domingo, 29 de abril de 2018

Ria Formosa ou areal ?
Fotos de Mário Lázaro

Há dias denunciei o estado lamentável em que se encontra a Ria Formosa desde que foi aberta a nova barra, Agora apresento algumas fotografias que revelam bem o desastre ecológico que está a acontecer desde que a nova barra foi aberta.
Ao fundo deste areal deve estar a boca da barra...





Isto é a Ria Formosa em frente à barra

sexta-feira, 27 de abril de 2018

As ideologias interessam

Os sectores da direita liberal, pura e dura, afirmam correntemente que não há lugar para ideologias, não interessam ideologias, o que interessa é gerir a  realidade, mas esta é a sua , deles, ideologia. Mais nenhuma !!  Ora as ideologias interessam, são elas que definem o caminho da governação  das sociedades, goste-se ou não.
Não vou abrir um campo de discussão sobre o tema : nunca me preocupei em difundir as minhas convicções e debater as minhas ideias, apenas as divulgo e deixo aos outros simplesmente a sua aceitação ou negação.  Nunca fiz nem faço proselitismo.
Como declaração de interesses  devo afirmar que , sob o ponto de vista social, sou de esquerda, entendendo desta forma que defendo uma ideologia que privilegie o domínio do social sobre o económico ; mas também sou aguerridamente pela liberdade, defendo-a  como o sentimento mais importante que o ser humano pode desfrutar. Aliás todos os seres vivos lutam desesperadamente pela sua liberdade e quanto mais conscientes mais elevam essa luta.

Ser de esquerda ou de direita faz diferença, e faz cada vez maior sentido, ao contrário do que dizem os liberais.

Sempre entendi o marxismo como uma teoria muito importante para a compreensão da vida e da história das sociedades humanas, mas nunca fui marxista mesmo na altura em que era moda ser ou, mais tarde, em que era "oportuno" ser marxista. E nunca fui porque nunca aceitei todos os postulados e diversas lacunas e contradições que nele se contêm;  por exemplo, só a palavra ditadura, seja lá do que for,  põe-me os cabelos em pé, não aceito qualquer regime ditatorial sob nenhum pretexto. Não vou também prolongar a discussão sobre estes temas, que eram debatidos com paixão na década de 60 do século passado, em que me envolvi nas lutas académicas de 1962 e nelas estive do mesmo lado dos comunistas das várias correntes que já nessa altura se confrontavam - mas os alvos da nossa luta eram os mesmos -  o fascismo salazarista e o regime ditatorial "corporativo". Mas dei muita vez a pensar comigo mesmo se os regimes do Leste seriam assim tão maus como eram descritos pelo regime. Porém quando depois de Abril de 74 tive oportunidade de ir visitar países do bloco soviético, o que vi deixou-me terrivelmente mal impressionado; continuo a acreditar que muitas pessoas que se dizem comunistas se tivessem visitado isoladamente como eu aqueles países ( Roménia, Hungria, Checoslováquia Yugoslávia) e não em viagens organizadas pelo "Partido", podendo ver o que quisessem e falado com a gente do povo sem ser vigiado, ficariam vacinados . Todos os males que encontramos nos nossos regimes democráticos  existiam lá  em maior grau mas, pior do que cá, nunca eram denunciados : a corrupção, a nota que se metia no bolso do funcionário para se ultrapassar uma qualquer burocracia, o enriquecimento ilícito dos  membros da Nomenklatura ( como é que de um dia para o outro  apareceram tantos multimilionários na Rússia?). a miséria de vastas camadas da população - e nada se podia denunciar !
Todos os regimes de ditadura proclamam que têm os melhores propósitos de enaltecer e salvar a Pátria, e todos acabam na mesma : abusos sobre abusos e ninguém denuncia a falta das liberdades fundamentais para  o ser humano!! 
E como passo daqui para a esquerda ?
(Continua ...)

quinta-feira, 26 de abril de 2018

26 de Abril de 19 86
O desastre de Chernobil

Passam hoje 32 anos sobre o desastre nuclear de Chernobil, o pior desastre nuclear que já aconteceu, depois dos bombardeamentos atómicos do Japão em 1945, que destruíram as cidades de Hiroshima e Nagazaki.
É preciso recordar esta data e erguê-la como estandarte da luta contra a energia nuclear.
Naquele dia , na Ucrânia que estava inserida na União Soviética, deu-se a explosão do reactor nº 4, numa acumulação de  defeitos do equipamento e erros humanos. Uma enorme nuvem de poeira radioactiva espalhou-se por milhões de hectares, e dado o carácter do regime político que então vigorava  desconfia-se que se não fosse a Suécia - que recebeu fortes doses dessa poluição-  apressar-se a noticiar o terrível acidente, talvez nunca se tivesse chegado a saber tanto sobre o que aconteceu  na verdade.
Cerca de 100.000 pessoas foram deslocadas da região, morreu muita gente logo com o acidente e ao longo dos anos foram morrendo e adoecendo gravemente muitas mais.
Ainda hoje muitas toneladas de resíduos radioactivos altamente perigosos estão fechados numa estrutura de aço que cobre o reactor. 
A certeza científica dos cientistas e dos  promotores  da energia nuclear fica desmascarada com a série de acidentes que se conhecem - porque deverão ocorrer muitas mais situações de perigo eminente que, por não terem tido consequências mais graves, nem são noticiados. Até aqui perto de nós, portugueses, em Almaraz.
Em 1957 houve os primeiros acidentes nucleares conhecidos, em Setembro no Japão em Mayak com a produção de plutónio para uso nas centrais  nucleares, e em Outubro na Grâ Bretanha, em Windscale.  Em 1979 deu-se o acidente de Three Mile Island, nos EUA, que apesar de muito grave esteve perto de se ter transformado numa catástrofe. Em Setembro de 1999 de novo no Japão, um grave acidente em Tokaimura. E em 2011 foi o infelizmente célebre acidente de Fukushima, de novo no Japão.
Acidentes nucleares podem ocorrer em qualquer momento e sem aviso prévio, sempre com argumentos desculpadores de quem é responsável. Nós temos aqui perto da fronteira a central de Almaraz, que já ultrapassou o seu tempo de vida  mas que agora os promotores e os políticos castelhanos querem prolongar por mais 20 anos.  É um absurdo, os Governos portugueses ajoelham diante do Governo  castelhano, a União Europeia não toma posição e o povo português continua na indiferença perante um risco evidente que existe, onde só as promessas do lado castelhano  são escutadas. Aquela  decisão de construir o famigerado armazém em Almaraz é a garantia de prolongamento da vida da central, mas parece que "está tudo controlado"!
Que os deuses nos protejam  porque dos políticos portugueses, castelhanos e europeus não virá protecção nenhuma. Mas como já disse no comunicado que emiti ontem, se tivermos a desgraça de ocorrer um acidente grave em Almaraz, veremos as torrentes de lágrimas de crocodilo que cairão dos olhos  desses bem aventurados políticos.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Vida após a morte
Divagações
( Estas divagações valem o que valem, são pessoais)

Há uns anos já que aderi ao Movimento pela Morte Assistida, porque não acredito que haja outra vida depois e por isso terminar esta vida com dignidade e sem sofrimento é um imperativo de consciência. Dito isto, vamos a divagações, sobre ocorrências que podem induzir a ideia de que existe realmente outra vida.
Espírito, alma, consciência, são conceitos que motivam os seres humanos desde o alvor  da Hominização. Eles são sobretudo objecto das religiões, de todas as religiões, embora com diferentes tradições.
O facto de ao longo de milhares de anos de evolução, pelo menos que se conhecem a partir da pré-História, sempre ter existido a crença de que à vida e à morte se seguirá outra forma de vida, não é suficiente para provar  que, se  essa crença  existe é porque a tal vida após a morte existe mesmo.
O espiritismo, que se desenvolveu bastante no século XIX,  não conseguiu nunca a credibilidade total, múltiplas situações de fraude descobertas serão apenas a ponta do icebergue das fraudes não descobertas.
Uma coisa bem diferente são as situações de quase - morte, em que por doença ou acidente algumas pessoas estiveram quase a ser consideradas mortas biologicamente mas recuperaram , vindo depois com descrições de estados de vida  luminosa de que conseguem lembrar-se. Uma delas foi o escritor Cardoso Pires.
São, sem duvida, situações reais em que o trabalho cerebral não terá desaparecido mesmo com ocasiões de morte aparente de outros órgãos vitais, e em que reminiscências arquivadas no sub-consciente são trazidas à recordação do sujeito, ao recuperar a totalidade das suas funções vitais.
Há abundante bibliografia sobre estes casos de pessoas que "regressam " à vida depois de quase - morte ; e o facto de serem designados estados de quase - morte quer dizer isso mesmo, não foi a morte que ocorreu, foi quase a morte. Quem quiser deliciar-se com essas descrições tem à disposição  um apreciável número de literaturas, com grande realce para as obras do budismo e os seus homens santos.
Não existem evidências científicas dessa vida após a morte, apenas crenças de origem religiosa. A fé não é racional é um sentimento de acreditar totalmente mesmo sem que haja provas que demonstrem a veracidade da crença. E há vários graus de resposta à crença : os agnósticos dizem que não há nada que comprove a existência dos deuses, mas acreditam que existem ou podem existir; e os ateus, que não acreditam na possibilidade da existência de deuses,
 Criptomnésia, percepção extra -  sensorial, telequinésia, predição, são outras tantas "disciplinas" que tratam de problemas do funcionamento aparentemente inexplicável da mente humana.
Há explicações e diversas teorias científicas para ir ao encontro das situações  de quase  morte. O mau funcionamento do cérebro nas ocasiões próximas da morte -  turvação da consciência,  medo e a medicação aplicada a doentes em fases quase terminais podem estar na origem de situações dessas.
Há medicamentos que podem provocar sentimentos de estar "fora do corpo" ou sensações de estar a atravessar túneis escuros em direcção a uma luz brilhante ; são situações  que ocorrem  depois de traumas, de graves deficiências do sistema nervoso, de comas profundos e prolongados, etc.  A modificação dos estados de consciência podem explicar os fenómenos da quase morte, do êxtase, da luz brilhante, etc.
De tudo isto ficam algumas  certezas : as neuro ciências não param de progredir e de descobrir o que até há uns tempos atrás eram assuntos da crença e da "alma";  e há ainda muito a investigar e a conhecer sobre a capacidade do cérebro humano e sobre a forma de suscitar ou incentivar determinadas actividades cerebrais, certas categorias de energia e outros aspectos que sempre foram, até agora, considerados para-normais.

domingo, 22 de abril de 2018

A Ria Formosa e a Ilha de Faro

A Ria Formosa tem sido alvo de intervenções desastradas que em nada contribuem para a sua preservação. Todos sabemos que este sistema lagunar se não for intervencionado pelo homem tenderá a colapsar, pois  a entrada de  água praticamente é só a do mar que entra pelas barras já que os caudais de ribeiras que ali desaguam  são de pouca monta.
Ainda se está para perceber a vantagem de ter aberto a última barra, a pouco mais de um quilómetro de distância  da que existia e estava a ser colmatada, em vez de se ter procedido a umas duas dragagens por ano da barra antiga, já de si aberta contra o parecer não só de técnicos como de pescadores locais. Essas dragagens ficariam certamente por menos custos que as obras vultuosas da abertura da nova barra -  para além do estrago que provocou no sistema lagunar.
Eu sou um frequentador da Ria Formosa e da Ilha de Faro desde há uns trinta anos, praticamente todas as semanas do ano e, quer sozinho quer acompanhado por amigos entre eles o dr. Mário Lázaro, companheiro de caminhadas e  banhos de mar e de navegações de caiaque,  tenho acompanhado a evolução do sistema lagunar e  das ilhas-barreira.
Desde que a última barra foi aberta  que não só a costa como o interior da Ria se transformaram no pior sentido : a extensão de areais é cada vez maior, a areia que entra pela barra tem-se depositado na Ria e na maré baixa praticamente não corre água nenhuma. A transformação é por demais visível e rápida. Antes era habitual verem-se cardumes de pequenos  peixes ( cavalas,  taínhas, etc) na babujem da margem da Ria, pequenos invertebrados e até polvos que apareciam próximo do areal. Hoje não há nada. A profunda alteração que as dragagens provocaram nos fundos da  laguna levaram à sua morte como sistema vivo.
A "duna", construída sem critério compreensível e sem qualquer medida de fixação ,  com os dragados do fundo da ria já quase desapareceu, levada pelo vento mas sobretudo pelo mar.
Estes últimos meses assistimos a grandes temporais que afectaram a praia da Ilha de Faro de forma muito grave. A topografia da praia foi alterada, desapareceu uma boa parte da faixa que podemos dizer semi-dunar que ladeava a estrada e o mar agora galga-a e espalha-se pela via, arrastando toneladas de areia.
Mas na zona a nascente  em que as dunas foram fixadas - trabalhos realizados  há uns 20 anos pelo Parque Natural quando era dirigido por quem sabia o que devia ser a função desta AP, chamava-se Nuno Lecoq  -  os estragos foram mínimos, as dunas aguentaram a investida do mar e mesmo com os vendavais que ocorreram praticamente não se deram grandes movimentos de areias.
Hoje a praia está com uma topografia imprópria para os utentes, transformada numa sucessão de montes  e depressões e numa rampa inclinada que não permite ao mar espraiar-se  - nem se dá pela baixa- mar! Se ficarmos à espera que a Natureza reponha o facies normal da praia, bem podemos esperar - e nem é seguro que ela volte a ter uma configuração própria para banhistas, com o Verão aí à porta.
É urgente uma intervenção com máquinas , e embora eu pudesse dar palpites quanto ao que fazer, deixo essa tarefa aos entendidos... O certo é que a areia está  a ser  levada todos os dias em quantidades colossais  pelo mar nas marés altas e essa areia vai para onde ? Adivinha-se.
Não acredito que alguém mexa uma palha para resolver a situação da praia da Ilha de Faro - Câmara Municipal , Turismo, Parque Natural, Autoridades Marítimas, com tantas instâncias responsáveis estamos para ver se alguém faz alguma coisa de positivo, além de andarem a rapar a areia da estrada e a voltar a coloca-la no areal.  Mas se actuarem, cá estarei para dar por isso, eu e os habituais utentes da Ilha de Faro e da Ria Formosa.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

A espuma dos dias

2 - Intervir na Paisagem - A sessão que decorreu no Centro Nacional de Cultura no dia 12 passado, conforme estava previsto, foi bastante interessante porque colocou frente a frente a minha visão da Arquitectura Paisagista, plasmada no livro com o titulo acima indicado, e a do Colega e Amigo Leonel Fadigas, com outro seu livro intitulado "Território e Poder - o uso, as políticas e o ordenamento ".
Foi uma sessão de ameno debate que durou até perto das 9h da noite, com bastante participação de arquitectos paisagistas mas não só, pois estavam  lá outros profissionais. Mas afinal quando o Fadigas diz que o ordenamento e a gestão do território  não são questões exclusivamente técnicas, são, em muito, questões políticas, acaba por concluir o que também eu afirmo e a maior parte dos nossos colegas de profissão : intervir na paisagem também é intervenção política. (estas palavras sublinhadas estiveram para sair como  subtítulo do meu livro de textos. E e cada sessão eu não deixei de referir que o Prof. Caldeira Cabral nos ensinava que a arquitectura paisagista é uma arte política, porque interfere com a vida dos seres vivos e contribui para gerir o seu comportamento e inserção nas paisagens.

1 -  A corrupção - Não passa um dia em que a comunicação social não saia com novidades de mais um caso se indigitada corrupção, que surge nos mais diversos lugares : na polícia, no exército, nos autarcas, nas escolas;  agora até querem apontar os deputados das Regiões Autónomas porque recebem o subsídio da Assembleia da Republica, extensível a todos os deputados -  ilhéus ou continentais -  e ainda recebem o desconto nas viagens para as ilhas a que têm direito todos os residentes  nos arquipélagos, sejam deputados ou não. Aqui eu não vejo corrupção : os deputados ilhéus pagam os seus bilhetes de avião só que pagam como residentes na ilhas que efectivamente são e não têm que ser descriminados negativamente  por esse facto. 
Ainda bem que se detectam cada vez mais casos de corrupção e isso é uma vantagem da democracia. Mas a mesma comunicação social deixa de apontar alguns casos : a SIC tem andado a publicar uma grande reportagem sobre o processo em que está envolvido José Sócrates, entre outras grandes figuras da vida publica e económica -  e ainda bem. Só que gostaria de saber como é que a SIC consegue  apresentar gravações dos interrogatórios feitos pelo Procurador, no gabinete deste ou pelo menos nas instalações  do MP,  em sessões do processo que está em curso, gravações que estão cobertas pelo segredo de justiça. Como é que essas gravações saiem cá para fora ?  Não é o ou a jornalista que assalta o escritório do Procurador e rouba as gravações - portanto alguém "lá de dentro" as fornece. E não há almoços grátis, ou há ? E isto não é corrupção  da pior dentro de um caso que está a julgar um caso grave de  corrupção ? Tal está a moenga, hen ?




quinta-feira, 12 de abril de 2018

Intervir na paisagem

No Instituo Superior de Agronomia  decorreu ontem,11 de  Abril,  a apresentação e discussão do meu livro com aquele título e que teve uma boa assistência no Salão Nobre do ISA. Para mim, além do mais, foi um regresso àquela sala, que era a antiga Biblioteca onde passei tantas horas  estudar, já lá vão 60 anos...
As pessoas participaram e houve um pequeno debate que só não se prolongou porque já a hora do almoço ia adiantada...
Hoje vai haver nova sessão, agora no Centro Nacional de Cultura, em que estarei eu e o Leonel Fadigas, cada um com o seu livro, num confronto de ideias e posições que espero  venha a ser interessante