de discussões parvas como algumas a que temos assistido e revelam o enviesamento das mentalidades, para a esquerda e para a direita. Quando se lêem textos e afirmações de um Loft ou de uma Bonifácio, para citar apenas dois nomes, ficamos esclarecidos.

Está na moda, que não é só portuguesa, de se pedir desculpa  pelos factos cometidos há séculos pelos nossos antepassados, seja colonialismo seja escravatura; é outro redondo disparate nos moldes em que é praticado. Defender hoje qualquer justificação para a escravatura - que continua a praticar-se, com outra designação, como temos visto cá pela terra...- é um crime e sem desculpa. Mas historicamente todos os povos e culturas praticaram a escravatura, K. Marx fixa-a como um período da evolução da economia.

Aqui há uns anos estive na ilha de Goreia, no Museu da Escravatura, eramos dois portugueses num grupo de franceses e o cicerone explicava o negócio negreiro apenas dos portugueses. No fim pedi a palavra e no meu arrazoado francês disse ao sujeito que na sala havia um painel com os nomes dois principais negreiros, eram franceses, holandeses,  ingleses, mas nenhum era português. Ele embatucou. E acrescentei que os navios chegavam às praias e não desembarcavam tropas para irem arrebanhar homens - eram os sobas e chefes das aldeias que os traziam à praia e os vendiam, todos sabem isso,

Já algum chefe africano de hoje pediu desculpas por os seus antepassados terem vendido os seus próprios cidadãos? O sujeito voltou a embatucar e ficou  mudo...

Animistas e muçulmanos praticaram a escravatura; os árabes eram mestres nesse negócio - já algum dirigente ou chefe religioso muçulmano pediu desculpa por isso? Se calhar fui eu que não ouvi ou li ...

Quando lemos certas tiradas demagógicas de ideólogos ditos historiadores, mais apreciamos a independência intelectual de personalidades que nos ensinaram a História e cito apenas dois, Vitorino Magalhães Godinho e José Matoso. 

Que se desvirtuam as interpretações históricas para servir regimes autoritários, sempre aconteceu, e  a mente humana conserva atavismos pelos séculos fora - se Zoroastro viveu quinhentos anos aC e ainda hoje há milhares de zoroastrianos, não espanta que depois dos crimes de Hitler ainda haja nazis, depois de Estaline ainda haja estalinistas e, à nossa escala, que depois da noite negra do Estado Novo ainda haja quem enalteça o salazarismo e a "grandeza" de estadista de Salazar.

Realmente crime é andar ao arrepio da História com fez Salazar ao manter as colónias em pleno século XX, com a  hipocrisia de lhes chamar Províncias Ultramarinas, quando todos os países civilizados já estavam a descolonizar - e até Portugal tinha dado o exemplo em pleno século XIX com a independência do Brasil. Agora, em vez de fazerem grandes manifestações contra os "descobrimentos" ou "achamentos", recordem mas é a ciência das navegações e o Tratado de Tordesilhas, como exemplos de tecnologia avançada  e de conhecimento científico que nem os vizinhos espanhóis percebiam porquê...

A História faz-se com factos realizados em cada época e estes só são criminosos quando são feitos ao arrepio da evolução da vida  e da História.









domingo, 11 de julho de 2021

 Carta de leitor enviada ao Publico em 29 de Junho passado


Começa já a falar-se  de que haverá uma remodelação do Governo, tantos são os sinais e fadiga, de disparates, de nítido cansaço institucional - chegado o fim da Presidência portuguesa da UE. Mas não acredito que António Costa faça uma remodelação governamental como o País precisaria, porque os vícios acumulados e as complicadas dependências entre os amigos dos diferentes lobbies dentro do PS, não o permitirão. Na lógica duma cidadania activa em que me coloco, são cruciais para o País políticas totalmente diferentes das até agora seguidas em áreas que tem a ver com a sustentabilidade do território e a vida equilibrada a médio e longo prazo, como são os domínios da agricultura e florestas e a do Ambiente que inclua o ordenamento da paisagem e a Conservação. E entregues a personalidades com conhecimentos e empenho convicto nas áreas para que forem nomeados - mas depois destes exemplos de mediocridade, de tiros nos pés, de clientelismo e de empurrar os problemas com a barriga, quem é que, entre as personalidades verdadeiramente capazes, quer entrar para uma governação onde apenas impera o interesse eleitoralista e se descuram as áreas de longo prazo, que dão menos votos? 

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Quando um organismo funciona mal...

As incongruências das governações portuguesas espelham-se nas soluções de organização do aparelho do Estado. Quando um organismo funciona mal, em vez de se remodelar e corrigir extingue-se. Foi assim - por ser exemplar  lá terá de vir à baila outra vez - com os Serviços Florestais, onde, ao serem extintos, levaram a que os guardas florestais fossem integrados na GNR, com a qual nada tinham a ver: e agora com o SEF, com carreiras de investigação específicas e adaptadas aos serviços que presta, mas em vez de se corrigir o que nele corria mal, pronto, acaba-se com o serviço.

Agora é anunciado mais um Serviço para coordenar a caça, caça que sempre esteve umbilicalmente ligada aos serviços florestais. E lá vai mais um encargo para o mesmo Ministro do Ambiente que, como não percebe nada disto nem do resto que lhe tem caído em cina ( excepto negócios de barragens,  de minas, etc...), tanto se dá que tenha mais um ou menos um encargo.

António Costa quer é ministros que sejam seus yess men, que aceitem o que ele pensa  e fiquem calados sem levantar ondas,,,





sábado, 10 de julho de 2021

REFLEXÔES  para matar o tempo 

Será que a democracia se aguenta?

A situação que  vemos a emergir no mundo ocidental está ainda no início e vai agravar-se. O grande problema mundial será o da qualidade do trabalho ou a falta dele e, dependente deste, acredite-se ou não, está o da democracia.

A democracia ocidental, a que  marxismo chama de burguesa, foi-se constituindo nos países ocidentais (que o são por termos como  centro a Europa) partindo de uma evolução  de mentalidades dos homens europeus, para a qual contribuíram  movimentos culturais e civilizacionais originados sobretudo na Europa meridional -desde  o Renascimento que rompeu com a idade Média e levou Portugal a viajar pelo mundo e a revelar povos e nações que se desconheciam; depois com o Iluminismo do Século das Luzes, mais tarde com a Revolução Francesa e a criação do Estado Moderno: por fim as ideologias democráticas  que se opunham quer ao comunismo quer ao liberalismo, como a social democracia e a democracia cristã e que, convenhamos,  tiveram muito a ver com a Encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII.

Significou também uma laicização progressiva das sociedades.

Penso que as democracias do "Estado Social" foram aquelas formas de vida colectiva mais avançadas e que até hoje melhor serviram os propósitos das sociedades evoluídas, pese muito embora a negação disto que é feita quer pelos liberais mercantilistas quer   pelos marxistas mais ortodoxos : o controle público da vida económica sem desvirtuar a liberdade criativa e as liberdades individuais fundadoras da democracia; a garantia de protecção social para todos; a escola pública; a saúde pública ao alcance de todas as classes por igual;  a justiça ( se bem que  imperfeita) aberta como suporte das liberdades democráticas.

Tudo isto foi conseguido à custa de uma economia que, para lá de pequenas oscilações, se ia mantendo progressiva, com possibilidades de emprego para as várias capacidades das pessoas, e com a base indispensável do sector primário. Havia trabalho para quase toda a população dos diversos países.

Ora os avanços tecnológicos e o crescente predomínio do sector financeiro foram alterando o quadro do trabalho. libertando mão de obra do sector  primário, menos qualificada e que nem sempre conseguia adaptar-se às exigências técnicas do sector industrial; veio depois um período de transição com o crescimento do sector dos serviços nas suas diversas facetas, e que absorveu, até dada altura, alguma da mão de obra liberta por outros sectores da actividade económica.

Mas chegados a este tempo do século XXI, as derrapagens começaram a sentir- se até em todos os países europeus, com grande incidência naqueles, como Portugal, de economia mais frágil e onde não se soube, a tempo, travar o caminho errado do desenvolvimento económico pressionado pela abertura desregulada dos mercados, que favoreceu logicamente as economias mais poderosas. Quem na altura própria  falou contra o Uruguai Round ( eu modestamente fui um desses) nem sequer foi ouvido ou então apelidado de comunista.

Hoje parece evidente que não voltará a haver trabalho digno para todos os milhares de desempregados - aqui como na restante Europa e, o que é mais preocupante, no resto do Mundo.

Ora não pode haver democracia em sociedades onde cada vez maiores percentagens da população não tem de que viver - não haja ilusões. Pode acontecer uma pequena melhoria de alguns sectores da actividade económica, poderá  haver alguma estabilidade no sector terciário, mais nuns países que noutros, mas isso não resolverá o fundo da questão básica : não haverá estabilidade de trabalho qualificado que chegue à população trabalhadora.

Os acontecimentos em curso no Norte de África e em todos o mundo islâmico não são essencialmente de cariz religioso, embora se possa verificar o aproveitamento nesse sentido - são alguns milhares de pessoas  que tiveram acesso a uma formação académica mais elevada e muitíssimos outros mais sem qualquer formação profissional, que não tem trabalho.

A maioria dos países muçulmanos situa-se em regiões de forte aridez e onde, para além do petróleo e do gás, não abundam outros recursos; tradicionalmente uma agricultura de subsistência, a pastorícia e o comércio sustentaram as populações ao longo dos séculos, sempre num nível de vida precário. Não existe uma tradição cultural democrática como no Ocidente, porque nem a religião  evoluiu  como as religiões cristãs, nem as economias possibilitaram uma emancipação das pessoas como indivíduos - tirando os magnates que sempre viveram a vida segregada nos palácios e haréns.

As religiões são datadas, têm um  tempo em que surgiram, adaptadas a esse tempo e às condições sociais e culturais dos povos em que se implantaram. As igrejas cristãs, em especial e primeiro a Igreja Católica,  acompanharam, embora a custo como sabemos, a evolução da mentalidade social, século após século - mas o Islão ficou preso às suas origens e até se foi fechando sobre si mesmo, cada vez mais. Houve um vislumbre de abertura nos tempos do Al Andaluz, Córdova e Silves, que se desvaneceu. Mas não é aqui a altura para reflectir sobre isso.

Portanto não devemos ter grandes esperanças na chegada da "democracia  ocidental" a estes países que não têm possibilidade de alimentar e dar condições de dignidade individual aos seus milhões de habitantes, e por outro lado o egoísmo e falta de solidariedade de certos Estados ricos como as monarquias do Golfo que, por exemplo, não mexem um dedo para ajudar a Palestina.  

Explorados, durante séculos de crescimento económico europeu, pelos países que os ocuparam até estes serem forçados a conceder-lhes a independência, agora, e perante a lei corâmica, só através de regimes autoritários assentes na paideia islâmica que interliga de forma inequívoca a vida civil e a vida religiosa, mesmo quando são ditaduras laicas, é possível manter alguma "estabilidade instável". Quando é que os mais de 80 milhões de egípcios  encontram trabalho digno?  E os milhões de argelinos ( mesmo assim com mais recursos)? E os milhões de iemenitas? Etc, etc...

Com acesso à mundialização dos conhecimentos, dos avanços tecnológicos e do consumismo que os países ocidentais ostentam e com o impulso gigantesco que lhe é dado pela política chinesa, milhões de seres humanos,  muçulmanos mas também  cada vez mais asiáticos e africanos vão querer muito mais do que aquilo  que hoje tem. Por outro lado os recursos do planeta estão achegar a limites inultrapassáveis   Então  como governar essa crescente insatisfação sem qualquer perspectiva de que as respectivas economias cresçam significativamente? E a fome e a revolta, como se enfrentam?  O consumismo é a causa das desgraças do mundo actual - por isso os regimes autoritários serão a via mais evidente, talvez mesmo a única via. 

A instabilidade social permanente e a violência nos países muçulmanos e do chamado terceiro mundo não é compatível com uma democracia tal como a temos conhecido.  Mas cá também...

Na verdade em muitos países europeus a falta de trabalho vai continuar enquanto não houver uma mudança radical do tipo de economia que se pratica em todo o mundo, enquanto não se retomar, em cada país e em cada cidadão, a consciência de cultivar cada palmo de terra e de saber viver dela  com perenidade ( e hoje as tecnologias permitem e facilitam esse trabalho); enquanto não se voltar ao mar e se libertar este da poluição que o asfixia; voltar á pesca e à aquacultura ecológica - e existem milhões e milhões de pessoas em regiões que não têm acesso ao mar e querem comer peixe, a qualquer preço; enquanto não se voltarem a reorganizar as sociedades humanas não se conseguem empregos para a grande maioria e, sem emprego, não se consegue paz  social.

Só ainda não há um regime autoritário em muitos países como o nosso porque a UE tem travado essa eventualidade. Mas até quando ?

....

Transcrevi estas reflexões  dum texto que escrevi em Fevereiro de 2011, e constato que poderiam ter sido escritas hoje, tal a actualidade daquilo que eu penso sobre a vida e o mundo nos nossos tempos. Mas agora temos um novo e grave acontecimento, dos maiores que a Humanidade já viveu nos tempos modernos : a pandemia.

A pandemia veio revelar  com maior nitidez o emaranhado de interdependências que foram criadas nas últimas décadas, e como as políticas neoliberais praticadas em todo o mundo e o capitalismo selvagem praticado pela China, tem contribuído para levar o planeta aos limites da rotura - não é fantasia, não é pessimismo. O paracetamol,  que todos consumimos no mundo inteiro, é apenas fabricado na Índia !

O famoso Stephen Hawking escreveu "somos todos navegantes do Tempo "  e o tempo acelera-se para todos nós.

Já há uns dois ou tres anos o Prof. Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia em 2001, sobre o que passava no ocidente e no mundo em geral,  escreveu: "O neoliberalismo prejudica a democracia há 40 anos. Os efeitos da liberalização do mercado foram particularmente odiosos...". E ainda ; "Após 40 anos os números estão aí : o crescimento diminuiu e os frutos desse crescimento foram na sua esmagadora maioria para um punhado que está no topo. À medida que os salários estagnavam e o mercado de acções subia, o rendimento e a riqueza espalharam-se para os mais ricos, em vez de se espalharem para os mais pobres",

E em Março de 2020, em plena pandemia, Nuno Monteiro, Professor em Yale, deixou este alerta: " A curto prazo a actual crise poderá evoluir para situações de calamidade humanitária quando a pandemia  atingir países mais pobres e, particularmente, populações de refugiados, designadamente as que decorrem das guerras na Síria e no Afeganistão".

Hoje fala-se no século XXI como o século das pandemias, as condições do planeta, a Natureza sobrecarregada e com os seus esquemas inatos de sacudir o que está a mais, as megalópolis chinesas, indianas, africanas, mexicanas, latino americanas, são tudo factos  que se congregam contra a Humanidade . E voltando como comecei em 2011, as democracias começam a ruir até na Europa, vejam-se a Hungria, a Polónia, o que já diz o Presidente da Eslovénia, repare-se no czarismo espúrio da Rússia - os países do leste europeu, que nunca conheceram duradouramente a  modernidade da Revolução Francesa, e viveram décadas sob a escravatura das "democracias populares"  comunistas ( eu visitei algumas...) serão os primeiros a cair. Depois veremos os outros...

Stiglitz fala também  isto : " O único caminho  a seguir, o único caminho para salvar o nosso planeta e a nossa civilização é um renascimento da História. Temos de revisitar o século das luzes..."

Fica a esperança












quinta-feira, 8 de julho de 2021

 Hoje Edgar Morin

Edgar Morin comemora hoje. 8 de Julho,  100 anos de uma vida da maior relevância no mundo :   o seu olhar sobre a precaridade dos equilíbrios do Planeta, a suas reflexões sobre os laços entre os vários  grupos da Humanidade e a sua consciência tão claramente explícita sobre dimensão do ser humano, fazem dela uma daquelas vozes que clamam no deserto e que um dia chegará aos ouvidos da multidão, Só esperamos que não leve muito tempo a chegar esse dia.

Sobre o problema israelo-palestiniano, Edgar Morin escreveu :"è a consciência de ter sido vítima que permite a  Israel tornar-se o opressor do povo palestiniano." E, cito de memória , a shoan que significa o destino de vítima do povo judeu, banalizou  todos os outros massacres de outras minorias, deixando aberto o caminho para o apartheid e os gettos de palestinianos.


Disse em tempos o Arqº Nuno Portas que o início da década de 20 - 21, 22, 23 - forneceu uma fornadas de gente memorável, pois para Portugal são dessa  época José Augusto França, Gonçalo Ribeiro Telles, Teotónio Pereira, Fernando Távora, João de Freitas Branco, etc.







sábado, 3 de julho de 2021

 Governo e remodelação

Andam todos os comentadores a falar da remodelação do Governo, que "é inevitável", e apontam-se os ministros a derrubar como se um político  batido e autoritário como é António Costa fosse nas cantigas dos "mal dizentes"... Mas  salvo erro da minha parte não vi ainda apontar a necessidade de remodelar o Governo naquilo que deveria ser essencial, que é o futuro a médio e longo prazo do País como território sustentável e perene.  Agora é mais uma vez o Eduardo Cabrita, que se houvesse da parte do  Primeiro Ministro um pouco de respeito pela ética pública e pelo povo que ele diz servir ( e ainda o povo da esquerda!..) já teria saído há muito tempo - se não saiu nessa altura não vai ser agora. E apontam outros ministros do que dá mais para falar, daquilo do dia a dia  - ninguém se preocupa com as políticas de médio e longo prazo, aquelas que não  dão votos imediatos nem resultados *a vista desarmada" e são as políticas agrícola e florestal e a  ambiental, nesta incorporando como essenciais o ordenamento do território ( sem favores aos clientes...) e a Conservação. A orgânica do Governo e a sua dimensão deveriam ser drasticamente pensados para o longo prazo - mas é pedir muito, Costa nunca dá o braço a torcer e todos os anos, ano após anos, vemos os fogos florestais prosseguirem, vemos os eucaliptos a aumentar, vemos a inércia em relação a uma política de Conservação eficaz e realista, não vemos preparar a agricultura para as alterações climáticas que aí estão todos os meses a  mostrar o que valem - nada acontece no Governo português.

Só Miguel Sousa Tavares, no Expresso, tem apontado o dedo de forma veemente e acertiva a esses Ministérios e aos respectivos medíocres que os representam hoje. De resto vemos painéis de comentadores, lemos crónicas de outros comentadores encartados e todos se focam na espuma dos casos pequenos do dia a dia e a que A. Costa corresponde com um enfático encolher de ombros.





quinta-feira, 1 de julho de 2021

 De novo pronto para umas notas

Mas hoje fico-me apenas por  um episódio.


Há um mês que deixei de  escrever no blogue, vou retomar com a assiduidade possível, e embora goste e pretenda que alguns amigos as leiam, a verdade é que escrevo estas notas para mim, para guardar as memórias que ainda vou tendo, para memória futura...
E começo mostrando a  capa do livro que escrevi e foi apresentado no dia 26, último sábado de Junho, dedicado ao Gonçalo Ribeiro Telles. 
Tinha escrito apenas um ensaio  curto sobre o Homem e a Obra do meu mais devotado e velho Mestre, Amigo e Companheiro de uma vida - pois  desde 1962  que o conhecia e com ele lidava de perto. Mas o Arqº Filipe Jorge da Argumentum empenhou-se logo em fazer um livro de memorias que em princípio devia sair no dia 25 de Maio, quando o Gonçalo fizesse 98 anos.  Ao meu Amigo monárquico popular, que dizia frequentemente que, se tomasse uma bica com cada português ( ele que tomava várias bicas por dia) convencia-o a ser monárquico como ele, e eu respondia invariavelmente que não dissesse aquilo quando eu estivesse presente porque passavam as décadas e eu nunca deixei de ser republicano. " Tu és um republicano mas não és jacobino e tens boas ideias com quem gosto de discutir" - e discutíamos muito, no bom sentido.
Era um ensaio com o qual queria fechar o ciclo GRT, pois não penso voltar a escrever e a falar dele porque tudo quanto eu tinha para dizer já está dito e escrito e vão continuar a surgir opiniões, aproveitamentos, textos e mais discursos, até políticos a dizerem maravilhas dele, tudo numa amálgama de intenções, umas hipócritas outras sérias e demonstrações de afecto verdadeiros e elevados com outros de quem apenas apanha o comboio e se serve dele para justificar até  aquilo que ele, GRT, nunca faria nem diria. 
É natural,  a sua grande projecção de figura nacional de primeira água não escapa a esses movimentos  de opinião.  Ninguém se pode ou deve arrogar a postura de herdeiro ou especial intérprete de quem foi GRT - mas o Tempo, o grande  escultor que Marguerite Youcenar denunciou,  é que ditará o seu lugar na escala dos valores portugueses na História. Ele que brincava com as agressividades que por vezes lhe dirigiam, ao longo da longa vida , por exemplo com os ataques da esquerda durante aquele inigualável PREC de 1975. O PCP atacava-o no "Avante" mas respeitou-o sempre; e a quando da discussão sobre a central nuclear para Ferrel, apenas o PPM e o PC se manifestaram contra e quando um jornalista lhe perguntou se não se sentia incomodado por ter só os comunistas a seu lado, ele respondeu que "antes vermelho que morto".
Já o mesmo se não dirá da chamada esquerda revolucionária para quem as suas utopias eram frouxas e seriam contrárias â renovação das "mentalidades revolucionárias" -  e nesse sentido uma das  coisas com mais piada saiu de alguns colaboradores próximos do Gonçalo, que até aí o endeusavam, mas  que, envolvidos naquele élan super marxista  e super tudo, em Novembro de 75 elaboraram uma lista de saneamentos, que eu  tive na minha mão, com o Gonçalo â cabeça  e a seguir eu, que era Chefe de Gabinete, o Luís Coimbra que era adjunto e até a Elvira, a simpática e  dedicada secretária.  Eu, nos últimos temos da sua vida, recordava às vezes, esse episódio com o Gonçalo e ele ria mas achava apenas uma brincadeira; e o Luis Coimbra disse-me há tempos que, como  não temos documentos que o provem -  a tal lista que tivemos na mão desapareceu -  fica apenas a nossa memória e a piada que tem perceber como certos  espíritos se "adaptam" tão facilmente aos excessos de revolucionarite anti- burguesa... Mas foram os tempos mais entusiasmantes que mereceram ser vividos!! Felizmente em 25 de Novembro a coragem de Ramalho Eanes e a capacidade organizativa e influência política esclarecida de Melo Antunes deitaram por terra esses "arrotos" de revolucionarite  aprendidos à pressa em  manual de instruções oportunistas, a que meninos e meninas, burgueses até dizer chega (!!), se viam envolvidos ...
Nesse livro outras memórias ficarão gravadas, como o pormenor do resto de calçada de vidraço que esteve implantada na Avenida da Liberdade no troço que se estendeu do Marquês até à Rua Alexandre Herculano e foi mandado destruir pelo General França Borges Presidente da C M de Lisboa, que levou à demissão do GRT da Câmara Municipal. Ninguém já se lembra disso...
Por hoje chega