segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Apontamento político

Fala-se muito de ética na política, mas os dois principais Partidos (PS  e PSD) daquilo a que se chama o arco da governação - mas o CDS também, basta lembrar para já o caso dos submarinos - são os responsáveis  pelo baixo nível dessa tão falada ética republicana.

1 - A promiscuidade existente entre os laços familiares e os lugares de topo na vida política são um dos emblemas do PS. Tem sido amplamente denunciado o rol de maridos, mulheres, filhos, enteados, e vários laços familiares que ocupam lugares no Governo ou nos Serviços e instituições do Estado.
Vem sempre a mesma resposta,: não é ilegal . Pois não será, mas é eticamente reprovável e transmite a ideia de que no PS, fora dos círculos familiares e de relações próximas, não há mais ninguém capaz de exercer tão bem, ou ainda melhor, os cargos atribuídos aos membros do clã privilegiado. É escandaloso,
Aplica-se aqui o velho dito romano : à mulher de César  não basta ser séria, tem também que parecer. 

2 - O escandaloso caso da Associação Raríssimas vem revelar mais uma vez quão difícil para muitas pessoas é manter o perfil de seriedade e dedicação à causa publica, a partir de um determinado grau de notoriedade adquirido no exercício do poder -. em todas as classes da sociedade. Já  não é só o dinheiro ( João de Deus já dizia dele que "é tão lindo o manganão...), mas também  a notoriedade social, o aparecer nas páginas das revistas cor-de-rosa e nas reportagens da TV .
E a população fica muito chocada sempre que surge um caso destes, embora muitos até possam dizer que a vida é dos espertos... Eu penso que a principal causa destes problemas é a falta de uma cidadania activa e responsável. Se a educação cívica tivesse sido desde, pelo menos, a implantação da democracia uma preocupação dos sucessivos Governos e dos Partidos políticos, poderíamos ter hoje um povo mais interveniente e zelador da causa pública.  
Em vez disso os Partidos, traindo a sua função principal como garantes da democracia, tornaram-se em escolas de clientelismo, sendo as Juventudes partidárias uma espécie de "madraças" onde se ensina como progredir na vida sem actividade profissional para além dos lugares de assessor,  adjunto, depois deputado e por aí fora.
Mas não deixa de ser curiosa a senha persecutória com que PSD e CDS se agarram a estes casos para denegrir o Governo , já que lhes faltam outros assuntos políticos como a evolução da economia e das contas publicas, que continuam a surpreender todas as instituições internacionais, O PSD até esquece que a Raríssimas teve o apoio e o acompanhamento de Maria Cavaco Silva que foi quem a lançou, por exemplo, na Coroa espanhola.... O melhor para o PSD  será não mexer muito mais no assunto...
Agora uma coisa é urgente : separar o trigo do joio, rever todos os esquemas das IPSS que são milhares em todo o País e verificar como se governam interna  e externamente...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

REFLEXÕES  - 1

" Que cada um pense o que quiser e diga sempre o que pensa", foi o que Espinosa proclamou no séc.XVI e que causou problemas à sua própria sobrevivência.
Ainda hoje dizer o que se pensa continua a ser um exercício de coragem e há muita gente, mesmo aqui entre nós, que não o pode fazer.
A cidadania exerce-se pela liberdade de expressão, através da qual  cada um de nós pode  e deve participar  para a formação da opinião publica, a "vontade geral"  de que falava Rousseau.  Não quero entrar numa prosa de "intelectualite" citando filósofos uns atrás dos outros, mas parece-me que apoiar as ideias em quem, muito tempo atrás  e com autoridade, já o fez, ajuda a cimentar as nossas convicções.
E é inevitável ir buscar aos clássicos as origens  do desenvolvimento de ideias que parece que as  descobrimos agora, procurando também descodificar a linguagem rebuscada, porque tem de ser rigorosa, dos eruditos.
Entre nós, é este o meu sentimento,  existe muita informação mas pouca formação; a escola é parca a ministrar conhecimentos das humanidades e da cultura geral, em todos os níveis de ensino,   e por isso a grande maioria da opinião publica, mesmo entre os mais informados, é pouco formada; e esta falta de formação é,  penso eu, uma das grande falhas dos novos tempos de democracia. Quarenta anos depois de implantado o regime democrático seria de esperar  que tivéssemos uma população com um nível de cultura geral capaz de ombrear com a maioria dos países europeus mais avançados. 
Mas não temos.
As gerações que em 74 estavam nos escalões etários activos tinham sido vítimas  da mediocridade cultural e política do regime anterior, e só uma minoria estava em condições de praticar uma democracia consciente e eticamente válida. Isto é particularmente chocante porque os portugueses revelaram sempre ao longo dos séculos, excepcionais  capacidades  de captar conhecimentos e de os  difundir pelo mundo - faltaram nas décadas anteriores as elites dirigentes e culturais capazes de enquadrar e dinamizar a sociedade.
Para uma opinião pública  culturalmente formada significaria, em meu entender, que desde a escola primária se começassem a "formar" as personalidades na diversidade de cada um mas no confronto com as grandes questões  da cultura geral : ter acesso ás noções de civismo. de ética, de compreensão da complexidade ambiental, do sentido da liberdade responsável.
A cidadania responsável que eu tenho como objectivo de vida deve ser praticada no quotidiano, reflectindo sobre a origem e a evolução das virtudes do Homem : o amor pela liberdade, o exercício´ da democracia , a interiorização do conhecimento. Como  dizia Gandhi, viver cada dia como se fosse o último, mas estudar e aprender como se fosse o primeiro.
A democracia que eu gostava de viver está ainda muito longe de ser alcançada.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

CONDECORAÇÃO

No passado dia 1 de Dezembro o Presidente da República foi a casa de Gonçalo Ribeiro Telles entregar-lhe a Grâ-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

No passado mês de Abril escrevi uma carta ao Presidente da República informando-o de que o velho Mestre Gonçalo Ribeiro Telles iria comemorar 95 anos no dia 25 de Maio, pelo que em nome de um grupo de  amigos que usa juntar-se com ele todos os anos nessa data, pensava-se que este ano merecia uma comemoração com carácter nacional deixando isso ao critério do PR.

Depois de algumas peripécias e  a menos de uma hora para se iniciar, no dia 25 de Maio, a sessão de homenagem ao Velho Mestre e Grande Personalidade nacional que decorreu na Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP), em Lisboa, chegou uma mensagem por mail do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa que se encontrava de visita ao Luxemburgo, saudando o homenageado e a comunicar que lhe atribuía a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. o que foi saudado com uma grande ovação do publico presente no salão da SHIP.
Passaram-se os meses e sendo  a condição de saúde de Gonçalo Ribeiro Telles de alguma precariedade o que não é de estranhar pela sua provecta idade, eu mesmo movimentei influências para que a condecoração pudesse ser entregue  com o ilustre galardoado ainda na plena posse das suas faculdades,~
Finalmente foi prestada esta última e justíssima homenagem ao discreto Homem a quem Portugal tanto deve.
A propósito, por acaso nem  a mim nem a nenhum dos Amigos de Gonçalo Ribeiro Telles ninguém  informou da realização daquele acto....

sábado, 9 de dezembro de 2017

Ao correr da política e outras coisas ...

Motivos de saúde, viagens e mais viagens e outras ocorrências impediram a escrita deste blogue.
Por isso desta vez vão só  alguns apontamentos de coisas que se têm passado nestes tempos em que estive em silêncio.
1 - A Catalunha volta a ser notícia
Com o Presidente catalão e mais alguns colegas de Ministério refugiados na Bélgica e outros presos em Madrid , preparam-se as eleições  para 21 de Dezembro, daqui a pouco tempo portanto. E segundo as projecções os independentistas voltarão a ganhar e tudo volta ao mesmo. O sentido persecutório do governo castelhano não abrandará, porque se a Catalunha viesse  ( vier...) a ter êxito, ai do Pais Basco e, quem sabe, de outros povos peninsulares.Porque quer queiram ou não aceitar, trata-se de povos peninsulares que desde há séculos são oprimidos pelos castelhanos.
Voltarei a este assunto mais tarde.
2 ~- A eleição de Mário Centeno para Presidente do Eurogrupo  deixou desolados os políticos e comentadores da direita, e também os da esquerda por motivos diferentes. 
A Pitoniza dos domingos à noite da SIC, Marques Mendes, havia profetizado há uns meses atrás que se tratava de uma brincadeira, uma forma de o PS e o Governo se  autopromoverem. Vamos a ver nesta semana  o que dirá ( ou se desdirá ) o videirinho dos domingos, que parece querer alimentar a ideia que é uma espécie daquilo que foi  Marcelo Rebelo de Sousa ( da TVI) - só que lhe falta muita estaleca para lá chegar...
3 - O Governo e os tiros no pé
O Governo continua a dar tiros no pé, o que parece uma tendência imparável,
Um dos últimos e lamentáveis episódios foi  anúncio da transferência do Infarmed para o Porto, assim sem mais nem menos, como se pegasse  num objecto e o transportasse de um lado para o outro. Um Instituto de especialistas, de grande responsabilidade para a saúde publica, e os seus  mais de 400 funcionários estabelecidos e a viverem as suas vidas em Lisboa. sabem pela televisão que vão ser transferidos para o Porto. Pasme-se  com  a insensatez desta notícia , pois agora vão ser feitos estudos ( que deviam ter sido feitos antes...) sobre a forma como se poderá processar a mudança.

Sabendo-se que o equilíbrio do Governo e dos partidos da esquerda que o sustentam é precário ( mas não tão precário como a direita deseja . e que o diabo venha já ao virar da esquina...), ter  sido feito um acordo entre o PS e o BE sobre a indignidade , que o é, das rendas excessivas pagas às empresas de energias renováveis, para depois  vir o Governo recuar e desdizer esse acordo, é um colossal tiro no pé. Revela antes de tudo o mais uma total  falta de coordenação entre os negociadores socialistas e o próprio Governo que eles deviam representar. Mais um tiro no pé que ajuda a descredibilizar quem o pratica.
4 - O rio Tejo e o Ministério do Ambiente
A poluição do rio Tejo na zona da fronteira associada à falta  de caudal que a Espanha não deixa sair para Portugal, como em teoria é obrigada pelas leis internacionais, vem mais uma vez evidenciar a pouca relevância do Ministério do Ambiente. Eu mesmo passei em Vila Velha do Ródão em meados de Outubro ( antes dos incêndios do dia 15 desse mês) e verifiquei a poluição das águas a jusante da fábrica de celulose ; mas o Ministro do Ambiente diz que fez lá uma visita e não viu poluição nenhuma - é ceguinho, coitado, e a gente não sabia. E depois da "cimeira ambiental" com a Espanha, o Ministro vem dizer que está tudo regulado e ia ser reposta a normalidade. O que mais choca é a falta de convicções ambientais deste governante, que está naquele lugar para fazer currículo e  para não permitir. porque não é capaz e/ou porque os interesse instalados não deixam, que haja uma politica de Ambiente activa e interveniente, que moralize a vida nacional sob o ponto de  vista ecológico e ambiental. E as Autarquias agradecem...
O Ministro do Ambiente e o Ministro da Agricultura e Florestas são dois responsáveis pelo descalabro de assuntos e sectores fundamentais para o futuro de Portugal.
5 - O Código  Ortográfico - hoje a arquiteta
Algumas personalidades corajosas continuam a batalhar ingloriamente e em vão contra  a enormidade de ofensa ao património nacional mais precioso - a língua  - que.
 representa o Acordo Ortográfico em vigor
Hoje apenas refiro a arquiteta - Arqui quer dizer grande, muito grande, e teta é a glândula mamária das vacas e outras fêmeas de mamíferos. Portanto uma arquiteta é uma teta muito grande - ou será o mesmo que uma arquitecta como quer o fatídico Acordo??

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

O Museu da Musica - mais um tremendo disparate

Quando um Governo entra em desnorte, os disparates surgem uns atrás  dos outros, E deste Governo de geringonça que parecia estar a navegar num mar de rosas, já começa a poder-se esperar que esses disparates se avolumem. A Cultura foi sempre um parente pobre dos Governos de direita, e continua a ser neste Governo de esquerda,  Além de poucas verbas para promover a riquíssima cultura portuguesa e o património que, em inúmeros casos, se degrada sem que ninguém lhe lance  uma   mão protectora, ameaças pairam sobre diversos sectores culturais, A música é uma das artes mais desprotegidas e as bolandas em que tem vivido o Conservatório Nacional de Lisboa, revela um caso paradigmático, 
Mas se for concretizado o que agora começou a ser notícia, é patético demais para ser verdade.... O espólio do Museu da Música que tem andado desde há anos pelos mais incríveis lugares, irá  ser -nem se acredita ! - divido em dois, para ser colocado em locais diferentes por não se encontrar um lugar apropriado. É um dos maiores disparates que se podia fazer se fosse verdade.
Trata~se do acervo que pertencia ao Conservatório Nacional, para dar a conhecer aos estudantes a evolução dos instrumentos ao longo do tempo, teve que ser retirado de lá, tem estado numa estação do Metro e querem dividi-lo em dois, 
Não há por aí um velho palácio desocupado pelo menos parcialmente que possa albergar o espólio - que até nem ´é muito grande ? - . também serve um bom armazém ou uma garagem, a que um arquitecto dê um toque e sirva para conservar a colecção de instrumentos musicais ? Se for repartido por dois sítios -  até se fala que uma parte  será colocada  em Mafra, seria de rir `à gargalhada se não fosse uma tristeza!

terça-feira, 7 de novembro de 2017

A catástrofe anunciada da falta de água

Em 4 de Outubro passado  enviei ao jornal Publico um texto que não teve publicação. e que se intitulava " a falta de água e a dessalinização da agua do mar." 
Não quis fazer futurismo nem alarmismo catastrofista; pois apenas acompanho com interesse o que desde há décadas são as opiniões de cientistas e investigadores e além disso, viajo pelo país, e vejo e reflicto sobre aquilo que tem vindo a acontecer aos nossos recursos hídricos. Infelizmente a realidade dos nossos dias está a dar- me razão !
Desde que entrou a moda, aproveitada por todos os partidos - todos - "da área da governação", de menor Estado para melhor Estado, além do desastre que se seguiu à extinção dos Serviços Florestais e dos guardas florestais, e ao desaparecimento das equipas de cantoneiros das estradas que mantinham as bermas e taludes limpos e menos susceptíveis a incêndios, fizeram desaparecer os guarda - rios, que com as suas equipas mantinham limpas as ribeiras e obrigavam os proprietários marginais a limparem as suas matas ribeirinhas.

Os contínuos carrejos da ribeiras para os rios e destes para as albufeiras das barragens contribuem activamente para o assoreamento dessas retenções de água. Apesar de desde há décadas e com mais acertividade nos últimos anos, investigadores e cientistas nos avisarem sobre as alterações climáticas e as previsões de seca progressiva nas latitudes que apanham o sul da Península Ibérica, nunca ninguém dos media e fazedores de opinião e dos políticos de todos os quadrantes deu importância a esse facto.

E agora estamos a começar  a sentir os efeitos, embora o Ministro do Ambiente continue a dizer com a sua voz de baixo desafinado que não há nenhuma catástrofe no horizonte; ele como governante terá que dizer isso  mas as ONGs responsáveis e os interessados como eu, não temos que recear falar do horizonte negro que aí vem, que uma catástrofe em Portugal está eminente se não chover abundantemente nos próximos 4 ou 5 meses. 
Nesta altura as albufeiras estão em níveis preocupantes  e muitas até atingiram o ponto zero em termos de uso; para o Concelho de Viseu já estão a ser feitos centenas de transportes diários de água em carros tanque  a partir de Alqueva. Durante quanto tempo ? Para quantas mais cidades portuguesas vai ser necessário? Alqueva terá capacidade para aguentar mais um ano, em regime de consumo normal, mas nesse regime forçado quem pode informar o tempo que aquela albufeira aguenta? E a agricultura de regadio dela dependente?
E quantas mais situações de secas prolongadas podem surgir nos próximos anos ? E se surgirem, estamos preparados, alguém o garante ?
O maior consumo de água no país é o da agricultura: o que é que o Ministro da Agricultura, que sabe e bem manejar milhões dos fundos europeus, já fez  de  palpável para alterar a política agrícola portuguesa - ele e todos os anteriores titulares da mesma pasta, diga-se ?
Entra pela cabeça de alguém  minimamente informado que não se tenham ainda feito estudos atempados que apontem a alteração das culturas agora praticadas, escolhendo as que melhor se adaptam a condições difíceis de aridez, como acontece nos países do Norte de África e  do Médio Oriente?

É preciso preparamos-nos para esses cenários, alterando drasticamente os processo de rega. É preciso  divulgar a aplicação ( e suportar o seu custo)  das novas tecnologias de medição automática do teor de água no solo e das regas necessárias, de acordo com essas tecnologias - o que passa também por um custo da electricidade muito mais baixo para a agricultura.

Noutro domínio, é preciso alterar profundamente a mentalidade de autarcas, dos políticos da governação  e até dos arquitectos paisagistas para aquilo que escrevo há imenso tempo : deixemos-nos de grandes jardins de flores e relvados à inglesa; nas nossas latitudes e condições climáticas precisamos de arvoredo e sombra, de alamedas e bosques urbanos. Regar jardins com a água potável que é para consumo publico é  um absurdo, e se não é fácil agora implantar redes alternativas  com  água não tratada para regar os jardins.  então que se alterem os conceitos de jardim e se adaptem à realidade climática que temos  e teremos no futuro imediato.
E não é para amanhã, é para hoje !!

Precisam de ser inspeccionadas as redes urbanas de distribuição de  água  para se  saber com rigor quanta água é desperdiçada por fugas das redes municipais; a dificuldade está em que se trata de investimentos vultuosos que não dão nas vistas e por isso não dão votos...

Precisamos de alterar hábitos de consumo de toda a população, mentalizando as pessoas para reduzirem os desperdícios em casa, Isto e tudo o mais que atrás foi dito, não se consegue de um dia para o outro, São necessárias campanhas de sensibilização publica em todos os órgãos de comunicação social e o envolvimentos das ONGs ambientais e de grupos de cidadãos activos que sintam a gravidade da situação, porque ou eu me engano muito ou dos órgãos governativos nomeadamente das áreas do Ambiente e da Agricultura não virá grande intervenção  e entusiasmo.

Finalmente outro aspccto que eu focava no tal texto de 4 de Outubro é o do aproveitamento da água do mar pela dessalinização, opção de que não se fala neste nosso país.
As diferentes tecnologias de dessalinização estão hoje perfeitamente dominadas, nomeadamente as que usam a osmose inversa, e permitem obter água potável com um custo já aceitável; muitos países do Mediterrâneo  possuem estações para esse aproveitamento  da água; há uma meia dúzia de anos em que estive na Argélia informaram-me que já teriam a funcionar várias  estações ao longo do litoral.
Ninguém em Portugal fala nessa solução; mas parece claro que com a continuação da progressiva aridez  e irregularidade acentuada das precipitações e com a extensão do nosso litoral, terão de vir a  existir estações de tratamento da água do mar e quanto mais cedo melhor; não será água para rega da agricultura,  mas apenas para abastecimento  urbano. Quando começar a faltar  água nas cidades e vilas,  onde é  que elas se vão abastecer ? Se as cidades e vilas do litoral puderem ser servidas por água dessalinizada menor é a pressão sobre as albufeiras das barragens, já que estas terão sempre que abastecer as povoações do interior e a agricultura - a agricultura que for possível !

Já aqui vai um texto enorme, muito maior que o tal que o jornal não quis publicar. Oxalá que tudo o que eu penso seja apenas alarmismo e catastrofismo, quem me dera que assim fosse !!

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

O Pinhal de Leiria - custa a acreditar!!

Fui fazer numa visita quase masoquista - andar por aquilo que era  Pinhal de Leiria, e que já não é. 
Na semana que antecedeu o fatídico 15 de Outubro fiz uma viagem idêntica pela zona do Pinhal Interior, andei por Nisa,  Vila Velha de Ródão,  depois Proença a Nova, Sertã, Pedrógão, Oleiros, etc, sempre debaixo de um tecto de negras nuvens de fumo, pardacentas, que se pegavam à nossa pele e faziam arder os olhos. Isto até Coimbra, que  esteve sem ver o sol alguns dias. Fiquei horrorizado, como é fácil de calcular;  estive em pequenos casais rodeados de negro e fumo,  falei com gente que ainda lá vive e se fechou dentro de casa quando o fogo lambia tudo em volta. Nunca ouvi a ninguém, desses habitantes de casais isolados, falar mal dos bombeiros ou do combate que foi travado - falavam sempre do inferno, da rapidez e dimensão demoníaca dos incêndios...
A sensação de atravessar quilómetros de eucaliptos  e pinheiros como esqueletos fantasmagóricos erguidos na penumbra, ainda hoje me deixam desconsolado.
Mas o Pinhal de Leiria - bem, custa a acreditar que aqueles talhões de pinheiros negros ainda em pé , cortados por estradas asfaltadas em terreno totalmente plano, tenham ardido com aquela dimensão, Até talhões de nascedios, com um metro ou pouco mais de altura, tudo ardido!
Custa a acreditar que aquilo era o Pinha de Leiria! Exemplo  do que tem sido o abandono, o desleixo, a falta de sensibilidade e de competência dos governantes que permitiram que o Pinhal de Leiria ficasse sem guardas florestais, ficasse sem trabalhadores permanentes em numero compatível com a produção do pinhal... Passei nas casas de guarda fechadas , com ar de abandono, passei pelos muros do recinto daquela que foi uma grande Administração Florestal, e a raiva subiu inevitavelmente dentro de mim. Que  raio de políticos  temos nós !! Políticos que ainda aí estão a falar quase todos os dias como se não tivessem nada a ver com o desastre do Pinhal do Interior e escandalosamente com a mata exemplar do Estado que era o Pinhal de Leiria. Passaram-me pela memória os meses que ali trabalhei, onde fiz o estágio da minha licenciatura; sentia ainda o som das copas quando bulia qualquer aragem mais forte, e o aroma a resina e a mato fresco, mato rasteiro que nunca era deixado chegar à dimensão que adquiriu nestes últimos quatro ou cinco anos -  em que deixaram de ser feitas limpezas...por falta de pessoal para trabalhar e de guardas florestais para orientar o trabalho.
E nenhum destes governantes é acusado na praça pública? Pois não, são todos responsáveis, de todos os partidos que têm andado pelos Governos das ultimas décadas e continuam a perorar sentenças e promessas de solução - e continuaremos a acreditar, nós os portugueses que cada vez parecemos mais um rebanho de chocalho ao pescoço.