sábado, 17 de fevereiro de 2018

Na espuma dos dias

1 As declarações do Cardeal de Lisboa D. Manuel Clemente, avisando que os casais recasados devem permanecer na abstinência, é sinal significativo do que pensa e em que tempo se coloca o Bispo de Lisboa. Mesmo que não fale pela Igreja  portuguesa, pois  a maioria dos Bispos não o acompanha nesta concepção da religião, é de lamentar que a mais elevada figura da hierarquia católica  se posicione no grupo retrógrado e ultra-conservador dos  que se opõem ao Papa em funções, que tem procurado abrir a aplicação da doutrina à evolução da vida da Humanidade. Conceber- pior, exigir - que um casal possa viver como dois irmãos castos ...brada aos céus !!

2- O CDS e uma parte do PSD opõem-se à lei das chamadas barrigas de aluguer, mesmo estando essa lei aprovada há bastante tempo e pediram ao Tribunal Constitucional que considere esta medida inconstitucional, mesmo sendo aprovada pela Ordem dos Médicos e pelo consenso mais geral na sociedade portuguesa. Entretanto algumas mulheres neste interregno já usaram a lei e agora há crianças nascidas ou que vão nascer ... na ilegalidade!!  Não há duvida de que há gente que assume a sua ideologia reaccionária, não querendo perceber que os reaccionários conseguem por vezes atrasar  a História mas não param a sua evolução.

3 - A eutanásia voltou às primeiras  páginas  na comunicação social, mas por pouco tempo. Há uma inegável auto censura para certos temas, independentemente até da posição partidária dos políticos, pois em todos os partidos há quem aprove e há quem desaprove.  Assunto que merece e deve ser discutido amplamente.
Parece que custa a entender que aqueles que querem promover a morte assistida não a querem impor a ninguém,  apenas requerem para si a liberdade de a poder exercer, enquanto que aqueles que se opõem querem impor a todos a sua concepção. Percebe-se que a Igreja e as demais religiões com as suas concepções de vida depois da morte e a sua crença no sofrimento salvífico, prefiram que a pessoa sofra até morrer . Quando se queimavam pessoas nas fogueiras era para que o sofrimento as lavasse do pecado...Vem então com a ideia do  tratamento paliativo, quando se sabe e os médicos confirmam que há situações em que a dada altura o paliativo já  não chega.
Claro que, dos que defendem a eutanásia e o suicídio assistido, ninguém dispensa que a decisão  - que é individual - tenha que ser tomada em consciência e acompanhada por médicos, desde que sejam médicos que, por oposição de consciência, não aceitem ou não concordem colaborar.
Por uma questão de declarar o meu interesse, informo publicamente que aderi há uns dois anos ao Movimento pela Morte Assistida e redigi uma Declaração Imperativa de Vontade ( não é o testamento vital, tem menos publicidade mas o mesmo valor) a qual renovo regularmente para acompanhar o meu envelhecimento.

4 - A esquerda democrática europeia  tem vindo a perder importância, pois dentro da ideologia liberal que acabou por triunfar nas derradeiras décadas do século XX e continua neste, o que conta é a "realidade" e não a ideologia  claro -  desde que única ideologia seja a sua, a liberal. e a realidade é a do dinheiro e do lucro.
Este atenuar e quase desaparecer da esquerda democrática também afectou a direita conservadora, inimiga do liberalismo, e a direita mais democrática, a democracia cristã, sendo que esta durante décadas depois da 2ª Guerra Mundial, ajudou com a social democracia ou socialismo democrático, a construir o Estado Social e ambas deram  azo aos períodos de maior pacificação e evolução económica, cultural e social que os europeus alguma vez conheceram.
O liberalismo é como uma hidra. a quem cortam braços e músculos, enquista e depois renasce com mais força ; teve os primeiros contestatários com o surgimento do marxismo e com a doutrina social da Igreja do Papa Leão XIII, sofreu revezes com os fascismos de esquerda e de direita que amedrontaram as pessoas, mas com a queda simbólica do muro de Berlim e com a supremacia económica dos EUA , campeões do liberalismo, este desarmou as outras ideologias. E hoje estamos amarrados a uma União Europeia que foi moldada pela ideologia liberal e quase por milagre vê agora surgir em Portugal uma proposta política que a contraria mas que faz sucesso - sucesso que não pode ser negado embora a muito custo A actual cedência, mais uma vez , do SPD alemão a um Governo com a direita liberal é apenas mais um testemunho de que a esquerda europeia ainda não reencontrou a sua renovação. Mas ela será inevitável, nunca o mundo se moveu apenas com forças de um só lado.

5 - Está na ordem do dia o assédio sexual,. De repente mulheres de todas as idades denunciam terem sido vítimas de abusos por parte de chefias ou  detentores de poder, algumas há 20 ou 30 anos . Faltou-lhes coragem, compreende-se que assim seja, 
Mas agora estamos a cair numa reacção generalizada da sociedade que começa a atingir os limites do puritanismo. Sempre existiu uma supremacia masculina, fruto das sociedades patriarcais que remontam ao neolítico, e que é absolutamente condenável; mas que dos piropos ou dos galanteios se façam  casos de assédio, é até contrário a uma boa relação que deve existir entre o homem e a mulher - tanto mais que hoje em dia há muitas mais mulheres a terem o poder na mão e talvez ainda  nos escandalizaremos  com notícias de assédio no sentido oposto... Eu até conheço, num contexto de aldeia (!!) um caso de um rapaz que teve de deixar o emprego por a patroa o não largar com assédio sexual.  E se calhar há mais...
Tudo o que são excessos na sociedade são condenáveis e o puritanismo, a que começamos a assistir,  é um deles.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Na espuma dos dias

Começo a sair da fossa para a qual algumas maleitas me atiraram, e está na hora de retomar as reflexões deste blogue.
Nestes dias aconteceram coisas espantosas no plano da nossa vida pública e política.

1- O caso das buscas ao Ministro das Finanças, brada aos céus, e é uma provocação  que não devia ficar sem outras consequências para além do arquivamento do processo. 
Como é que, em democracia,  inspectores do Ministério Publico (MP) entram no gabinete do Ministro e, sem um juiz a cobrir a operação, se apropriam do computador dum colaborador do Ministro ?
Na origem do processo está a  ida de Mário Centeno a um jogo de futebol para a tribuna presidencial do estádio do Benfica para o qual pediu duas entradas. Então é admissível que um Ministro, tanto mais com a projecção nacional e internacional deste titular das Finanças, se vá sentar nas bancadas ou então que tenha de  levar um grupo de gorilas para garantir a sua segurança? Não é para estes casos que existe a tribuna presidencial, onde as pessoas são convidadas ?
Uma coisa é ninguém estar acima da justiça, outra coisa é esta judicialização abusiva, que afecta o prestígio do país, E tudo porque um jornal tabloide  deu a notícia  com as habituais parangonas populistas e o MP , sem tentar ajuizar da veracidade do caso, deu publicidade a esta invasão do gabinete ministerial.
Como disse Manuel Alegre . quem é que controla os controladores ? É uma vergonha e não devia ter ficado sem outras consequências.

2- Esta promiscuidade dum certo jornalismo com alguns sectores da justiça já cheira mesmo mal ; acabem com o segredo de justiça, mas se acham que deve ser mantido então que se tomem, de uma vez por todas, as medidas necessárias para evitar actos escandalosos. Uma coisa é a investigação jornalística séria e deontologicamente correta, que é apanágio de um regime democrático, e de que quase todas as semanas temos exemplos excelentes, outra coisa é a recepção de informação confidencial em alguns órgãos de comunicação social - só alguns e quase sempre os mesmos - que sai dos meandros da justiça que está a julgar casos. Não é de hoje.
Todos se lembram  da prisão de Paulo Pedroso. feita com espavento na própria Assembleia da Republica - quando devia ter sido discreta e passar despercebida - e coberta pela televisão, para mais tarde o presumido acusado na praça pública ter sido julgado inocente - nunca ninguém mais limpou o seu nome.
No caso de José Sócrates, quando a polícia o foi prender à saída do avião, em plena pista do aeroporto, já lá estava a televisão à espera.
Estamos todos à espera do fim -  se é que tem fim... - do caso Sócrates para ficarmos com mais uma adequada ideia da nossa justiça que ´é tão eficiente a deixar julgar na praça pública
E nestes últimos dias, as buscas à casa do Juiz Rui Rangel : quando  chegou o juiz que fazia a inspecção já lá estavam jornalistas de um  órgão de comunicação social, não de todos mas apenas de um certo - que se arroga o descaramento de declarar que isso quer dizer que é melhor que os outros. Como é que a informação da busca a fazer foi parar ao jornal? Por investigação ? Ou por corrupção de alguém que, tendo acesso ao processo em segredo de justiça, passou a notícia para quem lhe...agrada, não para a comunicação social em geral? Podemos suspeitar que esse tráfico de notícias é pago...

3- Ainda mais um caso sem a devida explicação pública. Saiu a notícia de que dois antigos Secretários de Estado, um deles José Magalhães, de reconhecida notoriedade  mediática , tinham sido alvo de inspecção do MP por terem usado verbas excessivas na compra de livros e revistas que não tinham a ver com a sua actividade profissional. 
Bom, se um Secretário de Estado pode ou não comprar livros e revistas com verbas do seu gabinete, isso é necessário clarificar. MAS não foi posta em causa a aquisição de livros, apenas a de os adquiridos não serem apropriados ou adequados às funções que desempenhavam. E isto acho que brada aos céus!! Ou explicavam que eram livros de tácticas de futebol ou a História do Benfica ou de outro clube qualquer, ou pornografia, e isso realmente não era apropriado, mas se não for assim -   então é agora o MP que vem indicar quais os livros e as revistas que são ou não adequados à formação intelectual dos membros do Governo ? O que é grave é que se lançam estas notícias na praça publica e depois fica tudo na  sombra, sem mais esclarecimentos nem a mesma pompa e divulgação com que saiem as notícias!!
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A Justiça foi talvez o sector da vida publica portuguesa que menos foi alvo de limpezas e de clarificações como aconteceu nas restantes actividades publicas.  O que aconteceu aos juízes dos tribunais plenários do Estado Novo ? Ou passaram à reforma sem penalização que tenha sido do conhecimento publico ou foram "integrados" na justiça do regime democrático... O que aconteceu aos "pides"  que estavam presos e fugiram e desapareceram, é outro bom sinal...
O julgamento do assassinato de General Humberto Delgado foi, para mim, em pleno regime democrático,  uma cena lamentável, Se os culpados do nazismo julgados em Nuremberga tivessem sido julgados em Portugal, nenhum teria sido condenado, pois a culpa não era deles, era sempre de quem estava por cima...Uma vergonha este processo da justiça em pleno regime democrático - e continua.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Apontamento político

1- A poluição do troço superior do rio Tejo é agora notícia de telejornais e primeiras páginas. Só agora, porque agora o  caso é tão preocupante e visível que , à falta de outras notícias para encher os noticiários, a poluição do rio serve muito bem!!
Já há meses atrás denunciei o pouco protagonismo, para não dizer outra coisa pior, do Ministro do Ambiente sobre a poluição na zona de Vila Velha de Ródão, pois tendo eu mesmo lá passado em meados de Outubro e visto - como qualquer pessoa podia ver -  a porcaria que corria pelo rio abaixo, uns dias depois o Ministro do Ambiente, que andou por lá, disse que não havia poluição e estava tudo controlado.
Agora vem as multas e medidas como parar a fabrica uns dias, quando em vez disso teria  de haver uma monitorização permanente por parte do Ministério, evitando situações de calamidade como a que está acontecer agora. Seja por falta de  recursos ou por falta de convicções, ou por ambas, temos um Ministro do Ambiente fora da política que devia contagiar a população,  sem manifestar entusiasmo e firmeza na defesa da ecologia no nosso território.
E  temos sempre de falar  no triste acto de ajoelhar diante da Espanha no assunto de Almaraz, quer porque as ordens do Governo fossem as de aguentar e bico calado, quer pela já denunciada pouca convicção;  O  Sr. João Pedro não reconhece o verdadeiro perigo do prolongamento da vida da central nuclear nem o que representa de ameaça a construção do Armazém para recolha de resíduos - senão convictamente te-lo-ia denunciado, nem que fosse contra a orientação do Governo - a nossa dignidade não deve ter peço!... Como escreveu o António Eloy o Sr. João Pedro declarou que Almaraz era assunto encerrado - encerrado ? essa agora!! - é um do maiores perigos que pende sobre Portugal na actualidade.
Estive há dias em Ferrel para comemorar com alguns dos que participaram na luta de mais de 40 anos, contra a energia nuclear em Portugal, e não se deixou de comparar a mobilização que naquela altura, sem telemóveis nem internet. se conseguiu  para que a população se levantasse e a apatia de hoje , só comparável à apatia da política de Ambiente, que nem um Governo de esquerda, traindo a sua obrigação,  consegue por em marcha!!

2 - Já cansa denunciar a ausência do Estado na política florestal desde que foram extintos os Serviços Florestais. Há dia referi a legítima e justificada oposição da Associação Nacional de Municípios  à orientação do Governo para que sejam as Autarquias a proceder à limpeza das matas ;  depois vem agora o mesmo indicativo para as bermas e taludes das estradas e caminhos, zonas onde começam muitos incêndios - sempre foi assim, não é de agora. Também aqui são o Estado e ainda as Autarquias  a retirarem-se das suas obrigações, quando acabaram com os cantoneiros.
E ainda vamos ver quem é que se vai encarregar da limpeza dos leitos secos e dos taludes das linhas de água, porque anteriormente eram os guarda-rios que tinham essa tarefa, e importunavam os proprietários de terras marginais para limparem as suas terras,
Quer dizer que esta deriva liberal de menos Estado para melhor Estado, que um partido dito de esquerda adopta sem rebuço, tem-se traduzido na extinção de guardas florestais, de cantoneitros e  de guarda rios, tres modestas profissões que eram fundamentais para a conservação e o ordenamento do território.
Bem sei que estas são apenas palavras que vão cair em saco roto, mas não calar é um sinal de sobrevivência !!


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

AINDA  TANCOS

Já na altura do "roubo" creio que falei do caso neste blogue.Agora que o assunto de Tancos volta à ribalta, dá-me para divagar um pouco,  mais uma vez, sobre esse assunto, porque nada se sabe sobre o que de concreto se passou e talvez nunca se venha a saber. E nunca se virá a saber porque talvez não interesse a quem engendrou o caso e a quem o teve que aguentar na opinião pública.
Por isso sem tirar conclusões, nem fazer uma teoria, vou andar ao sabor do que se foi sabendo ao longo dos primeiros tempos e quem quiser que tire a conclusão que achar mais acertada...
Primeiro ninguém acredita que o volume do material "roubado" - entre " "- tivesse saído pelo buraco que foi mostrado na rede; portanto teve de sair num carro, carregado no local, e carro esse que passou pela (in)segurança normal num quartel...
Depois, sendo o material desaparecido velho e, ao que foi dito, preparado para ser abatido, pergunta-se quem é que ia roubar um material desses se o objectivo da "operação" fosse mesmo roubar?
Ou era um ignorante - e como é que um  ignorante em matéria militar se introduz num quartel sem ser notado e pode depois efectuar todo aquele trabalho: ou quem roubou sabia o que estava a roubar de acordo com o seu objectivo, fosse ele qual fosse menos, claramente , a sua venda a terceiros.
Vem depois a forma como foi dada notícia, não apareceu num órgão de comunicação social português ou estrangeiro de grande audiência, como seria expectável, mas num jornal espanhol de que já nem sei o nome, de pequena divulgação e - falou-se na altura -ligado à direita mais extremista espanhola ( vendo isto como o comprei). Dá para perguntar : porquê ? A quem interessava que uma notícia bombástica como esta saísse sem quase se dar por ela  naquelas condições ?
Por fim, que o objectivo da "operação" não era roubar fica claro com a entrega do material num descampado "anunciado" por alguém, ainda por cima com um brinde de mais munições ( estas obtidas onde ?) E quem fez o roubo afinal sabia o que queria -  não quis roubar material moderno e eficaz que seria o mais indicado para posterior venda.
Uma bronca destas em pleno período de agitação política dos opositores da geringonça e  que contrariava o grande sucesso que o Governo estava a ter nos planos económico e social. interessa a alguém. Foi logo pedida a demissão do Ministro da Defesa que não brilha pela sagacidade política - e a  propósito das responsabilidade vou contar o meu caso (creio que o referi na altura). e que é o seguinte, também dando para tirar conclusões.
Comandei em Angola uma Companhia Independente, não tinha batalhão, dependia directamente do Brigadeiro do Sector Militar e do General Comandante Chefe da Região - era uma Companhia de intervenção. Por este motivo tinha um paiol bem carregado, Pergunto então :  se houvesse qualquer incidente com o paiol ( incêndio, assalto, roubo, etc -  o responsável pela segurança do paiol e pelo que lá acontecesse eram o Brigadeiro ou o General ( ou o Ministro de Defesa) ? Ou era eu, o Comandante da unidade a que o paiol estava entregue?
Acho que isto indicia que há mal-estar no exército, que há sectores da vida política portuguesa interessados em explorar todas as fendas, etc, etc...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

A escrita do blogue esteve interrompida mais uns dias devido a problemas com a minha saúde, agora aos poucos a entrar  de novo nos eixos.O assunto é recorrente e muito sério

O Estado  continua a lavar as mãos das responsabilidades com a politica florestal


O Governo continua a lavar as mãos das responsabilidades que deve assumir e de que se quer esgueirar, quanto à execução da politica florestal.  A tal grande Reforma que o Ministro da Agricultura apregoa aos quatro ventos, vai-se materializando em  etapas que são de sucessiva passagem de responsabilidades para outras  entidades, e agora é a também já condenada municipalização da politica florestal.
A ANMP  rejeita que o Governo passe para as Autarquias os encargos e responsabilidades de  limpeza e gestão das matas . que eram - sempre foram -  as tarefas que incumbiram durante muitas décadas aos Serviços Florestais, O Ministro da Agricultura não gosta dos florestais, dos silvicultores, não gosta dos guardas florestais mas eles com as suas vigilâncias e actuações junto dos proprietários impediam o desenvolvimento do incêndios - e até parece que o importante é que haja grandes incêndios que dêem ocupação aos meios aéreos privados que ganham milhões com estas campanhas anuais, certas e cada vez de maiores dimensões.... Quando os Serviços Florestais estavam implantados no terreno, como acontece em todos os países do mundo,  os fogos não adquiriam tanta dimensão nem eram tantos,,,
O projecto de Regime Excepcional das Redes Secundárias  de Faixas de Gestão  de Combustível  é um estratagema para atribuir palavras sonantes a um aspecto trivial do ordenamento das florestas (como é o ridículo nome  dado às cabras sapadoras) e o Governo quer que passe de tarefa dos guardas florestais e dos sapadores para ser mais uma tarefa das autarquias  ;  cada autarquia vai encarregar-se de limpar as suas áreas dentro do seu PDM  e não há coordenação nenhuma com as demais autarquias que venham a ter  a mesma tarefa, É evidente para todos aqueles que pensam estes problemas pela a sua cabeça  e estão  livres de interesses espúrios,  que o que se impõe é que seja  a tal Autoridade Florestal Nacional a assumir este trabalho, porque é a ela que compete , e então depois que   partilhe com as autarquias alguns encargos  e alguns trabalhos  -  mas sempre coordenados regional e nacionalmente. Não se percebe que o Senhor Primeiro Ministro que tem enfrentado com nobreza e determinação esta situação gravíssima dos incêndios . ainda não tenha querido convencer-se de que as reformas florestais e outras tretas que estão a tentar "vender" como as melhores políticas, serão um desastre e apenas formas diferentes de distribuir jobbs para muitos boys, Não há ninguém que faça ver ao Primeiro Ministro que enquanto não se institucionalizar uma Autoridade Florestal Nacional não se consegue resolver a eficácia e a orientação definitiva da polítíca florestal. 
Este caos foi orquestrado ao longo de décadas e finalizado pelo Governo de direita de CDS/PSD  mas que o actual Governo, que se diz de esquerda, não foi capaz de reverter porque...lhe convém e aos interesses que estão por trás da gestão  da área florestal e dos meios florestais, Já  dizia o João de Deus " dinheiro, é tão lindo o manganão.,,,!
A ANMP não  aceite que o Governo atire para as autarquias o ónus destas tarefas que competem em todo o mundo,   ao próprio Estado, Ainda vamos voltar a estas coisas muito mais vezes e ajuizar as asneiras que  resultam deste experimentalismo do Ministério da Agricultura só para não dar o braço a torcer  e voltar a instituir a Autoridade Florestal Nacional - vá lá, Senhor Ministro, faça  esta grande medida e depois deixe o Governo e vá descansar;  e permitir que outros mais novos e mais envolvidos na resolução actual das situações difíceis possam surgir da sombra em que tem vegetado .
As autarquias de todos os quadrantes politicos dizem não ao experimentalismo do Ministro da Agricultura e Florestas ( de florestas não percebe mesmo nada, até aflige!,,,) Basta !!, mudem o Ministro e metam gente nova e capaz!! Pum !!


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A tragédia da Catalunha

Em Outubro passado não deixei de falar na "tragédia" da Catalunha porque quando assistimos a um povo ser violentado na sua alma e  ser aviltado nos seus propósitos  de liberdade, é sempre de  uma tragédia que se trata. Sucedem-se os actos dessa tragédia e por muito que possamos atribuir erros de estratégia aos independentistas,  nada se compara com a  acção de força  e de vilipêndio do governo de Castela. 
Choca-me a indiferença com que os portugueses olham para o desenrolar desta luta dos catalães; admito que a hipocrisia da política e o domínio dos negócios e das politicas internacionais forcem as Autoridades portuguesas a calarem o que deviam proclamar, continuando a dizer baixinho (mesmo assim de forma audível demais...) que o problema catalão deve ser resolvido de acordo com a Constituição espanhola. 
Mas o povo português esse continua calado, ninguém se acha motivado para apoiar a luta dos catalães pela sua independência. É uma indiferença que, acho eu,  diz muito sobre os sentimentos e o egoísmo das sociedades europeia e portuguesa face ao que passa para lá das nossas fronteiras e, no caso português,  mesmo que tenha tanto a ver com a nossa própria sorte como é o caso da Catalunha.
Há dias numa das suas crónicas no Publico, Miguel Esteves Cardoso escrevia que " é triste quando uma nação depende inteiramente doutra"; e  mais à frente  "o resultado das eleições na Catalunha foi mais uma bela lição de liberdade, inteligência e democracia que o povo catalão deu a um mundo casmurro e reumático que é incapaz de perceber a independência da Catalunha como um gesto de libertação e de fraternidade".
Dos povos peninsulares só os portugueses conseguiram libertar-se, travando guerras ao longo dos séculos, e em 1640   foi graças ao levantamento simultâneo de Lisboa e de Barcelona que nós conseguimos a independência, numa guerra de mais de 20 anos, Ainda no séc. XX. é sempre bom recordar, o ditador Franco conseguiu eliminar mais uma vez a independência da Republica da Catalunha e fez "negocio>" com Hitler para, em caso de vitória, voltar a anexar Portugal.         Castela basta !!
O máximo da  hipocrisia é pois dizer-se que o problema da Catalunha tem que ser resolvido no quadro da Constituição  da Espanha, quando é claro que tal não está lá previsto e portanto não é possível!...
A única solução é a que consta no art.7º da Constituição Portuguesa no qual Portugal  condena o imperialismo,  o colonialismo e quaisquer outras formas  de agressão, domínio e exploração. E no nº3 do mesmo artigo está lá bem explícito:"Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de repressão".
Lá que o Governo e o Presidente da Republica tenham de guardar silêncio diplomático, e que a União Europeia se cale por subserviência ao governo de Madrid, é uma perspectiva do problema na sua componente de hipocrisia  e de  luta de interesses; agora noutra perspectiva,  os povos, as pessoas conscientes, individualmente e colectivamente em grupos de pressão. portugueses, flamengos, holandeses, escoceses, os nórdicos (que tanto apoiaram os movimentos independentistas) - ninguém toma posição publica a favor dos catalães!! É uma vergonha e insere-se na perda de valores em que esta sociedade mercantilista e consumidora se tornou.
E deixemos de falar de Espanha, falemos sim de Castela e dos outros povos submetidos. 
 Mas a farsa imposta por Madrid vai continuar. como continuar vai a presença de presos políticos num  país supostamente democrático da suposta democrática União Europeia... Até quando tanta hipocrisia ?!!




sábado, 13 de janeiro de 2018

Apontamento politico


1 - O PSD está neste momento a escolher o seu novo lidere, entre Santana Lopes e Rui Rio. Como dizia há dias Miguel Relvas, com a falta de "sentido da conveniência" que se lhe conhece. será um líder para dois anos,  pois é por demais plausível que António Costa volte a ganhar as eleições de 2019.
O que mais se estranha, para quem como eu não sabe nada do interior do PSD, é que um partido com a importância deste não consiga renovar as suas figuras principais e que num momento destes, em que o PSD continua sem conseguir engolir o sapo vivo da estratégia do PS e da esquerda para governar o País, depois da prestação de Passos Coelho. só apareçam a disputar a liderança duas figuras do passado, qual delas a mais "incompleta" para o lugar de primeiro Ministro que, no fundo, o PSD almeja.
Santana Lopes pensa que o País e os seus correlegionários ( ou uma boa parte deles) se esquecem da palhaçada que foi a sua passagem episódica como Primeiro Ministro, onde revelou total inaptidão para um cargo de tanta responsabilidade.
Rui Rio foi um bom Presidente da Câmara no Porto no que respeita a ter posto as contas em dia e a governar o dia-a-dia, mas em aspectos fundamentais como o social e o cultural deixou a Cidade Invicta na penúria - o êxito do actual Presidente Rui Moreira reside precisamente em ter sido capaz de implementar os aspectos sociais e culturais da cidade, que hoje é 100% melhor do que quando Rio a deixou.
Ora com esta visão redutora de contabilista, o lugar que ele ocupasse de primeiro Ministro seria de uma enorme pobreza para os aspectos civilizacionais do País.
Por isso é pena que o PSD não tivesse apresentado senão estes depois velhos abencerragens para o liderar. Dos que não concorreram -  e ainda bem-  um seria Paulo Rangel, um trauliteiro  e exaltado de verborreia fácil mas sem estatura para governar o País. ou então os portugueses seriam muito pouco exigentes... Outro seria o José Eduardo Martins, mas que surpreendentemente revelou muito pouca capacidade com a campanha autárquica de Lisboa. Não há dúvida que o tal " princípio de Peter"  funciona...
Ficaram na sombra alguns potenciais apostas do PSD, como Montenegro, e com este teríamos a maçonaria em pleno e em força a governar - talvez ainda a venhamos a ter...
Logo à noite, depois de uma campanha fraquíssima , ficaremos a saber quem será o líder do PSD nos próximos dois anos...

2 - O Ministro da Administração Interna fala de pelo menos dois anos para se concretizar uma nova floresta  em Portugal - pelo menos foi isso que eu entendi.
Ora não haverá melhoria da situação da área florestal se não houver a criação daquilo que foi destruído : uma Autoridade Florestal Nacional que seja capaz de repor a ordem e o controle do território. Dêem as voltas que quiserem dar, nada resultará apenas com experimentalismos e a "municipalização" da política florestal